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7 de Setembro tem desfile de Lula e ato de Flávio Bolsonaro

Enquanto o presidente participa do desfile cívico-militar na Esplanada dos Ministérios, o senador e pré-candidato à Presidência leva apoiadores à Avenida Paulista, num feriado marcado por discursos opostos sobre soberania e o STF

Marina KesslerMarina Kesslerassinatura editorial do CityTudo

7 de setembro de 2026 · 7 min de leitura

Retrato oficial do senador Flávio Bolsonaro, de terno escuro e gravata clara, sorrindo diante de bandeira do Rio de Janeiro

Este 7 de Setembro de 2026 é, ao mesmo tempo, feriado nacional e capítulo antecipado da campanha presidencial. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa do tradicional desfile cívico-militar na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocou apoiadores para um ato político na Avenida Paulista, em São Paulo, com discurso de oposição ao governo e ao Supremo Tribunal Federal. Segundo o G1, a mobilização de véspera já havia colocado os principais nomes da corrida presidencial em campos opostos no último domingo (6), num prenúncio do tom que os dois eventos concorrentes assumiriam no feriado.

Um feriado que também vira palanque

Por cair numa segunda-feira, o 7 de Setembro de 2026 forma um feriadão com o fim de semana anterior, com bancos fechados e boa parte do comércio seguindo o calendário nacional de feriado, conforme explicam os guias de serviço publicados às vésperas da data. Mas em plena disputa eleitoral, com a votação para presidente marcada para outubro, os principais candidatos decidiram usar a data simbólica da Independência para reforçar suas mensagens de campanha em vez de apenas descansar. O próprio G1 registrou que, na véspera, quase todos os presidenciáveis relevantes tinham algum tipo de agenda pública ou mobilização digital programada para o feriado.

O pronunciamento de Lula na véspera

Antes mesmo do desfile desta segunda, Lula já havia aberto os trabalhos do feriado com um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV na noite de domingo (6). Na fala, o petista afirmou que o Brasil “não é, e não será colônia de ninguém”, num discurso que misturou defesa da soberania nacional com críticas indiretas ao tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros. “Precisamos nos manter fortes e altivos, sem baixar a cabeça, para não deixarmos que o Brasil se transforme, novamente, em colônia de outras potências estrangeiras”, disse o presidente, completando que “nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém”.

No mesmo pronunciamento, Lula citou a exploração de terras raras e a descoberta de uma nova reserva de petróleo na Foz do Amazonas, além da aprovação no Congresso da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que prevê fundo garantidor e R$ 5 bilhões em crédito tributário para incentivar o processamento de minérios no país. Como o pronunciamento ocorreu em ano eleitoral, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência precisou pedir autorização ao TSE para veicular a fala em rede nacional, aval que o presidente da corte, ministro Kássio Nunes Marques, concedeu na sexta-feira (4) por entender que a data “integra o calendário oficial brasileiro e possui significado histórico e institucional autônomo”.

O desfile na Esplanada dos Ministérios

Nesta segunda-feira, o desfile cívico-militar em Brasília ocupa a Esplanada dos Ministérios entre 9h e 11h, com arquibancadas abertas ao público a partir das 6h da manhã. Este ano, a organização do evento definiu três eixos temáticos para as apresentações: soberania nacional, combate ao feminicídio e a Copa do Mundo Feminina de 2027, que o Brasil sediará. Além de Lula, a agenda institucional do desfile reúne o vice-presidente Geraldo Alckmin, a primeira-dama Janja da Silva, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

A segurança em torno do evento também foi reforçada: está proibido o voo de drones na área do desfile das 0h às 18h desta segunda, com exceção de aeronaves operadas por órgãos de segurança pública, além de restrições a objetos que o público pode levar às arquibancadas.

O ato de oposição na Avenida Paulista

Em paralelo ao desfile oficial, Flávio Bolsonaro convocou seus apoiadores para um ato na Avenida Paulista, com concentração marcada para as 15h desta segunda-feira. Nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o deputado federal Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro estão entre os aliados que ajudaram a articular a mobilização e devem discursar no palco montado na avenida. As palavras de ordem escolhidas pela organização do ato são “Fora Lula, Fora Moraes” e “É agora ou nunca”, numa tentativa de repetir a força das manifestações que marcaram os mandatos de Jair Bolsonaro.

A campanha de Flávio chegou a montar uma comissão de lideranças evangélicas para ajudar na mobilização de público, na mesma linha da estética verde e amarela adotada nos atos do pai. O próprio senador classificou a convocação como um “chamado de Deus” e disse estar cumprindo uma missão deixada por Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar.

