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Jeep Wrangler e Gladiator são recolhidos por risco de incêndio

Stellantis convoca 1.472 unidades no Brasil por falha no circuito elétrico da bomba de direção; mesma semana traz confirmação de recall da RAM 1500 por cinto de segurança

Diego AmaralDiego Amaraldo CityTudo

3 de setembro de 2026 · 6 min de leitura

Jeep Wrangler Rubicon preto exposto em concessionária, com grade frontal característica e pneus off-road, sob luz natural de dia

A Stellantis, dona da marca Jeep, anunciou nesta semana um recall no Brasil dos modelos Wrangler (anos-modelo 2021 a 2025) e Gladiator Rubicon (2022 a 2025) por risco de incêndio. Segundo comunicado divulgado pela montadora e replicado pelo g1, o chamado envolve 1.472 unidades dos dois modelos e é motivado por uma falha identificada no circuito elétrico da bomba de direção eletro-hidráulica dos veículos, que em situações extremas pode provocar um princípio de incêndio.

O que está errado no carro

De acordo com o comunicado da Stellantis, a falha no circuito elétrico da bomba de direção traz risco de danos materiais e de lesões físicas aos ocupantes e a terceiros, caso o defeito evolua para um princípio de incêndio. A montadora não detalhou publicamente em quantos casos reais o problema já se manifestou no Brasil, mas optou por convocar preventivamente todas as unidades dentro da faixa de chassis identificada como potencialmente afetada, prática comum em recalls de segurança veicular quando o fabricante detecta uma falha de projeto ou de fornecimento em um componente elétrico específico.

Os chassis envolvidos na campanha são os seguintes: no Jeep Gladiator Rubicon (2022 a 2025), da faixa NL127704 a SL502236; no Jeep Wrangler (2021 a 2025), da faixa MW539580 a SW500071. Quem tem um desses modelos deve verificar o número de chassi do próprio veículo, disponível no documento do carro ou em uma plaqueta afixada na coluna da porta do motorista, e comparar com as faixas divulgadas pela marca para saber se está entre as unidades chamadas.

Como funciona o reparo

Para resolver o problema, a orientação da Jeep é que os proprietários dos modelos afetados agendem atendimento em qualquer concessionária autorizada da marca. O procedimento consiste em uma verificação técnica do sistema elétrico da bomba de direção e, se necessário, no reparo do componente, com tempo estimado de execução de aproximadamente 30 minutos. Como em qualquer recall de segurança determinado pelo fabricante, a inspeção e o eventual reparo são gratuitos para o consumidor, que só precisa levar o documento do veículo até a rede credenciada.

A recomendação, nesses casos, é não esperar o vencimento de uma revisão programada: mesmo que o carro não apresente nenhum sintoma perceptível, o ideal é agendar a inspeção assim que possível, já que o defeito está ligado a um componente elétrico que pode falhar sem aviso prévio ao motorista.

Mesma semana, recall confirmado da RAM 1500 no Brasil

O anúncio do recall do Wrangler e do Gladiator veio acompanhado de outra confirmação importante: a Stellantis também informou que 5.810 unidades da picape RAM 1500 (modelos 2021 a 2026) vendidas no Brasil serão chamadas por possível falha na fixação dos cintos de segurança do banco traseiro. Segundo o comunicado da empresa, “foi identificada a possibilidade de falha na fixação dos cintos de segurança do banco traseiro, que pode, eventualmente, ocasionar a falta de retenção dos ocupantes do veículo em caso de frenagem brusca ou acidente, consequentemente, potencializando a ocorrência de danos materiais, físicos ou até mesmo fatais”. Os chassis envolvidos na campanha nacional vão de MN542089 a T4190489, e a orientação também é agendar verificação em concessionária RAM, com inspeção e eventual reparo gratuitos e tempo médio de 30 minutos.

