Renan Santos defende regime de exceção em favelas e presídios de R$ 6 bilhões em entrevista à Globo
Terceiro entrevistado da série da Globo com presidenciáveis, candidato do Missão citou inspiração no modelo de segurança de Nayib Bukele e disse que quase 40 milhões de brasileiros vivem sob influência do crime organizado
Marina Kesslerdo CityTudo27 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, foi o terceiro entrevistado da série da Globo com os presidenciáveis mais bem colocados na pesquisa Quaest, transmitida nesta quarta-feira (26) após o Jornal Nacional. Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), ele defendeu a construção de novos presídios federais e a adoção de um regime de exceção em áreas dominadas por facções criminosas.
Um plano de R$ 6 bilhões em presídios
Renan afirmou que pretende destinar R$ 6 bilhões à construção de dez novos presídios federais, cada um com capacidade para receber de 30 mil a 40 mil presos. “Só na parte de presídio, R$ 6 bilhões nós precisamos fazer para abrir vagas e construir dez presídios, cada um de 30 mil a 40 mil vagas. O processo precisa se iniciar desde já”, disse o candidato. Atualmente, o Sistema Penitenciário Federal tem cinco penitenciárias de segurança máxima, somando 1.040 vagas.
Regime de exceção inspirado em Bukele
Questionado sobre quais medidas do presidente salvadorenho Nayib Bukele pretende reproduzir no Brasil, Renan citou a criação de um regime especial em territórios controlados pelo crime organizado. “A ideia de enfrentamento usando um regime especial, aqui o estado de defesa em áreas dominadas pelo crime, eu vou adotar. Vai ter um regime de exceção em favelas para eu retomar a favela”, afirmou. A política de Bukele é alvo de denúncias de organizações de direitos humanos por prisões arbitrárias e tortura.
“Guerra declarada” pelo crime organizado
Ao ser questionado sobre a viabilidade de seu plano de recuperar, em um ano, todas as áreas dominadas por facções no país, o candidato disse que o Brasil vive uma “guerra declarada unilateralmente” pelo crime organizado. “Se você mora numa favela, o crime organizado manda em você, pode te desalojar da tua casa, pode eventualmente se interessar de maneira sexual pela tua filha e você não tem como se defender. A vida num país que está em guerra é uma vida triste. Hoje quase 40 milhões de brasileiros vivem direta ou indiretamente sob a influência do crime”, declarou. Entre as medidas, defendeu mudar a Lei de Execução Penal para tratar integrantes de facções como um “ente anômalo” perante a legislação.
Outras propostas do plano de governo
Segundo o plano entregue ao TSE, Renan também propõe reduzir o número de municípios do país de 5.570 para cerca de 1.600, substituir a CLT por negociação direta entre patrões e trabalhadores, extinguir a Justiça do Trabalho e criar uma reserva nacional em criptomoedas. Na área fiscal, defende uma “PEC do Equilíbrio Fiscal” com economia estimada de R$ 1,1 trilhão até 2031, além de desvincular aposentadorias dos reajustes do salário mínimo.
Quem é Renan Santos
Aos 42 anos, Renan Santos disputa sua primeira eleição presidencial pelo Missão, partido criado em 2025. Estudou Direito na USP, sem concluir o curso, e lidera o MBL desde a fundação, em 2014, movimento que nasceu das manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
Próximas entrevistas da série
A entrevista com Renan sucede as conversas com Romeu Zema (Novo), na segunda-feira (24), e Ronaldo Caiado (PSD), na terça (25). A série segue com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta (27), Flávio Bolsonaro (PL) na sexta (28) e Augusto Cury (Avante) no sábado (29). O primeiro turno das eleições presidenciais está marcado para 4 de outubro.
Vídeo original de GloboNews. Assista na íntegra no canal original.
Fontes
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