Márcio Canella é preso pela PF em fase da Unha e Carne
Deputado estadual eleito no Rio e ex-secretário de Polícia Civil foram presos em operação que apura lavagem de R$ 7,6 bilhões em rede de postos de combustíveis, com 112 empresas suspensas
Marina Kesslerassinatura editorial do CityTudo15 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) o deputado estadual Márcio Canella (União Brasil) e o delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro. Os dois foram alvos da 8ª fase da Operação Unha e Carne, que mira uma rede de postos de combustíveis suspeita de lavar dinheiro na Região Metropolitana. Canella foi reeleito em 4 de outubro e acabou preso onze dias depois da votação.
O que a PF cumpriu nesta quinta
Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em sete cidades fluminenses: Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. Além de Canella e Amim, foram presos Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, José Carlos Alves de Souza Júnior, Christiano Gaspar Fernandes e Giovanni Gaspar Fernandes. Segundo o noticiário do dia, Amim foi detido em casa, em Niterói.
A Justiça também mandou bloquear bens e valores e suspender a atividade econômica de 112 empresas ligadas à suposta rede de lavagem. Dessas, 96 são postos de combustíveis, que, na leitura da PF, serviam para disfarçar e dar aparência legal a dinheiro de origem criminosa. O G1 Rio acompanha o caso em reportagem atualizada ao longo do dia, e o Estadão também registrou a prisão do deputado por suspeita de lavagem na rede de combustíveis.
O tamanho do esquema segundo o Coaf
O número que sustenta a investigação vem de um relatório de inteligência financeira do Coaf enviado à PF. De acordo com o documento, o grupo movimentou mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos. A PF afirma que o esquema envolvia agentes públicos e articulação político-institucional, o que explica a presença de um parlamentar e de um ex-chefe da Polícia Civil entre os presos.
Os suspeitos respondem, conforme o papel atribuído a cada um, por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda irregular de combustíveis e formação de cartel. Todas essas são acusações em investigação, sem condenação.
Ligação com a Missão Redentor II
A operação faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa da PF contra grupos criminosos no Rio. Segundo a CNN Brasil, a PF diz seguir as diretrizes do STF na ADPF 635, tema discutido em 6 de outubro entre a cúpula da corporação e o ministro Alexandre de Moraes. A prisão foi determinada por Moraes, segundo os relatos do dia.
Quem é quem na história
Canella foi prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Teve 197.178 votos na eleição de 4 de outubro, 2,24% dos votos válidos, e ficou como o segundo deputado estadual mais votado do estado entre os 70 eleitos. A Wikipédia o descreve, na época da sexta fase, em julho, como pré-candidato ao Senado pelo União Brasil.
Amim é delegado e comandou a Secretaria de Polícia Civil do Rio entre 2023 e 2024. Os dois já tinham sido alvos de mandados de busca em julho, durante a sexta fase da operação.
A prisão de julho e o fuzil
Foi nessa sexta fase que Canella foi preso em flagrante, depois de agentes encontrarem um fuzil calibre 556 no carro em que ele estava. Ele disse que a arma pertencia ao policial militar responsável pela sua segurança. Três dias depois, Moraes mandou soltá-lo, com tornozeleira eletrônica, entrega do passaporte e proibição de portar arma.
Em 24 de julho, o ministro revogou todas as cautelares, depois que a Polícia Militar confirmou que o fuzil era da corporação e estava sob responsabilidade da escolta. A investigação sobre a rede de postos seguiu aberta e chegou agora à fase das prisões preventivas.
Oito fases em dez meses
A Unha e Carne nasceu em 3 de dezembro de 2025, com a prisão do então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Zargun. A Wikipédia reúne as fases seguintes: a segunda, em 16 de dezembro, mirou um desembargador federal do TRF-2. A terceira, em 27 de março, levou Bacellar de novo à prisão. A quarta, em maio, prendeu o deputado estadual Thiago Rangel por suspeita de desvios na Secretaria de Educação.
A quinta fase, em 2 de julho, atingiu o bicheiro Adilsinho e o pastor Márcio Poncio. Dias depois, a sexta chegou à rede de postos e a Canella e Amim. A oitava fase é a segunda a mirar o mesmo núcleo, agora com prisões preventivas.
Em maio, a PF concluiu que Bacellar tinha influência sobre decisões que cabem ao governador, incluindo indicações para secretarias estratégicas. Os fios da investigação vão de vazamento de informação sigilosa a nomeações e, agora, à lavagem por meio de postos. Amim comandou a Polícia Civil, órgão que investiga crimes no estado, o que dá peso extra à prisão dele.
O que ainda não se sabe
Nas reportagens consultadas, nem Canella, nem Amim, nem os advogados deles se manifestaram sobre as prisões desta quinta. Tampouco havia posição da Alerj sobre o futuro do mandato de Canella, eleito em 4 de outubro. A cobertura do G1 estava marcada como em atualização.
A cobertura segue em atualização, e novos desdobramentos dependem das decisões de Moraes sobre as prisões preventivas.


