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Rafael Câmara é da Haas em 2027 e o Brasil terá dois pilotos na F1

Pernambucano de 21 anos, líder da Fórmula 2, assume a vaga de Esteban Ocon ao lado de Oliver Bearman. Será o primeiro nordestino e o 34º brasileiro da história da categoria

Redação Carrosassinatura da editoria

20 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Garagem de uma equipe de Fórmula 1 em plena luz do dia, com um carro de corrida sendo preparado por mecânicos e um capacete sobre a mesa em primeiro plano

A Haas confirmou na quinta-feira (15) que Rafael Câmara será um de seus pilotos titulares na Fórmula 1 em 2027. O pernambucano de 21 anos fica com a vaga hoje ocupada pelo francês Esteban Ocon e vai dividir a garagem com o britânico Oliver Bearman. Com a escolha, o Brasil passa a ter dois titulares no grid pela primeira vez desde 2016, quando Felipe Massa corria pela Williams e Felipe Nasr pela Sauber. O outro brasileiro é Gabriel Bortoleto, que segue na Audi.

A notícia encerra semanas de especulação. A CNN Brasil registrou o anúncio no dia 15 de outubro e lembrou que Câmara será o 34º brasileiro a correr na F1 e o primeiro nascido no Nordeste. A equipe americana usou as redes sociais para a revelação, com uma frase curta no perfil oficial no X: “The call has been answered. Welcome, Rafael Câmara”.

O que a Haas anunciou

O contrato é multianual. Segundo o Correio da Manhã, a Haas confirmou o brasileiro como piloto para a temporada de 2027. O jornal A Tarde, em texto sobre a chegada do primeiro nordestino à F1, aponta que o vínculo vai pelo menos até o fim de 2028. Valores não foram divulgados por nenhuma das partes.

Em nota da equipe, reproduzida pelo portal Autopapo, Câmara disse estar “muito feliz por me juntar à Haas como piloto de Fórmula 1”. Para o lugar de Ocon, a decisão fecha um ciclo que já era dado como certo desde que o francês confirmou, ainda no meio da temporada, que deixaria o time ao fim de 2026. A Haas informou em comunicado que as partes “se separarão ao término do Campeonato Mundial de Fórmula 1 da FIA de 2026”, como relatou a RacingNews365. O chefe da equipe, Ayao Komatsu, disse que era “hora de uma mudança”, mas afirmou não ter dúvida sobre a velocidade de Ocon.

O teste que pesou na decisão

A virada a favor de Câmara veio em agosto, num teste fechado em Portimão, em Portugal. A Haas colocou no carro de 2025, o VF-25, três candidatos além de Bearman, que serviu de referência. Segundo o Lance, que cita o ge, Câmara terminou os dias de teste como o mais rápido entre os concorrentes e ficou mais perto do tempo de Bearman, batendo as marcas de Leonardo Fornaroli e de Ryo Hirakawa. Fornaroli foi campeão da Fórmula 2 e é reserva da McLaren. Hirakawa é reserva da Haas e piloto da Toyota, parceira técnica da equipe.

As fontes divergem em detalhes. O PlanetF1 fala em três dias de teste, entre 26 e 28 de agosto, enquanto veículos brasileiros mencionam dois dias. Também há versões diferentes sobre se o brasileiro foi o mais rápido em todas as sessões ou apenas em uma delas. Nenhum veículo publicou os tempos por volta.

A escolha não foi unânime nos bastidores. O PlanetF1 e outros sites especializados apontaram a Toyota como um dos obstáculos, porque a montadora japonesa preferia Hirakawa. A Ferrari, que fornece motores e peças à Haas e tem Câmara na academia de pilotos desde a juventude, apoiou o brasileiro. O site Motorsport Magazine relatou ainda que o dono da equipe, Gene Haas, foi quem defendeu o nome do pernambucano.

A trajetória até a F1

Rafael Chaves Câmara nasceu no Recife em 5 de maio de 2005. Começou no kart aos seis anos. A família tem raiz no automobilismo local: a avó, Niége Rossiter, foi pioneira nas corridas de rua do Recife nos anos 1960. Conforme o perfil publicado pela CNN Brasil, ele cresceu em Boa Viagem, mudou-se para São Paulo em 2013 e depois foi competir na Europa, onde virou um dos nomes da Ferrari Driver Academy ao lado de Bearman, hoje seu companheiro.

Na Fórmula 4, em 2022, foi vice-campeão nos Emirados Árabes e terminou em terceiro nos campeonatos italiano e alemão. Em 2024 conquistou o título da Fórmula Regional Europeia. Em 2025, pela Trident, venceu a Fórmula 3 com uma etapa de antecedência, na Hungria, algo inédito na história da categoria, com quatro vitórias e cinco poles. Os números de vitórias na Regional variam entre os veículos, de sete a doze, por isso o CityTudo não os cravou.

Na Fórmula 2 de 2026, Câmara corre pela Invicta Racing, a mesma equipe que teve Bortoleto e Fornaroli em temporadas anteriores. Segundo a CNN Brasil, ele lidera o campeonato com 207 pontos, com quatro vitórias e cinco poles. A decisão será nas etapas do Catar e de Abu Dhabi. O piloto quer chegar à F1 já com o título da F2, o degrau que Bortoleto também subiu antes de estrear.

O que significa para o Brasil

Dois brasileiros no grid movimentam o mercado esportivo, mas sem garantia de dinheiro em dobro. A CNN Brasil ouviu especialistas sobre o efeito comercial do novo “Brazilian Storm”. Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports, disse que dois pilotos geram mais histórias, campanhas e oportunidades nos autódromos, mas fez a ressalva: “Dois brasileiros no grid não significam automaticamente o dobro de patrocínios.” Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM, afirmou que a relevância comercial depende de quem faz o público se importar com o piloto.

O texto lista marcas ligadas a Bortoleto e à Audi, como Mercado Livre, Porto, KitKat, Banco de Brasília, Motorola, Snapdragon, O Boticário, Claro e PicPay. O salário-base de um piloto de F1 é estimado em cerca de US$ 2 milhões por ano, e acordos comerciais podem dobrar ou triplicar esse valor, segundo estimativas. Os contratos individuais não são públicos, e a reportagem não traz nenhum número de patrocínio, apesar de o título falar em impacto bilionário.

Do lado de Câmara, o Bradesco confirmou que continuará como patrocinador na F1. A parceria nasceu na Fórmula 3 e segue na primeira temporada com a Haas, segundo o Times Brasil. Os termos não foram revelados.

A equipe que o espera

A Haas é a menor estrutura do grid e ainda não tem pódio na categoria. A Folha de Pernambuco lembra que os melhores resultados do time são um quarto lugar de Romain Grosjean em 2018 e outro de Bearman em 2025. A equipe renovou a parceria técnica com a Toyota no início de 2026 e mantém o acordo com a Ferrari. Para um estreante, o ambiente tem um lado bom, um companheiro jovem e já conhecido da academia, e um lado difícil, um carro que raramente briga na frente.

Quanto a Ocon, as fontes não indicam destino. A única outra vaga não confirmada para 2027, na Racing Bulls, deve ficar com os atuais pilotos, e o francês disse que não pretende correr fora da F1.

O calendário até a estreia

O primeiro compromisso de Câmara é o fim da Fórmula 2, com as etapas do Catar e de Abu Dhabi ainda por disputar. Depois vêm a pré-temporada de 2027 e a estreia na F1, quando ele e Bortoleto passam a dividir o grid como titulares.

Fontes

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