Tráfico oferece curso de pilotagem de drones no Rio enquanto facções miram rivais com explosivos
Imagens da polícia mostram fila para treinamento no Complexo da Penha; Polícia Civil já investiga 18 casos de explosivos lançados por drones no estado
Marina Kesslerdo CityTudo20 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

O uso de drones pelo crime organizado no Rio de Janeiro ganhou uma nova dimensão. Além de utilizar os equipamentos para monitorar territórios e lançar explosivos contra grupos rivais, traficantes passaram a oferecer treinamento para novos operadores. Imagens obtidas pela polícia mostram uma fila de pessoas em uma quadra do Complexo da Penha, na Zona Norte, onde teria sido realizado um curso de operação de drones havia cerca de duas semanas.
Uma estrutura, não mais um caso isolado
Para as forças de segurança, a existência de um curso organizado indica que o uso da tecnologia deixou de ser uma iniciativa pontual e passou a fazer parte da estrutura de atuação das facções. A Polícia Civil investiga atualmente 18 ocorrências envolvendo bombas lançadas por drones no estado, número que a própria corporação suspeita ser maior na prática. O levantamento considera apenas casos já em investigação, e não deve ser confundido com as denúncias registradas pelo Disque-Denúncia.
Uma escalada que vem desde 2023
Os registros do Disque-Denúncia mostram como o fenômeno ganhou escala nos últimos anos: o primeiro relato de um drone equipado com uma granada é de 2023; em 2024, foram quatro registros; já em 2025, foram 73 denúncias envolvendo traficantes e outras 14 relacionadas a milicianos. No início de agosto, confrontos entre grupos ligados ao Comando Vermelho e ao Terceiro Comando Puro na Zona Norte foram acompanhados por ataques com drones carregando explosivos, um dos episódios no próprio Complexo da Penha.
Um risco que já passou pelo espaço aéreo
Em outro caso recente, um drone foi usado para lançar uma granada contra um trailer na região de Vargem Grande. Segundo a Polícia Militar, os criminosos teriam usado um imóvel no Recreio dos Bandeirantes como ponto de decolagem; dois suspeitos foram presos depois, e a polícia apreendeu o equipamento usado no ataque, além de outras granadas, dinheiro e materiais relacionados à ação. O problema já ultrapassou as áreas de confronto: alguns drones foram identificados próximos a rotas usadas por helicópteros e aeronaves que chegam e saem do Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Oeste, incluindo um caso em que o trajeto de um drone usado num ataque cruzou uma área empregada por aeronaves em aproximação para pouso. A preocupação das autoridades é que uma colisão entre um drone e uma aeronave tripulada provoque danos graves.


