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Geely EX2 ganha vendas diretas no Brasil com desconto de até 11%

Programa de vendas diretas do Geely EX2 oferece desconto de até 11% para pessoas jurídicas e condições especiais para taxistas e motoristas de aplicativo, com o elétrico de entrada saindo por menos de R$ 100 mil em alguns casos

Diego AmaralDiego Amaralassinatura editorial do CityTudo

5 de setembro de 2026 · 6 min de leitura

Geely Panda Mini EV, pequeno carro elétrico urbano da Geely que compartilha a plataforma do EX2 vendido no Brasil, fotografado na China

O Geely EX2 ganhou um programa de vendas diretas no Brasil que reduz ainda mais o preço do elétrico de entrada da marca chinesa, e o mesmo benefício também vale para o EX5 e o EX5 EM-i. O desconto chega a 11% para pessoas jurídicas, e se soma a isenções de IPI e ICMS já previstas em lei para taxistas e para pessoas com deficiência (PcD), o que derruba ainda mais o preço final do carro elétrico mais barato da marca no país.

O que muda com a venda direta

Diferente da compra tradicional em concessionária, o programa de vendas diretas permite que empresas negociem preço e condições especiais diretamente com a fabricante. Segundo levantamento do setor automotivo, o benefício está disponível desde julho de 2026 e pode ser consultado nas 40 concessionárias da Geely espalhadas pelo país, com financiamento em até 36 parcelas e taxas a partir de 0,99% ao mês. Para pessoa jurídica, o EX2 Max sai por R$ 128.592, valor que já reflete o desconto de até 11% sobre a tabela cheia do modelo.

Preços especiais para taxistas e motoristas de aplicativo

A faixa de preço mais chamativa do programa, porém, é a destinada a quem usa o carro como ferramenta de trabalho. Para taxistas, o EX2 Pro sai por R$ 99.001 e o EX2 Max por R$ 109.396; já para motoristas de aplicativo, os valores sobem para R$ 117.610 (Pro) e R$ 129.960 (Max). Essas condições combinam um desconto extra de 5% sobre o preço de tabela com os benefícios do programa federal Move Brasil, que oferece financiamento de até R$ 150 mil, com juros reduzidos e prazos mais longos para profissionais que usam o veículo como instrumento de trabalho.

Com isso, a Geely se apresenta como uma das primeiras montadoras a oferecer incentivos específicos para profissionais da mobilidade dentro do segmento de elétricos, mirando diretamente a categoria de taxistas e motoristas de aplicativo que hoje domina boa parte da frota de carros por aplicativo no país, tradicionalmente ocupada por modelos a combustão mais baratos.

Ficha técnica do EX2

O EX2 é um hatch compacto 100% elétrico, com 4,13 metros de comprimento e entre-eixos de 2,65 metros. O motor entrega 116 cv de potência e 150 Nm de torque, alimentado por uma bateria de 39,4 kWh que garante autonomia de 289 km no ciclo de homologação do Inmetro. No uso urbano real brasileiro, a expectativa é de autonomia um pouco menor, entre 250 e 280 km com a bateria cheia, o que ainda assim cobre bem a rotina diária de quem roda dentro da cidade.

O carro acelera de 0 a 100 km/h em 10,2 segundos, atinge velocidade máxima de 140 km/h e recarrega de 30% a 80% da bateria em 21 minutos num carregador rápido DC; na tomada AC comum, o ciclo completo de 0 a 100% leva 6,5 horas. O porta-malas tem 375 litros pelo padrão VDA, número competitivo para um hatch compacto desse porte. Uma curiosidade técnica que diferencia o EX2 da maioria dos rivais diretos é a arquitetura: ele é o único elétrico da categoria com motor traseiro e tração nas rodas de trás, configuração incomum em carros populares vendidos no Brasil.

