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Retatrutida: o peptídeo triplo que já emagrece quase 30% do peso em estudos

Medicamento experimental da Eli Lilly age em três receptores ao mesmo tempo e mostrou perda de até 31,9 kg em 80 semanas no estudo TRIUMPH-1

Duda NogueiraDuda Nogueirado CityTudo

25 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

Caneta injetável de peptídeo emagrecedor, categoria de medicamento à qual pertence a retatrutida, ainda em fase experimental

Entre os peptídeos emagrecedores ainda em fase de estudo, a retatrutida é a que mostrou os resultados mais expressivos até agora. Desenvolvida pela Eli Lilly, a mesma fabricante do Mounjaro, a substância é chamada de agonista triplo por atuar simultaneamente em três receptores hormonais, e os dados divulgados em 21 de maio de 2026 do estudo TRIUMPH-1 colocaram o medicamento como possível novo teto de eficácia entre os tratamentos farmacológicos para obesidade.

Três receptores, um só medicamento

A retatrutida age nos receptores de GLP-1, GIP e glucagon ao mesmo tempo, somando os três mecanismos que hoje sustentam essa classe de medicamentos: redução de apetite e maior saciedade pelo GLP-1, efeito no sistema de recompensa e na adipogênese pelo GIP, e aumento do gasto calórico e mobilização de gordura pelo glucagon. Essa combinação tripla é o que a diferencia de remédios como a semaglutida, que age só em um receptor, e a tirzepatida, que age em dois. O explicador sobre como esses hormônios funcionam no corpo detalha cada um desses mecanismos separadamente.

Os números do estudo TRIUMPH-1

O TRIUMPH-1 é um estudo randomizado, duplo-cego, de fase 3, que envolveu 2.339 participantes com sobrepeso ou obesidade e ao menos uma comorbidade associada, excluindo pessoas com diabetes. Ao longo de 80 semanas, os participantes testaram doses de 4mg, 9mg e 12mg de retatrutida, além de um grupo placebo. Os resultados de perda de peso corporal foram de 19% (equivalente a 21,4 kg) na dose de 4mg, 25,9% (29,2 kg) na dose de 9mg e 28,3% (31,9 kg) na dose de 12mg, contra apenas 2,2% (2,5 kg) no grupo placebo. Em uma extensão de 104 semanas com pacientes de IMC igual ou superior a 35 mantidos na dose de 12mg, a perda média chegou a 30,3% do peso, o equivalente a cerca de 38,5 kg.

Efeitos colaterais relatados

Como acontece com outros peptídeos dessa classe, os efeitos adversos mais comuns foram gastrointestinais: náusea entre 28,6% e 42,4% dos participantes conforme a dose, diarreia entre 25,2% e 34,1%, constipação entre 23,8% e 26,1% e vômito entre 10,6% e 25,3%. A taxa de descontinuação do tratamento por conta desses efeitos variou de 4,1% a 11,3%, aumentando junto com a dose utilizada.

Ainda sem data de chegada ao mercado

Apesar dos resultados, a retatrutida segue sendo um medicamento experimental, sem aprovação de agências regulatórias e sem data confirmada para chegar ao mercado, seja no Brasil ou em outros países. O caminho até a aprovação costuma ser longo, como já aconteceu com outros medicamentos da mesma fabricante, incluindo o próprio Mounjaro.

Como ela se compara a outros peptídeos em estudo

A retatrutida não é o único peptídeo experimental com resultados relevantes: a survodutida, que combina apenas GLP-1 e glucagon, reduziu 34% da gordura visceral em estudo de fase 3 próprio, com números de perda de peso menores, mas ainda expressivos. Já entre os medicamentos já aprovados, a diferença de eficácia entre semaglutida e tirzepatida foi medida diretamente no estudo SURMOUNT-5, que serve de referência para comparar resultados de peptídeos com número menor de mecanismos de ação.

Atenção antes de qualquer expectativa

Como todo medicamento em fase de estudo, a retatrutida não deve ser buscada por vias informais ou fora do circuito regulatório, já que produtos sem registro sanitário não oferecem garantia de procedência, dosagem correta ou segurança. Qualquer decisão sobre tratamento para obesidade ou diabetes deve envolver avaliação médica individualizada, considerando as opções já aprovadas e disponíveis hoje.

Fontes

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