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Nepal muda de posição e passa a pedir ajuda estrangeira após enchentes que já mataram 616

País havia recusado apoio internacional nos primeiros dias da tragédia, mas agora busca equipes especializadas em resgate em túneis, identificação por DNA e reconstrução de pontes; cerca de 3 mil pessoas seguem desaparecidas

Marina KesslerMarina Kesslerdo CityTudo

30 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

Equipes de resgate com coletes laranja e capacetes trabalham entre destroços de casas e uma ponte danificada por enchente em vale montanhoso do Nepal, com rio barrento e montanhas nevadas ao fundo, em pleno dia

O governo do Nepal recuou da posição adotada nos primeiros dias da tragédia e passou a pedir ajuda técnica estrangeira para lidar com as enchentes que atingem o país desde a semana passada. Segundo a CNN Brasil, o chanceler nepalês Shisir Khanal reconheceu que o país não tem conhecimento suficiente em áreas específicas da operação de resgate.

Por que o Nepal havia recusado ajuda

Dias antes, o Ministério das Relações Exteriores do Nepal havia afirmado que o país não precisava de apoio externo para as operações de busca e resgate. “Nossas agências de segurança estão conduzindo a busca e o resgate. Por enquanto, não precisamos desse tipo de ajuda”, disse na ocasião Lok Bahadur Chhetri, porta-voz do Ministério. Um ex-embaixador nepalês, Dinesh Bhattarai, chegou a especular que a recusa poderia estar ligada à sensibilidade geográfica da região afetada, que faz fronteira com o Tibete, mas o governo negou e atribuiu a decisão apenas à capacidade doméstica.

O que mudou na posição do governo

Ao anunciar a mudança de postura, Khanal afirmou que o país precisa de apoio para “resgatar pessoas presas em túneis” e para “restaurar transporte e comunicação” em trechos onde pontes foram destruídas. Entre os pedidos específicos estão equipes de resgate em túneis, serviços de identificação por exame de DNA, estruturas para armazenamento de corpos, restauração de estradas e comunicação, além de suprimentos de emergência e equipes médicas.

Balanço de mortos e desaparecidos

O número de mortos confirmados chegou a 616, com cerca de 3 mil pessoas ainda desaparecidas, entre elas ao menos 540 estrangeiros e peregrinos hindus vindos da Índia. A tragédia começou depois que o colapso de uma geleira provocou uma enxurrada de gelo, rochas, lama e destroços na fronteira entre o Nepal e o Tibete, destruindo vilarejos, estradas, pontes e usinas hidrelétricas na região.

Quem já ofereceu ajuda

A Índia enviou três voos com 60 toneladas de suprimentos humanitários, entre cobertores, remédios, alimentos e comprimidos para purificação de água, além de oferecer equipes de resposta a desastres, unidades de resgate em túneis, equipes médicas e pontes pré-fabricadas. China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e Bangladesh também pediram autorização para enviar equipes de resgate ao país.

O custo da reconstrução

O ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, afirmou que as necessidades de reconstrução devem ficar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões, e destacou que o levantamento de perdas e danos ainda está em andamento. A estimativa reforça o tamanho de uma das piores tragédias naturais enfrentadas pelo país nos últimos anos.

Fontes

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