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Debate da Band hoje: regras, temas e o que esperar de Lula e Flávio

Primeiro confronto direto do segundo turno começa às 20h, em São Paulo, com 15 minutos de embate livre no primeiro bloco e campanhas que prometem tom moderado

Marina KesslerMarina Kesslerassinatura editorial do CityTudo

18 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Estúdio de televisão bem iluminado com dois púlpitos frente a frente em um palco azul e branco, cercado por câmeras e telões

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se encontram hoje pela primeira vez nesta campanha. O debate da Band começa às 20h deste domingo (18), nos estúdios do grupo em São Paulo, em parceria com o Estadão, a TV Gazeta, a TV Cultura e a Jovem Pan News. A votação do segundo turno é no dia 25, daqui a uma semana, e os dois lados tratam a noite como uma das últimas chances de mexer numa disputa apertada.

Como o debate da Band vai funcionar

A mediação fica com Adriana Araújo e Eduardo Oinegue. Segundo as regras divulgadas pela emissora e reproduzidas pelo Terra, o primeiro bloco abre com duas perguntas dos âncoras, respondidas pelos dois candidatos na ordem definida em sorteio prévio. Depois vem o primeiro embate direto, com os candidatos livres no estúdio para confrontar ideias por 15 minutos cada um.

O segundo bloco também começa com perguntas dos mediadores. Em seguida, um candidato dirige uma pergunta ao outro numa dinâmica com pergunta de um minuto e meio, resposta e tréplica somando quatro minutos, que cada um administra como quiser, e réplica de dois minutos, que só pode ser usada de uma vez. O terceiro bloco repete essa regra e termina com as considerações finais.

A duração também aparece com números diferentes. Rodolfo Schneider, diretor-geral de Jornalismo e Esporte do Grupo Bandeirantes, falou em “duração aproximada de 1h40”. O Terra, em outro texto, descreve um encontro de cerca de duas horas e diz que dois blocos serão de confronto direto e um terá perguntas programáticas de jornalistas do grupo e do pool de veículos parceiros. A descrição dos blocos varia de uma reportagem para outra, e a Band é quem fecha o regulamento final.

Schneider disse que a emissora nunca abriu mão do evento, “uma tradição histórica há quase 40 anos”, e que o formato de confronto direto foi escolhido “por ser o que o brasileiro quer ver”. Fernando Mitre, diretor de jornalismo da Band, resumiu a lógica do segundo turno: com dois candidatos no estúdio, “não tem escapatória”.

Um debate que quase não aconteceu

O encontro sai depois de idas e vindas. Flávio confirmou presença, voltou atrás e avisou que não iria. No mesmo dia, Lula comunicou à Band que estaria lá, e a emissora anunciou que o púlpito do senador ficaria vazio. Na manhã seguinte, Flávio recuou e confirmou. O primeiro turno também não teve debate com os dois: o da Globo foi cancelado menos de uma hora antes do início, depois de decisões judiciais sobre o púlpito vazio de Lula, da obrigatoriedade da participação de Renan Santos (Missão) e da desistência de última hora de Flávio. Lula, naquela noite, deu entrevista ao Flow Podcast.

Ao longo da campanha, os dois ficaram restritos a sabatinas e entrevistas, sem nenhum confronto direto até agora.

Experiência desigual em debates

Lula disputa debates presidenciais desde 1989, quando participou do primeiro televisionado ao vivo para o país inteiro, também na Band. Enfrentou Jair Bolsonaro em 2022, em um segundo turno marcado por uma enxurrada de pedidos de direito de resposta: Lula pediu 19 e teve dois concedidos, Bolsonaro fez cinco e não teve nenhum atendido, segundo o levantamento do Terra.

Flávio participou de um único debate na carreira, em 2016, na disputa pela Prefeitura do Rio. Passou mal no segundo bloco, sem responder a uma pergunta, foi amparado por adversários e desmaiou, e o programa foi para o intervalo. A assessoria atribuiu o episódio a uma intoxicação alimentar. A diferença de rodagem pesa em um formato de embate livre, em que cada candidato administra o próprio tempo.

O que cada campanha planeja

A CNN Brasil informou que Lula passou o sábado em Brasília se preparando, com a orientação de evitar tom agressivo e priorizar a defesa das realizações do governo e as propostas para um eventual novo mandato. Entre os temas previstos estão o fim da escala 6x1, medidas para os microempreendedores individuais, a ampliação da isenção do Imposto de Renda e o Desenrola, além de propostas de saúde e de escolas de tempo integral. Comparações com o governo Bolsonaro não estão descartadas, mas aliados preferem que o presidente fale do mandato atual e dos próximos quatro anos.

Do lado de Flávio, a preparação foi mais leve. Segundo a CNN Brasil, ele passou o sábado em atos em Vitória e Salvador, aproveitou o treinamento de mídia da sabatina na TV Globo de sexta-feira (16) e tinha ato marcado em São Paulo para este domingo. A estratégia é concentrar o discurso em economia e segurança pública, atacar o governo no custo de vida e negar que cortaria programas sociais. A campanha petista, por sua vez, pretende usar contra ele o plano de corte de gastos apelidado de “Tesouraço”, comparações com o programa de Javier Milei na Argentina e a possível ligação com o advogado Willer Tomaz, investigado por fraude no INSS.

As duas equipes, de acordo com a reportagem, trabalham com a orientação de evitar ataques pessoais e esperam um confronto moderado, com atenção ao risco de erros. No entorno de Lula, a avaliação é que não há “bala de prata” e que a eleição será decidida nos detalhes, entre debates, redes sociais e mobilização de rua.

Os pontos sensíveis de cada lado

Especialistas ouvidas pelo Terra apontam a corrupção como tema sensível para os dois. Mayra Goulart, professora de Ciência Política da UFRJ, diz que mais de uma década de campanhas associando o PT ao tema deixou marcas: “Isso não se desfaz, mesmo com as evidências de que a corrupção é muito mais generalizada no campo bolsonarista”. Ela vê vantagem discursiva da direita na segurança pública, pela proposta simples de endurecer penas, ainda que, nas palavras dela, “não resolve”.

Para Lula, a cientista política Letícia Mendes cita ainda a dívida pública e os gastos do governo. Para Flávio, os riscos incluem o caso do Banco Master, a soberania nacional diante da atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e da relação com Donald Trump, e a proteção ao trabalhador. Goulart avalia que Lula deve apostar na defesa do trabalhador formal e informal, no Bolsa Família e no Pé-de-Meia, e Mendes espera que o presidente use a aprovação da PEC do fim da escala 6x1. Para ela, Flávio tende a se apresentar como continuidade da gestão do pai.

O que vem depois

O debate da Band é o primeiro do segundo turno e acontece a uma semana da votação, marcada para domingo, 25 de outubro. A transmissão começa às 20h, no horário de Brasília.

Fontes

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