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O Brasil quer saber: por que estão caçando o Flávio?

Dois dias depois da derrota, Flávio Bolsonaro teve os passaportes cancelados pela PF e virou alvo de inquéritos no STF e de ações no TSE. Veja o que cada caso apura, o que está confirmado e o que ele diz

Redação Políticaassinatura da editoria

27 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dá entrevista cercado de microfones e celulares no Senado, em abril de 2026 (Foto: Ton Molina/Agência Senado, CC BY-SA 4.0)

A pergunta tomou as redes desde segunda-feira: por que, logo depois de perder a eleição, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ter o nome em decisões do Supremo, da Polícia Federal e da Justiça Eleitoral quase todo dia? A resposta curta é que nada disso começou agora. Boa parte das investigações já corria durante a campanha, e o que mudou depois do domingo (25) foram as medidas para garantir que ele continue à disposição da Justiça. Abaixo, caso a caso, o que se sabe, o que ainda não está confirmado e o que o senador diz.

O que aconteceu com os passaportes

Na segunda-feira (26), um dia depois do segundo turno, Flávio foi intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A mesma decisão proibiu o senador de deixar o país e de manter contato com o advogado Willer Tomaz, que é amigo dele e aparece em uma das investigações.

O prazo para a entrega terminou às 11h desta terça-feira (27). Como os documentos não foram entregues, a PF cancelou o passaporte comum e o diplomático ao meio-dia, o que trava o uso deles nos sistemas de migração de portos e aeroportos. Segundo a CNN Brasil, o pedido partiu do receio de fuga dos investigadores que apuram lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e levou em conta uma fala de Eduardo Bolsonaro apoiando a saída do irmão do país em caso de derrota. Eduardo disse depois: “eu nunca disse isso”.

Onde ele está

Este é o ponto com menos certeza. O Estadão, reproduzido por O Liberal, afirma que o cancelamento veio depois de Flávio viajar aos Estados Unidos. O Nexo trata o caso como um sumiço com indícios de fuga para os EUA. Até a publicação desta matéria, não havia confirmação oficial do caminho que ele fez nem de onde ele está, e a defesa não tinha se manifestado sobre o paradeiro.

As investigações no STF

Apostas e a Alcazar Holding. O caso nasceu de uma apuração da PF sobre plataformas de apostas e pagamentos digitais. Dados tirados da nuvem do advogado Willer Tomaz indicaram encontros e viagens com Flávio e documentos que citam o senador como “usuário master” de uma conta ligada à empresa Alcazar Holding. A suspeita é de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O material foi enviado ao Supremo em 8 de outubro, por causa do foro de senador, e ficou com Moraes, segundo O Povo e o levantamento da Gazeta do Paraná. Na campanha, a equipe de Flávio afirmou que não havia decisão judicial nem manifestação da PGR sobre o pedido.

O filme Dark Horse. É o inquérito mais adiantado. Ele apura lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro, com recursos negociados por Flávio com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça em 22 de julho, com parecer favorável da PGR, e em outubro a PF pediu mais 90 dias para concluir o trabalho, segundo a Gazeta do Paraná e O Liberal.

Dinheiro de fora na campanha. Em setembro, o PT pediu ao ministro Flávio Dino que a PF investigasse suspeitas de financiamento estrangeiro e de anúncios pagos no exterior em favor da candidatura, como registraram o Diário do Comércio e o Diario de Pernambuco. A própria petição reconhecia não ter prova de repasses à campanha. Segundo o Estadão, nesta terça (27) Dino requisitou à PF a abertura do inquérito.

E as rachadinhas?

O caso mais antigo não é uma ameaça hoje. A denúncia do Ministério Público do Rio sobre desvio de salários de assessores na Alerj foi rejeitada em maio de 2022, depois que o STJ e o STF anularam provas, e o próprio MP pediu a extinção, segundo a Gazeta do Paraná. O tribunal deixou aberta a possibilidade de retomar a apuração se surgir fundamento novo, mas não há condenação.

O que corre no TSE

Na Justiça Eleitoral, a coligação de Lula move uma ação por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação, e outra ação investiga Nikolas Ferreira e Pablo Marçal por suposta desinformação coordenada em benefício da chapa de Flávio. Nenhuma foi julgada. Flávio também é autor de ações contra Lula e Alckmin, e anunciou na segunda (26) que vai pedir a cassação da chapa vencedora, sem apresentar provas até agora.

O que pode acontecer

O mandato de senador termina em janeiro de 2027. Pelo entendimento que o STF firmou em 2025, os inquéritos podem continuar no Supremo depois disso se os fatos tiverem ligação com o cargo. Uma condenação por órgão colegiado em crimes como lavagem ou corrupção o deixaria inelegível pela Lei da Ficha Limpa. No TSE, se ficar provado abuso de poder, a punição é a inelegibilidade por oito anos, lembra o advogado eleitoral Alberto Rollo, ouvido pelo Estadão. Investigação aberta não é denúncia, e denúncia não é condenação: em nenhum desses casos há sentença.

O que diz Flávio

O senador nega irregularidades em todos os casos e chamou as medidas contra ele de “tentativa de intimidação”. Também contesta o resultado da eleição, com críticas à prorrogação do horário de votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin. O espaço segue aberto para a defesa.

Fontes

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