CityTudo

Publicidade

PF encontra grupo "Musaranhos" com mensagens de Lulinha sobre negócios de cannabis e Telebras

Investigadores apuram trocas de mensagens entre Fábio Luís "Lulinha" Lula da Silva, a lobista Roberta Luchsinger e Fernando Bittar sobre articulações no Ministério da Saúde e na estatal de telecomunicações

Marina KesslerMarina Kesslerdo CityTudo

21 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

Reunião de trabalho no Palácio do Planalto; imagem ilustrativa sobre investigação envolvendo o governo federal

A Polícia Federal identificou um grupo de WhatsApp batizado de “Musaranhos”, usado por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente, pela lobista Roberta Luchsinger e pelo empresário Fernando Bittar para tratar de negócios com o governo federal. Segundo mensagens obtidas pela PF e reveladas pelo Poder360, Roberta escreveu no grupo que ela, Bittar e Lulinha “somos uma coisa só. Se um fala vamos, todos vão. Somos irmãos mesmo”, numa demonstração da proximidade que os investigadores tentam agora traduzir em eventual tráfico de influência.

O apelido dentro do grupo

Nas conversas, Lulinha e Bittar eram chamados de “Musos”, enquanto Roberta se autodenominava “Musa” do grupo. A dinâmica das mensagens sugere que a lobista concentrava a articulação direta com órgãos do governo, recorrendo aos dois “Musos” para abrir portas quando necessário, especialmente junto ao Ministério da Saúde.

Cannabis medicinal e a estatal de telecomunicações

Uma das frentes apuradas pela PF envolve tratativas para acelerar a autorização de comercialização de produtos à base de cannabis junto ao Ministério da Saúde, negócio que investigadores associam a uma empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e que teria movimentado mais de R$ 1 bilhão. Outra frente é a Telebras: em uma das conversas, a lobista relata que Bittar tentou usar o nome de Lulinha para fechar um “negócio gigante” na estatal, mas afirma ter negado a informação e dito que não faria negócios se o acordo fosse realmente concretizado com a presidência da Telebras.

“Nosso futuro é Suíça”

Em uma troca de mensagens datada de 22 de março de 2024, Roberta disse a Lulinha que o futuro dos dois era “a Suíça”, enquanto ele relatava ter participado de reuniões com o então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e com o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Swedenberger Barbosa, o Berger. Segundo a PF, a lobista chegou a receber R$ 1,5 milhão de Antunes, e mensagens à parte mostram Roberta comemorando a expectativa de faturar “100 milhões esse ano”, classificando a própria meta como “modesta”.

O que diz a defesa e os próximos passos

A defesa de Fábio Luís da Silva informou ao Poder360 que não vai comentar “fragmentos de informações sigilosas indevidamente divulgadas fora de seu contexto original”. A expectativa é que a PF só intime Lulinha para depor depois de concluir a perícia no aparelho de Roberta Luchsinger, com mensagens trocadas desde 2023 ainda sendo analisadas. Até a publicação desta matéria, nem Roberta Luchsinger nem Fernando Bittar haviam se manifestado publicamente sobre o conteúdo das mensagens.

Fontes

Leia também