Nas versões mais completas, o EX2 vem ainda com pacote de assistência ao motorista (ADAS), câmera panorâmica de 540 graus e ajuste elétrico do banco do motorista, itens que normalmente aparecem só em categorias de preço mais alto.

Do lançamento à venda direta: como evoluiu o preço

O EX2 chegou ao Brasil com vendas iniciadas em 7 de novembro de 2025, após o primeiro lote embarcar da China ainda em outubro daquele ano. Os preços de lançamento, promocionais, eram de R$ 119.990 para a versão Pro e R$ 135.100 para a Max; depois do período inicial, a tabela foi reajustada para R$ 123.800 (Pro) e R$ 136.800 (Max). É sobre essa tabela reajustada que incidem agora os descontos do programa de vendas diretas, o que na prática devolve ao consumidor pessoa jurídica, taxista ou motorista de aplicativo um preço parecido ou até menor que o de lançamento.

Concorrência no segmento de elétricos de entrada

O EX2 não chega a um mercado vazio. Na faixa de elétricos mais acessíveis do país, ele disputa espaço direto com o BYD Dolphin Mini, também na casa dos R$ 119.990, além do BYD Dolphin (R$ 149.990), do Chevrolet Spark elétrico e do GWM Ora 03. Com o programa de vendas diretas, a Geely reforça justamente o argumento de preço nessa disputa, tentando conquistar clientes que ainda hesitam em migrar do motor a combustão para o elétrico por causa do valor de entrada.

Por que o programa também mira taxistas e PcD

A escolha de mirar taxistas, motoristas de aplicativo e pessoas com deficiência não é acidental. Esses públicos já contam com isenções tributárias previstas em lei, que reduzem ou eliminam impostos como IPI e ICMS na compra do carro, dentro de limites de preço e potência definidos por cada estado. Ao somar o desconto comercial próprio da venda direta a esses benefícios fiscais que já existiam, a Geely consegue oferecer um preço final abaixo de R$ 100 mil em alguns casos para taxistas, faixa que até pouco tempo era praticamente inacessível para um carro elétrico zero-quilômetro no Brasil.

Como a Geely chegou a esse ponto no Brasil

A marca chinesa não é estreante no país, mas ainda está construindo a própria rede por aqui. A Geely confirmou que pretende abrir 40 concessionárias no Brasil e lançar o SUV híbrido plug-in EX5 EM-i, além de já ter garantido produção local: depois de adquirir 26,4% da subsidiária brasileira da Renault, a montadora vai fabricar veículos na fábrica da parceira em São José dos Pinhais, no Paraná, com início previsto para o segundo semestre de 2026. A aposta na fábrica paranaense, e não só na importação, é o sinal mais claro de que a Geely trata o mercado brasileiro como prioridade de médio prazo, dentro de um plano global que projeta a marca chegando a 6,5 milhões de veículos produzidos por ano até 2030.

O EX5, irmão maior do EX2 dentro da família elétrica da marca, seguiu um caminho parecido de entrada no mercado: o primeiro lote de 300 unidades desembarcou no Porto de Paranaguá e entrou em pré-venda por R$ 195.800 (Pro) e R$ 215.800 (Max), a mesma lógica de preço promocional de lançamento seguida depois pelo EX2 antes de a tabela cheia entrar em vigor.

O que vem a seguir

A expectativa do setor automotivo é que o programa de vendas diretas sirva de teste para a Geely acelerar a expansão da marca no país, com a meta de ampliar ainda mais a rede de 40 concessionárias e reforçar a oferta ao lado do EX5 e do EX5 EM-i, o híbrido plug-in da marca. Para o consumidor, o efeito prático já é sentido na ponta do lápis: o EX2, que chegou ao Brasil há menos de um ano como uma aposta ainda incerta da Geely no segmento elétrico popular, hoje se tornou o carro que a marca chinesa usa para brigar diretamente pelo bolso de quem depende do carro para trabalhar.

Fontes

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