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Depois das canetas emagrecedoras, indústria testa quase 40 remédios contra a perda de massa muscular

Bimagrumab, trevogrumab e apitegromab bloqueiam miostatina e activina para preservar músculos durante o emagrecimento ou o envelhecimento; no Brasil, a chegada é estimada só para 2028 ou 2029

Cecília PradoCecília Pradodo CityTudo

1 de setembro de 2026 · 2 min de leitura

Homem de meia-idade sorrindo enquanto levanta peso em academia iluminada por luz natural

Depois do boom das canetas emagrecedoras à base de semaglutida e tirzepatida, a indústria farmacêutica agora testa pelo menos 40 substâncias candidatas em diferentes graus de pesquisa, segundo bases de dados como o ClinicalTrials.gov e o PubMed, na corrida por remédios que evitem a perda de massa muscular ligada ao emagrecimento rápido e ao envelhecimento. A imprensa já apelidou a categoria de “canetas para músculos”, mas nenhuma delas é hormônio esteroide anabolizante.

Como funcionam

As estratégias mais avançadas atuam bloqueando a miostatina e a activina, proteínas que funcionam como um freio natural, impedindo o crescimento exagerado dos músculos. Ao inibir esse freio, os medicamentos preservam ou aumentam a massa magra, em vez de promover ganho muscular indiscriminado como fazem os anabolizantes.

As moléculas mais avançadas

Três anticorpos monoclonais lideram a corrida, segundo levantamento da Tribuna NF sobre o tema:

  • Bimagrumab, da Eli Lilly (comprado da Versanis Bio, que havia licenciado a molécula da Novartis);
  • Trevogrumab, da Regeneron, testado no estudo de fase 2 batizado COURAGE;
  • Apitegromab, da Scholar Rock, o mais adiantado no cronograma regulatório nos Estados Unidos.

O que os estudos já mostraram

Em um ensaio clínico de fase 2 combinando bimagrumab com semaglutida, com 507 participantes, a combinação em dose alta produziu 22,1% de perda de peso em 72 semanas, quase todo esse resultado vindo de gordura, com apenas 2,9% de redução de massa magra medida por DXA. Para efeito de comparação, o grupo que usou só semaglutida perdeu 15,7% do peso, mas 7,4% da perda veio de massa magra. Efeitos colaterais como espasmos musculares e diarreia apareceram em boa parte dos pacientes que usaram bimagrumab.

Já o apitegromab combinado à tirzepatida reduziu a perda de massa magra para 14,6% do total emagrecido, contra 30,2% no grupo que usou só o placebo com tirzepatida, uma retenção muscular quase 55% maior.

Quando pode chegar ao Brasil

Nos Estados Unidos, o apitegromab pode ser aprovado pela FDA até 30 de setembro de 2026, com comercialização prevista para o fim deste ano ou início de 2027. No Brasil, porém, a expectativa é bem mais distante: segundo o endocrinologista Felipe Henning Gaia, chefe de Endocrinologia Oncológica do Centro de Câncer A.C.Camargo, a chegada ao mercado brasileiro só deve acontecer em 2028 ou 2029.

Nenhuma delas substitui o exercício físico

Especialistas ouvidos pela reportagem da Tribuna NF, entre eles Clayton Macedo, coordenador do Ambulatório de Endocrinologia do Exercício da Unifesp, e Tiago Fernandes, do Laboratório de Bioquímica da USP, são unânimes ao afirmar que essas drogas não substituem a atividade física: o exercício continua sendo fundamental para ativar os músculos, e os medicamentos são pensados como ferramenta complementar para quem já enfrenta perda muscular acelerada, não como atalho para dispensar o treino.

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Fontes

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