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Pesquisas do segundo turno mostram empate técnico entre Flávio e Lula

Quaest dá 46% a 44% para o senador, Datafolha e BTG-Nexus apontam 52% a 48% nos válidos, e os 24,6% que não votaram no primeiro turno viraram o ponto de disputa a dez dias da eleição

Marina KesslerMarina Kesslerassinatura editorial do CityTudo

15 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Urna eletrônica sobre uma mesa de madeira em uma sala de aula usada como seção eleitoral, iluminada pela luz natural das janelas

A uma dezena de dias da votação de 25 de outubro, as pesquisas do segundo turno desenham o mesmo quadro em todos os institutos: Flávio Bolsonaro (PL) à frente, Lula (PT) dentro da margem de erro. A Quaest divulgada na quarta-feira (14) trouxe o senador com 46% e o presidente com 44% nos votos totais, e 51% a 49% nos válidos. O Datafolha publica a segunda rodada nesta quinta-feira (15), à noite, e ela vai dizer se a distância se mantém ou encolhe.

O que cada instituto encontrou

A Quaest ouviu presencialmente 2.154 eleitores de 16 anos ou mais entre 10 e 13 de outubro, a pedido da TV Globo, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro BR-08729/2026 no TSE. Brancos, nulos e quem não votaria em ninguém somam 9%, e os indecisos, 1%. A rejeição ficou em 54% para Flávio e 53% para Lula, praticamente a mesma coisa.

Antes do primeiro turno, a Quaest já havia medido um cenário hipotético de segundo turno, com Flávio em 44% e Lula em 42%, numa pesquisa feita nos dias 2 e 3 de outubro com 3.702 eleitores. A vantagem numérica do senador é de dois pontos nas duas medições. Mudou o tamanho do eleitorado que desistiu de escolher: os brancos, nulos e indecisos eram 14% naquela rodada e agora são 10%.

O Datafolha, por sua vez, divulgou em 8 de outubro a primeira pesquisa pós-primeiro turno. Flávio tinha 49% contra 45% de Lula, ou 52% a 48% nos votos válidos, com 46% dos entrevistados dizendo que não votam em Lula e 43% que não votam em Flávio. O levantamento ouviu 2.520 pessoas entre 6 e 8 de outubro. Na rodada anterior, de 3 de outubro, Lula aparecia à frente nos válidos, 45% a 42%, em um cenário que ainda incluía todos os candidatos do primeiro turno.

A mesma reportagem registra a pesquisa Atlas-Bloomberg, com 5.026 entrevistas feitas de forma digital entre 3 e 8 de outubro: Flávio com 52,8% e Lula com 47,2% nos válidos, margem de erro de um ponto. É o resultado mais folgado para o senador entre os institutos conhecidos até aqui.

Na BTG-Nexus, feita por telefone com 2.002 eleitores entre 10 e 12 de outubro, Flávio tem 48% e Lula 45% nos votos totais, e 52% a 48% nos válidos. Quatro institutos, com métodos diferentes (presencial, telefone e coleta digital) e a mesma ordem: o senador na frente, mas sempre perto do limite do empate técnico.

Quem votou em quem no primeiro turno

O primeiro turno, em 4 de outubro, terminou com Flávio em 47,03% dos votos válidos (56.104.422 votos) e Lula em 45,16% (53.878.385). Sobraram quase dois pontos de diferença e um volume enorme de eleitores fora da disputa: as abstenções, os brancos e os nulos somaram 24,63% do eleitorado, ou 39,4 milhões de votos, segundo a conta feita pelo Terra a partir dos dados oficiais.

Foi nesse grupo que o diretor da Quaest, Felipe Nunes, apontou o fator decisivo. Na entrevista à GloboNews, ele disse que 43% dos que não votaram ou anularam no primeiro turno afirmam que votarão em Lula agora, contra 38% que escolherão Flávio e 17% que seguem sem candidato. “Quanto menor for a abstenção neste segundo turno, melhor para o Lula, porque, na proporção, ele leva mais eleitores do que Flávio. Quanto maior for a abstenção, melhor para o Flávio”, afirmou Nunes.

