Trump chama Estreito de Ormuz de "território dos EUA"; Irã rebate e chama presidente de "iludido"
Publicação de Trump reacende tensão com Teerã em meio a impasse sobre o controle da rota por onde passa 20% do petróleo mundial
Marina Kesslerdo CityTudo19 de agosto de 2026 · 4 min de leitura

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nesta semana uma imagem do Estreito de Ormuz identificando a região como “território dos EUA”, e o governo do Irã respondeu classificando o presidente americano de “iludido”, segundo reportagem do G1 publicada em 18 de agosto de 2026. O episódio marca mais um capítulo de escalada verbal entre Washington e Teerã em torno do controle da estratégica rota marítima.
Por que o Estreito de Ormuz importa tanto
Apesar do tamanho relativamente pequeno, o Estreito de Ormuz é considerado uma das principais artérias da indústria mundial de petróleo, por onde passam cerca de 20% do petróleo consumido no planeta. Grandes produtores como Arábia Saudita, Irã e Emirados Árabes Unidos dependem da rota para escoar parte de sua produção a outros mercados, o que torna qualquer disputa sobre seu controle uma questão de impacto econômico global, não apenas regional.
O que diz o direito internacional
A publicação de Trump esbarra em limites jurídicos claros. Pelo direito internacional, os Estados Unidos não podem simplesmente tomar posse do Estreito de Ormuz por meio de uma declaração, e a Carta da ONU proíbe a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial de outros países. Mesmo assim, a postagem elevou ainda mais o tom da disputa entre as duas nações.
Irã diz que estreito seguirá fechado até EUA cumprirem acordo
A tensão não se limita à publicação de Trump. Em declarações ao Parlamento iraniano nesta terça-feira (18), o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos cumpram as condições do acordo provisório assinado com o Irã em junho. Segundo Qalibaf, as condições incluem o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos, o encerramento das sanções ao petróleo do país, a liberação de ativos congelados de Teerã e o fim de ameaças e operações militares em todas as frentes da guerra.
Horas depois, em publicação na rede Truth Social, Trump voltou a negar que o estreito esteja fechado, afirmando que não há mais minas aquáticas na região e que ele está “aberto e operacional”. “Não há negociações ou conversas em andamento, nem agendadas, com a República Islâmica do Irã. O bloqueio naval permanece em pleno vigor e efeito”, escreveu o presidente americano.
Trump chegou a ameaçar bombardear Omã
A escalada envolve ainda um terceiro país da região. Segundo o G1, o Irã está avaliando mudar de uma postura defensiva para uma ofensiva no conflito caso as negociações com os EUA fracassem, e Trump chegou a ameaçar bombardear Omã, aliado que tem atuado como mediador na guerra, caso o país ratifique um acordo com o Irã para regulamentar a gestão do Estreito de Ormuz entre as duas nações. A ameaça a um mediador da negociação ilustra o quanto o diálogo entre as partes segue instável.
Irã diz ter mudado para postura “totalmente ofensiva”
Um dia antes da fala de Qalibaf, um alto funcionário do regime iraniano afirmou à agência Reuters que Teerã decidiu mudar sua política de defensiva para uma postura totalmente ofensiva, e que o país “intensificará as tensões no Estreito de Ormuz e em toda a região se a diplomacia com os Estados Unidos falhar”. A mesma fonte disse que Teerã vai comunicar aos EUA e a países da região, por meio de mediadores, um prazo de algumas semanas para o cumprimento integral do memorando de entendimento entre as partes.
A ideia de declarar Ormuz como território dos Estados Unidos não é nova nesta rodada de tensão: Trump já havia afirmado, em 14 de agosto, que pretendia declarar em breve o estreito como território americano, no que representou uma nova escalada da pressão americana sobre o Irã em meio às tentativas de fechar um acordo definitivo para um conflito que já dura quase seis meses. Na ocasião, o Irã já havia respondido que Ormuz está sob autoridade do país e que ameaças americanas não intimidam o governo iraniano.
Contexto de tensão mais ampla na região
O episódio da publicação de Trump não é um fato isolado. Na mesma semana, uma agência da ONU afirmou ter encontrado “toneladas de material nuclear” na Síria, e os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de disparar dois mísseis contra o país, reforçando o clima de instabilidade generalizada no Oriente Médio neste momento.
Enquanto a disputa em torno de Ormuz segue sem solução, o mercado global de petróleo permanece atento a qualquer sinal de fechamento efetivo da rota, dado o peso que a região tem no abastecimento energético mundial.

