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PF faz buscas contra Márcio Poncio na 9ª fase da Unha e Carne

Quatro mandados na Barra da Tijuca miram escritórios do pastor e a casa de Bernardo Loyola, sobrinho do bicheiro Adilsinho, por suspeita de lavagem e ocultação de bens

Redação Políticaassinatura da editoria

29 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, com carros em movimento e o Maciço da Pedra da Gávea ao fundo (Foto: Sérgio J. Neto/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0)

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (29) a nona fase da Operação Unha e Carne, e os alvos são o pastor Márcio Poncio e Bernardo Loyola, sobrinho do bicheiro Adilsinho. Segundo a CNN Brasil, foram quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ninguém foi preso nesta etapa, pelo que foi publicado até o início da tarde.

O que a PF fez nesta quinta

Três dos quatro mandados têm como alvo escritórios comerciais ligados a Poncio. A PF os trata como estruturas operacionais e administrativas do grupo investigado. O quarto mandado foi cumprido numa residência associada a Loyola. Os agentes buscavam documentos, aparelhos eletrônicos, registros contábeis e outros elementos de prova.

A suspeita é de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, com uso de pessoas e empresas para esconder quem é o dono real de bens e valores. Nas reportagens consultadas, a corporação não detalhou o que foi apreendido. A CNN Brasil informou que procurou a defesa dos citados e que o espaço seguia aberto para resposta.

O que a PF diz ter encontrado

A nona fase nasce de dados extraídos de um celular apreendido com um dos suspeitos na quinta fase, em julho. De acordo com a reportagem da CNN Brasil, a análise apontou novos endereços, estruturas empresariais e bens usados para administrar, esconder e movimentar dinheiro.

O retrato descrito pela PF inclui imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de parentes, pessoas próximas e terceiros. Esses terceiros estariam formalmente afastados do grupo, mas continuariam sendo geridos por integrantes dele. Os investigadores também citam o uso frequente de dinheiro em espécie, movimentações financeiras sem rastreabilidade compatível e empresas nacionais e estrangeiras sediadas em jurisdições de baixa tributação. Outra hipótese em apuração é o uso de entidades religiosas e de empresas de participação patrimonial para separar formalmente a titularidade de bens de alto valor.

Tudo isso é linha de investigação, não conclusão. Ninguém foi condenado, e nenhum dos alvos foi denunciado por esses fatos até agora.

Quem é Bernardo Loyola

A CNN Brasil descreve Loyola como gerente do grupo, sucessor de Adilsinho e um dos principais operadores do esquema. A reportagem faz questão de registrar que essa caracterização não foi confirmada pela PF no texto. Adilsinho é Adilson Oliveira Coutinho Filho, apontado pela Wikipédia como o chefão da chamada Máfia do Cigarro, e já estava preso desde fases anteriores.

A quinta fase e o pastor

Poncio, cujo nome completo é Márcio José Matos Poncio de Souza, foi preso em 2 de julho, num apartamento na Barra da Tijuca, na quinta fase da operação. A prisão preventiva tinha sido decretada por Moraes dias antes, em 30 de junho. A PF cumpriu três mandados de prisão e 14 de busca no Rio e em São João de Meriti, e o ministro mandou bloquear bens e valores dos investigados em até cerca de R$ 22 milhões.

Pastor da Igreja da Nuvem e empresário, Poncio é pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio, e a imprensa o chama de “pastor do cigarro” por sua atuação no setor de tabaco. A quinta fase também atingiu Adilsinho, o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, ambos já presos, e o ex-deputado Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.

Na época, a investigação apontava ligações entre políticos e o Comando Vermelho. Os agentes encontraram listas atribuídas a integrantes da facção com supostos pagamentos indevidos e doações de campanha. Segundo o resumo da Wikipédia sobre as fases da operação, uma lista apreendida na casa de Adilsinho cita 61 políticos fluminenses e movimentações de cerca de R$ 20 milhões. O mesmo texto registra que outra lista menciona uma doação de R$ 3,2 milhões à campanha de reeleição do governador Cláudio Castro em 2022. Castro não foi alvo da quinta fase.

Prisão domiciliar por motivo de saúde

Nove dias depois da prisão, a situação do pastor mudou. Moraes converteu a preventiva em prisão domiciliar humanitária, com medidas cautelares. A decisão foi assinada em 11 de julho e divulgada no dia seguinte, com parecer favorável da PGR. A defesa apresentou laudos médicos de retocolite ulcerativa grave, doença inflamatória intestinal crônica que o acompanha desde 2013.

Moraes escreveu que concedia a domiciliar “sem afastar a necessidade de preservação da investigação criminal”. Entre as condições estão tornozeleira eletrônica, proibição de contato com outros investigados, proibição de usar redes sociais e entrega do passaporte. A defesa de Poncio já havia dito, ao comentar outra medida cautelar, que não teve acesso à decisão e que ele não era alvo direto dela.

Dez meses de operação, nove fases

A Unha e Carne começou em 3 de dezembro de 2025, com a prisão de Bacellar, então presidente da Alerj, suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Zargun. A segunda fase, em 16 de dezembro, prendeu o desembargador federal Macário Judice Neto, do TRF-2. A terceira, em 27 de março, levou Bacellar de volta à prisão. Em 5 de maio, a quarta fase prendeu o deputado estadual Thiago Rangel por suspeita de desvios na Secretaria de Educação.

Depois da quinta fase vieram os alvos da rede de postos de combustíveis, com Márcio Canella e o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim. Em 15 de outubro, a oitava fase prendeu os dois, num esquema que o Coaf estimou em mais de R$ 7,6 bilhões movimentados em seis anos. Duas semanas depois, a PF volta ao núcleo do cigarro e do jogo do bicho, agora atrás do patrimônio.

O que vem a seguir

O material apreendido nesta quinta vai para perícia. É dessa análise que devem sair as próximas decisões de Moraes, que autoriza cada etapa. A PF não informou prazo para uma décima fase. A defesa de Poncio e a de Loyola não haviam se manifestado nas reportagens consultadas.

Fontes

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