Survodutida: o novo peptídeo que reduziu 34% da gordura visceral em estudo de fase 3
Agonista duplo de GLP-1 e glucagon da Boehringer Ingelheim e Zealand Pharma teve resultados apresentados no ADA Scientific Sessions e publicados no NEJM e na Nature Medicine
Duda Nogueirado CityTudo25 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

Enquanto medicamentos como Ozempic e Mounjaro já são vendidos no Brasil, outros peptídeos emagrecedores seguem em fase de estudo, e um dos que mais chamou atenção recentemente foi a survodutida, desenvolvida pela farmacêutica alemã Boehringer Ingelheim em parceria com a dinamarquesa Zealand Pharma. Os resultados de dois estudos de fase 3, batizados de SYNCHRONIZE-1 e SYNCHRONIZE-MASLD, foram apresentados no congresso ADA Scientific Sessions de 2026 e publicados simultaneamente no New England Journal of Medicine e na Nature Medicine, segundo divulgação da Boehringer Ingelheim reproduzida pelo Biored Brasil.
Um agonista duplo, não triplo
Diferente da retatrutida, que age em três receptores, a survodutida combina apenas dois: o de glucagon e o de GLP-1. O agonismo de GLP-1 reduz o apetite e aumenta a saciedade, enquanto o de glucagon age diretamente no fígado, ajudando a reduzir gordura hepática, regular funções metabólicas e melhorar processos inflamatórios ligados ao acúmulo de gordura. Para entender a diferença entre esse mecanismo e o de outros peptídeos, vale ver o explicador sobre como GLP-1, GIP e glucagon agem no corpo.
Os números do estudo
Ao longo de 76 semanas, os participantes tratados com survodutida tiveram perda média de 16,6% do peso corporal. O estudo também mostrou redução de até 34% da gordura visceral, aquela acumulada ao redor dos órgãos internos e associada a maior risco cardiovascular, além de queda de até 63,1% da gordura hepática. Segundo os dados apresentados, 85,1% dos adultos tratados atingiram redução de peso igual ou superior a 5% ao longo do período estudado.
Ainda investigacional
Apesar dos resultados expressivos, a survodutida segue sendo um medicamento investigacional: não está aprovada em nenhum mercado regulatório, e sua eficácia e segurança de longo prazo ainda não estão totalmente estabelecidas. Isso a coloca em situação parecida com a da retatrutida, peptídeo triplo que já mostrou perda de quase 30% do peso em estudos de fase 3, mas que também depende de mais etapas regulatórias antes de chegar ao consumidor final.
Como ela se compara a outros peptídeos já conhecidos
A combinação de GLP-1 e glucagon também está presente na mazdutida, aprovada na China e ainda sem data para o Brasil, como detalha o explicador dedicado à mazdutida. A diferença está na empresa por trás de cada substância e nos estudos que sustentam os resultados, o que reforça a importância de não tratar peptídeos com mecanismos parecidos como se fossem intercambiáveis.
O que vem a seguir
Por enquanto, não há previsão de submissão a agências regulatórias como a Anvisa ou a FDA americana para a survodutida. Resultados de fase 3 são uma etapa avançada, mas ainda intermediária no processo de aprovação de um medicamento, e qualquer expectativa sobre disponibilidade comercial deve considerar que etapas regulatórias costumam levar tempo. Como em qualquer medicamento dessa classe, o uso futuro da survodutida, quando e se aprovada, deverá depender de indicação e acompanhamento médico individualizado.

