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Marido da prefeita de Bauru é preso em nova fase da Cavalo de Troia

Renato Purini, secretário de Governo e casado com Suéllen Rosim, foi detido em casa nesta sexta-feira (16) pelo Gaeco, que também cumpre buscas na residência da prefeita e na Prefeitura, em desdobramento da investigação sobre a licitação do lixo de R$ 5,2 bilhões

Marina KesslerMarina Kesslerassinatura editorial do CityTudo

16 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Prédio histórico de prefeitura do interior paulista sob sol forte, com duas vans escuras estacionadas na frente e bandeiras hasteadas

O secretário municipal de Governo de Bauru (SP), Renato Purini, foi preso na manhã desta sexta-feira (16) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. Purini é casado com a prefeita Suéllen Rosim (PSD). Segundo o g1, ele foi detido em casa, numa operação com apoio da Polícia Militar que também cumpre mandados de busca na residência da prefeita e no prédio da Prefeitura. A ação é um desdobramento da Operação Cavalo de Troia, que já havia levado à prisão de ex-secretários da própria administração.

O que se sabe sobre a prisão

As informações públicas até o início da manhã são poucas e vêm de reportagens em andamento. O Terra, citando a GloboNews, confirma a prisão de Purini e as buscas na casa da prefeita e na Prefeitura, e registra que o veículo procurou a Prefeitura para um posicionamento e aguardava resposta. Não vieram a público, até agora, os fundamentos da prisão nem a acusação formal contra o secretário. Também não há manifestação da defesa dele.

Em nota, a Prefeitura de Bauru confirmou que houve operação nas dependências do Executivo, mas disse que ainda não foi informada oficialmente sobre o objeto da ação. O texto afirma que o município “permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com o que for necessário e prestar os esclarecimentos eventualmente solicitados”.

Esse é o ponto que separa o fato do que ainda é conjectura. Estar na lista de alvos de uma operação, ou ser preso nela, não equivale a condenação, e o Ministério Público ainda não detalhou qual papel atribui ao secretário. Nesta fase, o que existe de confirmado é o ato: prisão, buscas e vínculo declarado com a Cavalo de Troia.

De onde veio a Cavalo de Troia

A investigação nasceu em março, quando o Gaeco recebeu denúncias de ameaças contra catadores de materiais recicláveis. Conforme apurou o g1, Valdomiro Pereira da Silva Filho, marido da então presidente da Ascam (Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis), teria ligação com uma facção criminosa e usaria a influência para intimidar os trabalhadores. A Ascam mantinha contratos de mais de R$ 5 milhões com a Prefeitura de Bauru, com dispensa de licitação.

O monitoramento das ligações de Valdomiro e de Gisele Moretti, presidente da associação, mudou o rumo do caso. Segundo o Ministério Público, o casal também articulava pedidos de propina e tentava interferir na licitação da gestão do lixo da cidade.

Essa licitação é o centro da apuração. Trata-se da concessão do sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos de Bauru, desenhada para durar 30 anos e avaliada em R$ 5,2 bilhões, o maior contrato da história do município, de acordo com o g1. O Gaeco sustenta que o grupo atuava para direcionar as regras do edital a favor da Estre Ambiental, por meio de pessoas infiltradas na administração municipal.

A primeira fase e os presos de setembro

A primeira etapa da operação foi deflagrada em setembro, com apoio da Polícia Militar. Cumpriu mandados de busca e apreensão e resultou na prisão temporária de sete pessoas. Entre elas, segundo o g1, estavam a ex-secretária municipal de Meio Ambiente, o ex-secretário municipal de Negócios Jurídicos, o proprietário e CEO da Estre Ambiental e a então presidente da Ascam.

A tese do Ministério Público envolve uma relação pessoal. A então secretária de Meio Ambiente, Cilene Bordezan, manteria um relacionamento amoroso com o CEO da empresa, Hamilton Libório Agle, o que permitiria que a concessionária elaborasse documentos e pareceres oficiais de dentro do próprio governo. São alegações da investigação, que dependem de comprovação na Justiça.

Reportagens da época registraram o desdobramento judicial. A Justiça paulista manteve a prisão temporária dos sete alvos, segundo o Metrópoles, e a Prefeitura informou que exonerou os envolvidos e que não havia indício de participação da prefeita Suéllen Rosim. Depois, a prisão de seis investigados foi convertida em preventiva, conforme relatou o jornal A Crítica. A decisão citou risco às provas e aos depoimentos, com possibilidade de cooptação de servidores e destruição de provas.

A licitação em si acabou cancelada, de acordo com a cobertura regional da operação.

Como estão os investigados

O g1 informa que a funcionária da Estre Talita Andrade, acusada de integrar a organização criminosa, deixou a penitenciária feminina Sant’Ana em 7 de outubro e cumpre prisão domiciliar por decisão da Justiça. A mudança foi comunicada pela Secretaria da Administração Penitenciária na quinta-feira (15). A defesa já pedia a medida por causa de uma doença da acusada e do sofrimento da filha.

A reportagem questionou a SAP sobre os outros quatro presos que, até a última atualização, estavam em unidades prisionais. O ex-consultor da Fipe Mário Luiz aparecia como foragido na mesma apuração.

Quem é Purini no governo de Bauru

Antes de assumir a Secretaria de Governo, Renato Purini presidiu o Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru. O Metrópoles noticiou que ele foi nomeado ao cargo pela própria prefeita e que o casal ficou noivo depois, numa reportagem sobre nomeações de familiares na gestão. Ele é filiado ao MDB, segundo o veículo.

O vínculo pessoal com a chefe do Executivo explica por que a prisão de hoje pesa politicamente mais que as de setembro. Em setembro, os alvos eram ex-secretários e executivos de empresa, e a Prefeitura podia dizer que tinha afastado os envolvidos. Agora a operação chega ao núcleo do governo e à casa da prefeita, ainda que, até este momento, não haja informação de que Suéllen Rosim seja investigada ou alvo de prisão.

O que vem a seguir

O que falta é a versão do Ministério Público e da defesa. O Gaeco ainda não detalhou as acusações contra Purini nem o que foi apreendido na casa da prefeita e na Prefeitura, e a Justiça vai avaliar se a prisão se mantém, como ocorreu em setembro, quando a temporária de seis investigados virou preventiva. A Prefeitura diz que aguarda acesso ao inquérito para responder.

Fontes

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