Essa confirmação fecha uma pendência que já vinha sendo acompanhada: em julho, a Reuters havia noticiado que a Stellantis faria um recall mundial de mais de 1,5 milhão de unidades da RAM 1500 pelo mesmo problema nos cintos de segurança, sem que a montadora tivesse confirmado, na ocasião, se as unidades vendidas no Brasil também seriam incluídas na campanha. Àquela altura, o recall somava 1,27 milhão de picapes nos Estados Unidos, 156 mil no Canadá, 15 mil no México e cerca de 75 mil fora da América do Norte, com o defeito concentrado nos pontos de ancoragem das fivelas do cinto do meio e do cinto do passageiro esquerdo da segunda fileira de bancos. A Reuters registrou, na época, que a Stellantis tinha conhecimento de ao menos um caso de lesão possivelmente relacionado ao defeito, mas nenhum registro de mortes associado à falha.

Um mês de recalls seguidos no setor automotivo

O caso da Jeep e da RAM se soma a uma sequência de convocações que já vinha sendo registrada nas últimas semanas no mercado brasileiro. Em agosto, a Volkswagen chamou cerca de 150 mil unidades de diferentes modelos por um problema no sistema do freio de mão, que pode não travar corretamente e permitir que o veículo se movimente sozinho quando estacionado em declive. Antes disso, a Ford havia antecipado o atendimento do recall de 1.371 unidades do Mustang no Brasil, motivado por falha nos limpadores e no esguicho de para-brisa em temperaturas de 0°C ou inferiores, inicialmente prevista para só ser resolvida em 2027.

A repetição de campanhas em um intervalo curto de tempo reflete, em parte, um movimento do setor: fabricantes têm intensificado o monitoramento de peças elétricas e de sistemas de retenção depois de uma onda de processos e multas aplicadas a montadoras em mercados como o americano por atraso na comunicação de defeitos de segurança aos órgãos reguladores. No Brasil, recalls de veículos são regulados pelo Código de Defesa do Consumidor e fiscalizados pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), que pode notificar e até multar fabricantes que deixem de convocar publicamente os proprietários de veículos com defeitos conhecidos.

Por que vale a pena checar o chassi mesmo sem sintomas

Um erro comum entre donos de carros afetados por recall é esperar o problema aparecer antes de procurar a concessionária, especialmente quando o carro “está andando bem”. No caso do Wrangler e do Gladiator, a falha fica dentro do sistema elétrico da bomba de direção, um componente que o motorista não tem como inspecionar visualmente nem monitorar no dia a dia, já que os sintomas de uma falha elétrica desse tipo tendem a aparecer de forma repentina, muitas vezes já em estágio avançado. É justamente esse tipo de defeito, invisível até o momento da falha, que fundamenta a lógica dos recalls preventivos: o fabricante prefere convocar toda a faixa de chassi potencialmente exposta a esperar reclamações registradas para agir.

Para quem comprou um Wrangler ou Gladiator usado nos últimos anos, vale reforçar que o recall vale para o carro, não para o dono original: a campanha da Stellantis cobre qualquer unidade dentro da faixa de chassi informada, independentemente de quantas vezes o veículo já tenha trocado de proprietário. Concessionárias autorizadas da marca costumam ter acesso ao histórico de recalls pendentes de um veículo específico a partir do próprio número de chassi, o que facilita a conferência mesmo para quem comprou o carro de particular e não tem mais contato com o vendedor original.

O que fazer agora

Donos de Jeep Wrangler ou Gladiator Rubicon dentro das faixas de chassi informadas, assim como donos de RAM 1500 fabricadas entre 2021 e 2026, devem entrar em contato com uma concessionária autorizada da respectiva marca para agendar a inspeção gratuita. Como o procedimento leva cerca de meia hora em ambos os casos, a recomendação da própria montadora é não deixar para depois: quanto antes o veículo passar pela verificação, menor o tempo de exposição ao risco identificado pela Stellantis nos dois comunicados divulgados nesta semana.

Fontes

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