Mazdutida: o que é, para que serve e quando pode chegar ao Brasil
Aprovada na China e desenvolvida com a Eli Lilly, a mazdutida combina ação em GLP-1 e glucagon; entenda o mecanismo e o que falta para o registro no país
Duda Nogueirado CityTudo25 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

Entre os peptídeos emagrecedores que ainda não são vendidos no Brasil, a mazdutida é um dos que mais geram dúvidas, em parte por ter viralizado nas redes sociais como uma espécie de “Mounjaro chinês”. Este explicador reúne o que já se sabe sobre o medicamento: mecanismo de ação, resultados de estudos e situação regulatória, para além do apelido que circula nos vídeos.
Um peptídeo de dupla ação
A mazdutida atua em dois receptores do organismo, o de GLP-1 e o de glucagon (GCG). Enquanto o GLP-1 reduz o apetite e retarda o esvaziamento gástrico, aumentando a saciedade, o glucagon tem efeito lipolítico e termogênico, ajudando a mobilizar gordura armazenada e a elevar o gasto calórico do corpo. Essa combinação de dois mecanismos é o que a fabricante aponta como diferencial em relação a medicamentos que atuam só no GLP-1, como a semaglutida usada em Ozempic e Wegovy. Para entender esses hormônios em mais detalhes, vale conferir o explicador sobre como GLP-1, GIP e glucagon agem no corpo.
Quem desenvolve o medicamento
A mazdutida nasceu de uma parceria entre a Innovent Biologics, biofarmacêutica chinesa, e a americana Eli Lilly, a mesma empresa por trás do Mounjaro e do Zepbound. Essa origem compartilhada já foi detalhada em outra reportagem do CityTudo sobre o remédio, que explica por que chamar a mazdutida apenas de “remédio chinês” simplifica demais a história por trás do desenvolvimento.
O que os estudos já mostraram
A mazdutida foi aprovada na China em 2025, depois de estudos de fase 3 que incluíram o chamado DREAMS-3, voltado a pacientes com diabetes tipo 2. Segundo a Innovent, o estudo indicou resultados superiores de controle glicêmico e perda de peso frente ao comparador usado na pesquisa. Como esses dados vêm diretamente da empresa que desenvolve o medicamento, a leitura mais prudente é aguardar avaliações independentes antes de tirar conclusões definitivas sobre a eficácia real do produto.
Ainda sem data para o Brasil
Até o momento, a mazdutida não tem registro na Anvisa nem previsão oficial de chegada ao mercado brasileiro. O caminho regulatório para medicamentos dessa classe costuma envolver anos de análise, mesmo depois da aprovação em outros países, como mostra o próprio histórico de aprovação de genéricos de semaglutida no Brasil, que só chegaram ao país anos depois da liberação do medicamento original em outros mercados.
Como ela se compara a outros peptídeos
Por combinar GLP-1 e glucagon, a mazdutida costuma ser colocada ao lado de medicamentos como a survodutida, que usa o mesmo par de receptores. Já a comparação com a tirzepatida, que combina GLP-1 e GIP, exige mais cautela: não existe até agora um estudo clínico direto entre as duas substâncias, como detalha o comparativo entre mazdutida e tirzepatida publicado pelo CityTudo.
Atenção ao uso
Enquanto não chega ao Brasil por vias regulares, qualquer versão da mazdutida encontrada no país deve ser encarada com desconfiança, já que produtos sem registro sanitário não têm garantia de qualidade, procedência ou segurança. Assim como qualquer medicamento dessa classe, a decisão de uso deve ser sempre feita com acompanhamento médico, considerando o histórico de saúde individual.