A BTG-Nexus enxerga o mesmo grupo de outro jeito. Entre os que dizem não ter comparecido ao primeiro turno, 49% preferem Flávio e 41%, Lula. Entre os eleitores dos demais candidatos do primeiro turno, o senador abre 45% a 32%. Os dois institutos discordam justamente sobre o público que mais pesa no resultado, e essa divergência explica boa parte da diferença entre uma Quaest apertada e uma Nexus confortável para o PL.

Eleitor decidido, campanha curta

A pesquisa BTG-Nexus traz um dado que reduz a margem de manobra de qualquer virada: 92% dos entrevistados dizem que o voto está definido e não muda, contra 7% que admitem trocar de candidato. Entre os eleitores de Lula, 95% se dizem convictos, e o índice é o mesmo no lado de Flávio. Dos que já decidiram, 90% afirmam ter feito a escolha antes do primeiro turno. Os dois candidatos mantêm 98% dos votos que tiveram em 4 de outubro.

O Datafolha de 8 de outubro já indicava um eleitorado movido pela rejeição: 25% dos eleitores de Flávio dizem votar nele para derrotar Lula, e entre os de Lula, 13% votam para derrotar Flávio. Para o CEO da Nexus, Flávio tem mais votos “anti-adversário” porque, hoje, Lula é governo.

Pesquisadores do Labop, o laboratório de opinião pública da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, estimaram em cerca de 19% a probabilidade de virada de Lula, usando como base os números do Datafolha de 8 de outubro. O cientista político Jairo Pimentel lembrou que “no Brasil nunca um candidato que terminou em segundo lugar no primeiro turno conseguiu virar uma eleição presidencial no segundo”. Ele mesmo ressalvou que a amostra de eleições presidenciais no país é pequena e limita qualquer cálculo de probabilidade.

Evangélicos, Bolsa Família e o recorte social

A Quaest detalhou dois recortes que ajudam a entender a divisão. Entre os evangélicos, Flávio tem 60% e Lula, 28%, uma diferença de 32 pontos. Entre os beneficiários do Bolsa Família, o quadro se inverte: Lula tem 60% e Flávio, 31%, 29 pontos de distância. O resultado geral fica perto de um empate porque os dois blocos são grandes e se cancelam, e o desempate vem de grupos menores e de quem se mobilizará para ir às urnas.

O que mexe com a reta final

A agenda da semana é pesada. O primeiro debate direto entre os dois candidatos, que não se enfrentaram em nenhum encontro no primeiro turno, acontece no domingo (18), na Band. Flávio disse na terça-feira (13) que não iria. Lula confirmou presença, e na quarta ele voltou atrás em um vídeo: “É claro que eu vou no debate. Eu só queria que você confirmasse”. O último encontro previsto é o da TV Globo, em 23 de outubro, e a equipe do senador ainda avalia se comparece.

Na economia, o mercado já reage às pesquisas. O dólar abriu a quinta-feira em alta de 0,61%, a R$ 5,0603, depois da Quaest, enquanto no exterior a moeda americana recuava frente a boa parte das divisas. No ano, a divisa acumula queda de 8,37%.

No campo político, Flávio fechou apoio de ex-adversários como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). Lula, que ficou em segundo lugar no primeiro turno, tenta ampliar a presença nas ruas e no ambiente digital e publicou uma carta dirigida a famílias evangélicas, segmento em que está 32 pontos atrás na Quaest.

O que esperar da próxima rodada

O Datafolha desta quinta ouviu 2.520 eleitores entre 13 e 15 de outubro, tem registro BR-00466/2026 no TSE e margem de erro de dois pontos. Na rodada de 8 de outubro, Flávio tinha 52% nos válidos. Se o número cair para 50% ou 51%, a Quaest terá captado o início de uma aproximação. Se subir, o debate da Band vira a última grande chance de alterar a trajetória antes das últimas pesquisas, que os institutos costumam divulgar na semana da votação.

Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos em cada candidato, uma diferença de quatro pontos nos válidos já está no limite do empate técnico, e qualquer cenário entre 49% e 53% para Flávio continua compatível com as pesquisas de hoje. O segundo turno é em 25 de outubro.

Fontes

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