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Vulcão Anak Krakatau entra em erupção e fecha aeroportos na Indonésia

Ministério dos Transportes da Indonésia informou que centenas de voos foram afetados após cinzas vulcânicas atingirem o espaço aéreo de Jacarta; autoridades descartam risco iminente de tsunami

Marina KesslerMarina Kesslerassinatura editorial do CityTudo

6 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

Imagem de satélite mostra uma pluma de cinzas se elevando da cratera do vulcão Anak Krakatau, no Estreito de Sunda, na Indonésia

O vulcão Anak Krakatau, na Indonésia, entrou em erupção na noite de sexta-feira (4) e obrigou as autoridades do país a suspender temporariamente as operações em seis aeroportos neste domingo (6), depois que cinzas vulcânicas foram detectadas no espaço aéreo próximo à capital, Jacarta. O ministro dos Transportes, Dudy Purwagandhi, afirmou que 467 voos foram afetados até o momento e pediu que as companhias aéreas agilizem os reembolsos de passagens e considerem desviar rotas para outros aeroportos.

Como a erupção evoluiu ao longo do fim de semana

O Anak Krakatau, que fica no Estreito de Sunda, entre as ilhas de Java e Sumatra, começou a apresentar atividade sísmica contínua, fontes de lava e estrondos na noite de sexta-feira, com mais duas erupções registradas já no início da manhã de domingo, segundo as autoridades locais. O quadro se agravou ao longo da madrugada: por volta das 2h55 no horário de Brasília, a Reuters informava que o Aeroporto Internacional Soekarno-Hatta havia suspendido operações até as 9h30 no horário local, afetando 209 voos, entre eles diversos internacionais. Horas depois, com a suspensão estendida a outros terminais, o Ministério dos Transportes atualizou o número para 467 voos afetados e seis aeroportos com operações paralisadas.

Seis aeroportos fechados e mais de 150 mil passageiros retidos

Além do Soekarno-Hatta, também tiveram operações suspensas o Halim Perdanakusuma, o Budiarto e o Pondok Cabe, todos na ilha de Java, o Husein Sastranegara, em Bandung, e o Radin Inten II, próximo a Bandar Lampung, em Sumatra. Mais de 150 mil passageiros ficaram retidos com a paralisação simultânea dos seis terminais, e a suspensão atingiu principalmente voos de e para Singapura, além de rotas internacionais para Doha, Sydney e Kuala Lumpur. Purwagandhi disse que a decisão de fechar mais terminais foi tomada depois que testes constataram que as cinzas vulcânicas haviam se espalhado em direção a Java Ocidental, e reforçou o pedido para que as companhias aéreas informem os passageiros com voos futuros a tempo de evitar aglomerações nos terminais.

A dimensão da nuvem de cinzas

Segundo a agência meteorológica da Indonésia, a BMKG, as cinzas atingiram até 6.000 metros de altitude do lado de Java do vulcão, e uma coluna de até 15.000 metros foi registrada do lado de Sumatra e em partes da província de Banten, altura suficiente para atingir as rotas aéreas que cruzam a região. A agência de mitigação de desastres do país, a BNPB, pediu à população que mantenha a calma, mas reforçou as recomendações de segurança: uso de máscaras e proteção para os olhos, redução de atividades ao ar livre, cobertura de fontes de água e cautela ao dirigir, já que a cinza reduz a visibilidade nas estradas. “Em caso de queda de cinzas, recomenda-se o uso de máscaras e proteção para os olhos”, afirmou o porta-voz da BNPB, Berton Panjaitan, à Reuters.

Escolas suspensas e pescadores impedidos de sair ao mar

O impacto foi além da aviação. Várias escolas cancelaram atividades no sábado (5) depois que alunos e moradores relataram irritação nos olhos causada pela poeira vulcânica, segundo o jornal local Kompas, enquanto pescadores da região cancelaram suas saídas para o mar pelo mesmo motivo. Um morador identificado como Aldi Candra Prayogi contou à publicação que passou a sentir os olhos irritados já na sexta-feira à noite, “como se pequenos grãos de areia houvessem entrado” neles, e precisou recorrer a colírio para aliviar o desconforto. Ele afirmou ainda que a poeira ficou tão densa que precisava varrer o quintal da própria casa a cada cinco minutos.

Sem alerta de tsunami, mas o histórico do vulcão preocupa

As autoridades confirmaram que, até o momento, não há risco iminente de tsunami associado à atividade do Anak Krakatau, nem ordem de evacuação para as comunidades ao redor do Estreito de Sunda. A cautela das autoridades, porém, tem explicação: em dezembro de 2018, o colapso parcial do próprio Anak Krakatau desencadeou um tsunami que matou mais de 400 pessoas e deixou milhares de feridos e desabrigados nas costas de Java e Sumatra, sem que houvesse qualquer alerta prévio, já que o desastre foi provocado por um deslizamento de rocha vulcânica no mar, e não por um terremoto. Cientistas descobriram depois que alguns dos blocos de rocha que se soltaram do vulcão durante o colapso chegavam a ter entre 70 e 90 metros de altura.

O que é o Anak Krakatau e por que ele existe

O nome Anak Krakatau significa “filho de Krakatau” em indonésio, e o vulcão emergiu do mar no início do século passado bem no meio da caldeira formada pela destruição do Monte Krakatoa, cuja erupção de 1883 matou mais de 36 mil pessoas e arrasou 165 vilarejos em menos de 48 horas. Aquela erupção, uma das mais mortais da história registrada, também produziu o que os cientistas consideram o som mais alto já registrado por um evento natural, ouvido a milhares de quilômetros de distância. Desde que surgiu, o Anak Krakatau tem apresentado atividade esporádica, alternando períodos de relativa calma com novos episódios eruptivos como o atual.

Um vulcão no Círculo de Fogo do Pacífico

O Anak Krakatau fica no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, cadeia de vulcões e zonas sísmicas que se estende por cerca de 40 mil quilômetros, da ponta sul da América do Sul até a Nova Zelândia. Segundo a CNN Brasil, aproximadamente 90% de todos os terremotos do planeta ocorrem ao longo dessa faixa, que concentra também cerca de 75% dos vulcões ativos da Terra, o equivalente a 452 vulcões ativos individuais. A Indonésia, por estar assentada sobre esse encontro de placas tectônicas, convive rotineiramente com erupções e tremores, o que torna protocolos como o fechamento preventivo de aeroportos e a suspensão de aulas parte do cotidiano de quem mora nas regiões mais próximas de vulcões ativos como o Anak Krakatau.

O que muda para quem tem viagem marcada

Para passageiros com voos programados de ou para os aeroportos afetados, a orientação das próprias companhias aéreas e do governo indonésio é acompanhar diretamente os canais oficiais dos aeroportos e das empresas, já que a liberação das operações depende da dispersão das cinzas e pode ser antecipada ou prorrogada conforme novas medições da BMKG. Até a publicação desta reportagem, nenhuma nova erupção havia sido registrada além das três já contabilizadas desde a noite de sexta-feira, mas as autoridades mantêm o monitoramento contínuo do vulcão e não descartam novas suspensões caso a atividade sísmica se intensifique novamente.

Fontes

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