Antes mesmo do ato de hoje, Flávio já havia usado as redes na véspera para uma transmissão ao vivo em que relembrou os oito anos da facada sofrida pelo pai durante a campanha de 2018, em Juiz de Fora, e criticou tanto o governo Lula quanto a atuação do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal, incluindo as prisões de pessoas ligadas aos atos de 8 de janeiro de 2023. Durante a live, o senador contou que está proibido de ter contato pessoal com o pai até o fim das eleições, mas afirmou saber que Jair Bolsonaro está bem de saúde por meio dos advogados da família, e chegou a pedir que os espectadores deixassem recados como se o ex-presidente estivesse assistindo à transmissão.

O vídeo de Lula contra os irmãos Bolsonaro

A disputa também ficou explícita numa peça publicitária que o próprio Lula divulgou na véspera do feriado. No vídeo, o presidente contrapõe falas suas a declarações de Flávio e Eduardo Bolsonaro sobre a relação do Brasil com o governo de Donald Trump, numa montagem que intercala os dois lados como se fosse um debate direto. Em um dos trechos, Flávio Bolsonaro aparece dizendo que “a tarifa vai chegar para o Brasil” e que o país “não está em condições de exigir nada do governo Trump”, ao que Lula rebate chamando os irmãos de “traidores da pátria” que “a história não perdoa”.

O vídeo também usa a defesa que Lula fez do sistema de pagamentos Pix, com o presidente afirmando que “o Pix é do Brasil, é público, é gratuito e vai continuar sendo nosso”, numa clara resposta às falas dos irmãos Bolsonaro sobre negociações com os americanos. A peça termina com uma contraposição direta de slogans: enquanto uma fala atribuída a Flávio Bolsonaro é encerrada com “God bless America”, o vídeo de Lula termina com a frase “Viva o povo brasileiro”.

Outros presidenciáveis também aproveitaram a data

Lula e Flávio Bolsonaro não foram os únicos a usar o feriado para fazer campanha. Na véspera, o candidato Renan Santos participou de uma carreata em Fortaleza usando colete à prova de balas, alegando ameaças de facções criminosas, enquanto Ronaldo Caiado visitou a Feira do Garavelo, em Aparecida de Goiânia, e aproveitou para criticar a carga tributária, os juros altos e a criminalidade. Já Augusto Cury e Romeu Zema não tiveram agendas públicas no domingo, mas usaram as redes sociais para divulgar próximos compromissos de campanha, com Zema chegando a compartilhar um teaser de vídeo em que critica ministros do Supremo Tribunal Federal.

O pano de fundo: uma corrida presidencial cada vez mais apertada

A disputa simbólica deste 7 de Setembro acontece num momento em que as pesquisas eleitorais mostram a corrida entre Lula e Flávio Bolsonaro cada vez mais acirrada. Como o CityTudo já mostrou, uma pesquisa do instituto PoderData chegou a apontar Flávio Bolsonaro à frente de Lula pela primeira vez num cenário de segundo turno, resultado que ajuda a explicar o esforço de mobilização de rua feito pela campanha do senador nesta segunda-feira. A disputa também já havia esquentado semanas antes, quando Lula e Flávio Bolsonaro fizeram seus primeiros grandes atos de campanha no mesmo dia, num movimento que os dois lados repetem agora, em versão ainda maior, no feriado da Independência.

O clima político também segue tensionado pela crise institucional em torno do ministro Alexandre de Moraes, tema que Flávio Bolsonaro voltou a explorar tanto na live de véspera quanto nos discursos previstos para o ato desta tarde. Como o CityTudo também mostrou, o caso das trocas de mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro já havia se transformado em munição de campanha para candidatos de oposição nas últimas semanas, e a Avenida Paulista deve funcionar hoje como palco para reforçar esse discurso diante de milhares de apoiadores.

O que esperar do resto do dia

Até a publicação desta reportagem, não havia estimativa oficial de público nem para o desfile de Brasília nem para o ato da Avenida Paulista, já que ambos os eventos começam ao longo desta segunda-feira. A expectativa nos bastidores das duas campanhas é que as imagens do feriado, seja o desfile institucional ao lado do vice-presidente e dos presidentes do Congresso, seja a multidão reunida em São Paulo, sejam usadas nos próximos dias como material de campanha, num ano em que o 7 de Setembro deixou de ser apenas uma data cívica para se tornar mais um capítulo da disputa pelo Palácio do Planalto.

Fontes

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