Restituição do IR 2026 já pagou os quatro lotes: quando recebe quem ficou de fora
Último lote regular caiu em 31 de agosto e o primeiro residual em 30 de setembro. Quem ainda não recebeu está na malha fina, entregou fora do prazo ou teve o crédito devolvido pelo banco
17 de agosto de 2026 · Atualizado em · 6 min de leitura

A Receita Federal pagou em 31 de agosto o quarto e último lote regular da restituição do Imposto de Renda 2026, e em 30 de setembro saiu o primeiro lote residual do ano. Quem declarou dentro do prazo, sem erro e sem pendência, já deveria ter o dinheiro na conta. Se não tem, o motivo quase sempre é um destes três: a declaração ficou retida na malha fina, foi entregue depois de 29 de maio ou o banco recusou o crédito. Abaixo, o que saiu em cada lote e o que fazer em cada caso.
O calendário de 2026, com os números de cada lote
Neste ano a Receita encurtou o cronograma de cinco para quatro lotes regulares e concentrou o grosso do dinheiro nos dois primeiros. O calendário oficial de lotes da Receita Federal fixou as datas. Os volumes vêm dos comunicados de cada pagamento:
| Lote | Data do crédito | Restituições | Valor total |
|---|---|---|---|
| 1º | 29/05/2026 | 8.749.992 | R$ 16 bilhões |
| 2º | 30/06/2026 | cerca de 9,58 milhões | R$ 16 bilhões |
| 3º | 31/07/2026 | 2.743.200 | R$ 4,61 bilhões |
| 4º | 31/08/2026 | 521.935 | R$ 1,24 bilhão |
| Residual de setembro | 30/09/2026 | 412.186 | R$ 1,27 bilhão |
O segundo lote foi o maior da história em número de pessoas, segundo o Correio da Manhã, e com ele a Receita chegou a R$ 32 bilhões pagos a cerca de 18,3 milhões de contribuintes, perto de 80% do previsto para o ano. O terceiro lote, de 31 de julho, teve os números divulgados pelo portal meutudo.
Para ter a dimensão: a Receita recebeu 44.393.571 declarações até 29 de maio, e cerca de 56% delas tinham imposto a restituir, conforme balanço reproduzido pelo CRC-SP. São perto de 25 milhões de restituições num ano.
O quarto lote, de 31 de agosto
O último lote regular somou R$ 1.238.013.251,34 para 521.935 restituições, de acordo com a Agência Gov. Desse total, R$ 704,1 milhões foram para quem tem prioridade legal: 16.850 idosos acima de 80 anos, 86.873 pessoas de 60 a 79 anos, 9.029 pessoas com deficiência ou doença grave e 26.769 professores que têm o magistério como principal fonte de renda. Outras 338.912 restituições foram para quem usou a declaração pré-preenchida ou escolheu receber por Pix com chave CPF, e só 43.502 foram para contribuintes sem prioridade nenhuma.
Esse recorte mostra o peso da ordem de prioridade. Quem fez a declaração do zero, no modelo antigo, e pediu crédito em conta comum ficou para o fim da fila mesmo tendo entregado em março.
O residual de setembro e quem entra nele
Os lotes residuais pagam quem saiu da malha fina, quem entregou fora do prazo e já teve a declaração processada, e restituições atrasadas de anos anteriores. O de setembro teve consulta aberta em 23 de setembro e crédito no dia 30, com 412.186 restituições e R$ 1,27 bilhão, segundo o Jornal Contábil. Foram R$ 466,6 milhões para prioritários (9.250 idosos acima de 80 anos, 59.722 de 60 a 79, 7.341 pessoas com deficiência ou doença grave e 19.699 professores) e 281.609 restituições para quem usou pré-preenchida ou Pix.
Até 13 de outubro a Receita não tinha anunciado a data do residual de outubro. Pelo padrão deste ano, a consulta abre cerca de uma semana antes e o crédito cai no último dia útil do mês, que em outubro de 2026 é sexta-feira, 30. Trate essa data como estimativa até o comunicado oficial.
Quanto o valor rende enquanto espera
A restituição é corrigida pela Selic acumulada de junho até o mês anterior ao pagamento, mais 1% no mês do crédito, regra da Lei 9.250/1995. O primeiro lote, de maio, saiu sem correção. Quem recebe agora em outubro ganha a Selic de quatro meses e mais 1%. Exemplo hipotético: se a Selic acumulada de junho a setembro somar 4,5%, uma restituição de R$ 2.000 recebe R$ 90 de correção e mais R$ 20 do 1% de outubro. A conta exata aparece no extrato da declaração.
Como consultar e o que cada situação significa
- Entre em gov.br/receitafederal, clique em “Meu Imposto de Renda” e depois em “Consultar minha restituição”. Basta CPF e data de nascimento, com o exercício 2026 selecionado.
- Se aparecer “crédito enviado ao banco”, o dinheiro saiu. Confira a conta indicada na declaração.
- Se aparecer “em fila de restituição”, a declaração foi processada e você entra num próximo residual.
- Se aparecer “pendências” ou “em processamento”, abra o extrato da declaração no e-CAC, com login gov.br prata ou ouro. Ali a Receita diz exatamente qual informação não bateu.
Caiu na malha fina: o caminho
A malha fina acontece quando o que você declarou diverge do que empresas, bancos, planos de saúde e clínicas informaram à Receita. Os erros mais comuns são despesa médica sem comprovante, dependente declarado também por outra pessoa e rendimento de aluguel ou de segundo emprego esquecido. Se você errou, mande uma declaração retificadora pelo mesmo programa ou pelo app, marcando o número do recibo da original. Se você está certo, aguarde a intimação ou agende atendimento no e-CAC para apresentar documentos. Depois que a pendência é resolvida, a declaração entra no residual seguinte.
O banco não aceitou o crédito
A restituição só é paga em conta do próprio titular. Se o número da conta estava errado ou a conta foi encerrada, o crédito volta. Nesse caso, a Agência Gov orienta reagendar pelo Banco do Brasil em até um ano, no site bb.com.br/irpf ou pelos telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (deficiência auditiva). Tenha em mãos o valor da restituição e o número do recibo. Passado um ano, o pedido é feito no e-CAC, em “Solicitar restituição não resgatada na rede bancária”.
Não declarou e teve imposto retido
Em 15 de julho a Receita fez um lote especial automático para quem não era obrigado a declarar em 2025, não declarou e teve imposto retido na fonte em 2024. Foram cerca de 3,5 milhões de pessoas e R$ 460 milhões, média de R$ 130, segundo o Ministério da Fazenda. Só entrou quem tinha até R$ 1.000 a receber, CPF regular e chave Pix igual ao CPF. Quem ficou de fora por não ter Pix cadastrado pode entregar a declaração daquele ano agora e receber num residual. Quem não era obrigado a declarar não paga multa por atraso.
Perdeu o prazo de 29 de maio
A declaração atrasada ainda pode ser enviada. A multa mínima é de R$ 165,74 e chega a 20% do imposto devido, com 1% ao mês de atraso, como explica o Diário do Nordeste. O boleto sai junto com o recibo e vence em 30 dias. Quem tem restituição e não paga a multa vê o valor descontado do que tem a receber. A declaração entregue em outubro vai para o fim da fila e deve ser paga nos residuais de novembro ou dezembro, depois de processada.


