Salário mínimo 2026 é R$ 1.621: descontos, benefícios atrelados e a previsão de R$ 1.741 para 2027
Piso subiu 6,79% em janeiro. Veja quanto sobra no contracheque, quais benefícios acompanham o valor e o que o Orçamento de 2027 já prevê
17 de agosto de 2026 · Atualizado em · 5 min de leitura

O salário mínimo vale R$ 1.621 desde 1º de janeiro de 2026, R$ 103 a mais que os R$ 1.518 de 2025, e o governo já mandou ao Congresso a previsão para o ano que vem: R$ 1.741 em 2027. O número de 2027 ainda pode mudar até dezembro. O de 2026 está fechado e serve de base para aposentadoria, BPC, seguro-desemprego e contribuição de MEI até o fim do ano.
De onde saíram os 6,79%
O reajuste de 2026 soma duas parcelas. A primeira é a inflação medida pelo INPC em 12 meses até novembro de 2025, que fechou em 4,18%, segundo a Agência Brasil. A segunda é o ganho real, que pela regra de valorização retomada em 2023 seria igual ao crescimento do PIB de dois anos antes. Desde o pacote fiscal do fim de 2024, esse ganho real ficou limitado a 2,5% ao ano, o teto de crescimento de despesas do arcabouço fiscal. Sem o limite, o piso teria chegado a cerca de R$ 1.636. O valor foi fixado pelo Decreto 12.797/2025 e o Ministério da Previdência confirmou o novo piso previdenciário em janeiro.
Segundo a nota técnica do Dieese, 61,9 milhões de pessoas têm a renda referenciada no mínimo, entre trabalhadores, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais. O mesmo estudo estimou R$ 81,7 bilhões a mais circulando na economia em 2026 e R$ 39,1 bilhões de despesa extra para a Previdência.
Quanto sobra no contracheque
Quem tem carteira assinada e ganha exatamente o piso paga 7,5% de INSS, a alíquota da primeira faixa da tabela de 2026. Na prática:
| Item | Valor mensal |
|---|---|
| Salário bruto | R$ 1.621,00 |
| Desconto do INSS (7,5%) | R$ 121,58 |
| Salário líquido, sem outros descontos | R$ 1.499,42 |
| Valor do dia (base de 30 dias) | R$ 54,03 |
| Valor da hora (jornada de 220 horas) | R$ 7,37 |
O Imposto de Renda não pesa nessa faixa. Vale-transporte (até 6% do salário bruto, ou R$ 97,26) e plano de saúde, quando existem, saem à parte.
A tabela progressiva do INSS de 2026 tem quatro faixas: 7,5% até R$ 1.621,00, 9% até R$ 2.902,84, 12% até R$ 4.354,27 e 14% até o teto de R$ 8.475,55, conforme a tabela compilada pela Debit. Cada alíquota incide só sobre a parte do salário dentro da faixa. Quem ganha dois mínimos (R$ 3.242) desconta R$ 121,58 da primeira faixa, R$ 115,37 da segunda e R$ 40,70 da terceira, total de R$ 277,64.
Quem contribui por conta própria
O mínimo também define o piso de contribuição de quem não tem patrão. Nas contas abaixo, cada percentual é aplicado sobre R$ 1.621:
| Tipo de contribuinte | Alíquota | Valor mensal ao INSS |
|---|---|---|
| MEI (parte previdenciária do DAS) | 5% | R$ 81,05 |
| Facultativo de baixa renda (CadÚnico) | 5% | R$ 81,05 |
| Individual ou facultativo, plano simplificado | 11% | R$ 178,31 |
| Individual ou facultativo, plano normal | 20% | R$ 324,20 |
O plano simplificado e o de 5% garantem aposentadoria por idade no valor de um salário mínimo, sem direito à aposentadoria por tempo de contribuição. Quem quer receber mais que o piso precisa contribuir pelos 20%.
Benefícios que andam junto com o piso
Nenhuma aposentadoria, pensão ou auxílio do INSS pode ser menor que R$ 1.621. O mesmo vale para o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos de 65 anos ou mais e a pessoas com deficiência de baixa renda, e para a parcela mínima do seguro-desemprego. O abono salarial do PIS/Pasep tem como valor máximo um salário mínimo, pago proporcionalmente aos meses trabalhados no ano-base.
Quem ganha acima do piso teve correção menor. Os benefícios do INSS acima do mínimo subiram 3,9%, só a inflação, e o teto passou de R$ 8.157,41 para R$ 8.475,55, segundo o INSS. Exemplo: uma aposentadoria de R$ 3.000 em 2025 passou a R$ 3.117 em 2026, enquanto quem recebia o piso ganhou 6,79%.
O salário-família, pago a trabalhador de baixa renda com filho até 14 anos ou com deficiência, ficou em R$ 67,54 por filho para quem recebe até R$ 1.980,38 por mês, de acordo com a página do INSS. Um trabalhador que ganha o mínimo e tem dois filhos pequenos recebe R$ 135,08 a mais no mês, pago pela empresa, que depois compensa o valor no recolhimento ao INSS.
Pisos estaduais ficam acima
O valor nacional é o mínimo do mínimo. Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm leis próprias com pisos regionais mais altos para categorias sem convenção coletiva. Antes de calcular salário de empregada doméstica ou de trabalhador do comércio, confira se o seu estado tem piso próprio e se a convenção da categoria fixa valor maior. Vale sempre o mais alto.
O que já se sabe sobre 2027
Em 31 de agosto de 2026 o governo enviou ao Congresso o projeto de Orçamento de 2027 com salário mínimo previsto de R$ 1.741, alta nominal de R$ 120, ou cerca de 7,4%, segundo o Congresso em Foco. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tinha antecipado o número uma semana antes. A previsão anterior, feita em abril no projeto de diretrizes orçamentárias, era de R$ 1.717.
A conta usa a mesma regra de 2026: INPC de 12 meses até novembro de 2026 mais o crescimento do PIB de 2025, limitado a 2,5%. Como o INPC de novembro só sai no começo de dezembro, o valor final pode subir ou cair alguns reais. Ele passa a valer em 1º de janeiro de 2027, depois de decreto presidencial. O Orçamento tramita na Comissão Mista de Orçamento e a votação está prevista para dezembro.
Para quem planeja o ano que vem: se a previsão se confirmar, o MEI passa a pagar R$ 87,05 de INSS no DAS (5% de R$ 1.741), e o desconto de 7,5% de quem ganha o piso sobe para R$ 130,58.


