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Trump anuncia acordo que dá aos EUA controle de 65 bilhões de barris de petróleo da Venezuela

Acordo, fechado com a presidente interina Delcy Rodríguez, garante controle majoritário americano sobre 21% das reservas venezuelanas; país está sob influência dos EUA desde que Maduro foi capturado e depôs em janeiro

Marina KesslerMarina Kesslerdo CityTudo

29 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

Refinaria de petróleo da PDVSA vista de uma rodovia na Venezuela, com torres industriais ao fundo sob luz de dia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (28) um acordo que garante ao país o controle de reservas de petróleo da Venezuela equivalentes a 65 bilhões de barris, cerca de 21% de todo o petróleo venezuelano. Segundo o G1, o anúncio foi feito pelo próprio Trump em sua rede social, a Truth Social.

O que Trump disse sobre o acordo

“Sob minha orientação, o Secretário de Estado Marco Rubio e o Secretário de Guerra Pete Hegseth, trabalhando em estreita colaboração com a altamente respeitada Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, e por meio de uma parceria com o setor privado, garantiram o controle majoritário dos EUA sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela, sem qualquer custo para o contribuinte americano”, escreveu Trump. Esse controle ocorrerá por meio de parcerias com empresas privadas, mas os detalhes do acordo não estão imediatamente claros. Trump afirmou que o acordo mais do que dobraria as reservas de petróleo dos Estados Unidos.

A Venezuela é o país com as maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris, e atualmente produz cerca de 1,25 milhão de barris de petróleo bruto por dia.

O país sob influência americana desde a captura de Maduro

A Venezuela se encontra sob ampla influência dos Estados Unidos desde que o governo Trump sequestrou e depôs Nicolás Maduro, em janeiro deste ano. Em 3 de janeiro, uma operação militar americana invadiu o país e capturou o então presidente, que foi levado a Nova York, onde segue preso aguardando julgamento.

Em seu lugar, foi nomeada presidente interina Delcy Rodríguez, vice de Maduro, cujo governo tem tomado medidas alinhadas a Washington, como a soltura de dissidentes políticos e o envio de petróleo para os Estados Unidos. Desde a captura de Maduro, Washington tem tentado garantir um fluxo estável de petróleo bruto venezuelano para as refinarias americanas.

Rubio, o homem que “dita as ordens” em Caracas

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, é apontado como a autoridade que de fato dita as ordens em Caracas. Ele tem defendido a aproximação com a Venezuela principalmente pela importância do país no mercado de petróleo, tema que ganhou ainda mais peso para a Casa Branca após a escalada do conflito com o Irã, que pressionou os preços internacionais da commodity.

Rubio já havia defendido que a Venezuela passaria por três etapas após a saída de Maduro: estabilização econômica, reorganização política e uma transição para eleições.

Por que o acordo vem agora

O governo Trump está sob pressão, antes das eleições de meio de mandato previstas para novembro, por causa da alta dos preços da gasolina nos Estados Unidos, situação que poderia ser amenizada com acesso a petróleo mais barato e aumento de produção. Os EUA também buscam recompor sua Reserva Estratégica de Petróleo, incluindo a possibilidade de trocas de petróleo bruto com produtores americanos.

Enquanto isso, a oposição venezuelana e entidades de defesa dos direitos humanos têm pedido um avanço mais rápido das negociações políticas no país, cobrança que encontra apoio entre parlamentares democratas e republicanos no Congresso americano.

Fontes

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