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Anvisa interdita lote de água mineral Vitoriosa por bactéria

Medida cautelar atinge o lote 110426L5, fabricado pela GEPF Agro Indústria em Engenheiro Paulo de Frontin (RJ), após teste encontrar coliformes totais no produto

Cecília PradoCecília Pradodo CityTudo

2 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

Prateleira de supermercado com garrafas de água mineral sem gás iluminada por luz natural

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta quarta-feira (2) a interdição cautelar de um lote da água mineral natural sem gás da marca Vitoriosa, depois de uma análise microbiológica encontrar coliformes totais no produto. A medida atinge exclusivamente o lote 110426L5, fabricado pela empresa GEPF Agro Indústria Ltda, e proíbe a comercialização, distribuição e uso das garrafas enquanto o caso é apurado.

O que a Anvisa encontrou

Segundo a agência, uma amostra do produto apresentou resultado insatisfatório em teste microbiológico, com presença de coliformes totais em 250 mL de água. A análise foi feita pelo Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels, no Rio de Janeiro, referência em vigilância sanitária no estado. Como a interdição é cautelar, ela funciona como uma medida preventiva: o lote fica proibido de circular enquanto a Anvisa investiga a causa da contaminação, sem que isso represente, por ora, uma conclusão definitiva sobre o processo produtivo da fabricante. O g1 informou que acionou a GEPF Agro e aguarda retorno da empresa sobre o caso.

Por que a presença de coliformes preocupa

Coliformes totais são um grupo de bactérias usado havia décadas como indicador da qualidade higiênico-sanitária da água: a presença delas não significa necessariamente contaminação fecal, mas aponta falha no processo de tratamento, envase ou armazenamento do produto, já que esses micro-organismos só deveriam aparecer se algum elo da cadeia de produção permitiu a entrada de contaminantes externos. A legislação brasileira que trata da potabilidade da água para consumo humano, a Portaria de Consolidação nº 5 do Ministério da Saúde, de 2017, exige ausência total de coliformes e de Escherichia coli em amostras de 100 mL, parâmetro que a água engarrafada como produto industrializado também precisa respeitar. Quando esse limite é ultrapassado, o consumo pode causar desde quadros leves de gastroenterite até infecções mais sérias, principalmente em crianças, idosos e pessoas imunossuprimidas, que reagem pior à exposição a bactérias oportunistas.

O que fazer com garrafas em casa

Quem tiver embalagens da água mineral Vitoriosa em casa deve conferir o número do lote impresso no rótulo ou na tampa da garrafa. Somente as unidades do lote 110426L5 estão sob interdição: os demais lotes da marca seguem liberados para consumo, já que a medida da Anvisa não abrange toda a produção da GEPF Agro, apenas a amostra que apresentou resultado fora do padrão. Consumidores que identificarem o lote suspenso devem evitar consumir o produto e podem registrar reclamação diretamente no canal da Anvisa ou no Sistema Nacional de Informações de Vigilância Sanitária (Notivisa), além de guardar a embalagem e a nota fiscal, se possível, para eventual troca ou ressarcimento junto ao ponto de venda.

Terceiro caso de água mineral suspensa em 2026

O episódio da Vitoriosa não é isolado: é pelo menos o terceiro recolhimento ou interdição de água mineral registrado no Brasil neste ano. Em junho, a Anvisa acompanhou o recolhimento voluntário de 374,4 mil garrafas de 500 ml da marca Crystal, fabricada pela Mineração Bom Jesus (MBJ) em Luziânia (GO), depois que o Lacen-DF identificou a bactéria Pseudomonas aeruginosa em uma amostra coletada em um ponto de venda no Distrito Federal. Na ocasião, a fabricante testou mais de 300 amostras adicionais do processo produtivo, todas negativas para contaminantes, e afirmou que o lote afetado, de giro rápido, provavelmente já não estava mais disponível nas prateleiras quando o alerta foi emitido.

Já em julho, a Anvisa suspendeu dois lotes da água mineral Mamba Water depois de testes também apontarem a presença de Pseudomonas aeruginosa no produto. A sequência de casos ao longo do ano reacende o debate sobre a frequência da fiscalização microbiológica em fábricas de água mineral no país, um setor pulverizado em centenas de pequenas e médias empresas espalhadas por diferentes estados, com fontes próprias e processos de envase nem sempre padronizados entre si.

Como funciona a fiscalização

A vigilância sanitária brasileira funciona em rede: laboratórios estaduais, como o Noel Nutels no Rio de Janeiro e o Lacen em outros estados, coletam amostras em pontos de venda ou recebem notificações das próprias empresas e comunicam a Anvisa quando encontram resultado fora do padrão. A partir daí, a agência federal pode determinar a interdição cautelar do lote em todo o território nacional, como ocorreu agora com a Vitoriosa, enquanto investiga se o problema está restrito àquela amostra específica ou se reflete uma falha maior na linha de produção da fabricante. Caso a contraprova confirme a irregularidade, a Anvisa pode determinar o recolhimento definitivo do lote e, em casos mais graves, suspender temporariamente a produção da fábrica até que ela comprove ter corrigido as causas da contaminação, como já aconteceu neste ano com outras empresas do setor de alimentos e bebidas fiscalizadas pela agência.

Mesma semana, outra fiscalização da Anvisa

A interdição da água mineral Vitoriosa aconteceu na mesma quarta-feira em que a Anvisa determinou a suspensão da fabricação de todos os produtos saneantes produzidos pela Unilever em sua unidade de Vinhedo, no interior de São Paulo, após identificar descumprimentos das regras de boas práticas de fabricação. Nesse caso, a medida também é preventiva e não obriga o recolhimento de itens já vendidos nem a suspensão do uso pelos consumidores, mas impede que a fábrica siga produzindo até corrigir as irregularidades apontadas. A coincidência entre os dois casos no mesmo dia não indica relação alguma entre as empresas, mas ilustra o ritmo de atuação da agência num momento em que o setor de bens de consumo tem sido alvo de fiscalização mais intensa, com decisões publicadas quase todo mês desde o início de 2026.

Por enquanto, a recomendação da Anvisa e do g1 é que consumidores fiquem atentos apenas ao lote 110426L5 da água mineral Vitoriosa, sem necessidade de descartar outras compras da mesma marca. A reportagem do CityTudo vai acompanhar o desfecho do caso e atualizar esta matéria assim que a GEPF Agro Indústria se manifestar publicamente sobre a origem da contaminação encontrada na análise.

Fontes

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