Anvisa aprova mais 5 canetas de liraglutida e semaglutida: veja nomes, indicações e quando chegam
Aribet, Lyrza, Wylovol, Embeltah e Sevema tiveram o registro publicado no Diário Oficial desta quinta (29). Três são para diabetes e duas para obesidade, e ainda não têm preço nem data para chegar às farmácias
29 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

A lista de canetas de GLP-1 com registro no Brasil ganhou mais cinco nomes nesta quinta-feira (29). A Resolução-RE nº 4.244, de 28 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União, traz o registro de três canetas de liraglutida e duas de semaglutida, as mesmas substâncias do Victoza, do Saxenda, do Ozempic e do Wegovy. Com a decisão, a Anvisa aprova canetas desse grupo pela quinta rodada no ano, e o mercado brasileiro, que até 2025 dependia quase só das marcas originais, passa a ter uma prateleira cada vez mais disputada.
Isso não quer dizer que os produtos já estejam à venda. Nenhuma das cinco empresas divulgou data de lançamento, e o preço ainda depende da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Quais são as 5 canetas aprovadas
Os dados de empresa, substância e apresentação abaixo saem da própria resolução. As indicações (diabetes ou obesidade) foram informadas pela agência à imprensa, segundo o Olhar Digital.
| Nome | Substância | Indicação | Empresa que detém o registro |
|---|---|---|---|
| Aribet | liraglutida 6 mg/ml | Diabetes tipo 2 | Farma Vision Importação e Exportação de Medicamentos |
| Lyrza | liraglutida 6 mg/ml | Obesidade, com dieta e exercício | Farma Vision |
| Wylovol | liraglutida 6 mg/ml | Obesidade, com dieta e exercício | Farma Vision |
| Embeltah | semaglutida 1,34 mg/ml | Diabetes tipo 2 | Dr. Reddy’s Farmacêutica do Brasil |
| Sevema | semaglutida 1,34 mg/ml | Diabetes tipo 2 | Aché Laboratórios Farmacêuticos |
As três de liraglutida são fabricadas pela indiana Biocon. A Sevema é produzida pela também indiana OneSource Specialty, e a fabricação da Embeltah é atribuída à mesma empresa pelo Olhar Digital, enquanto a TNH1 cita a Biocon. A resolução não informa o fabricante, só a empresa responsável pelo registro.
A concentração das canetas de semaglutida, 1,34 mg/ml em refil de 1,5 ml, é a mesma usada nas doses iniciais do Ozempic. Já a liraglutida a 6 mg/ml é a concentração do Victoza e do Saxenda, o que explica por que a mesma empresa registrou um produto para diabetes e dois para obesidade: a substância é a mesma, e o que muda é a dose máxima e a bula.
Não são genéricos: o que diz o tipo de registro
Um detalhe da resolução ajuda a entender esses produtos. Os cinco entraram como “medicamento novo, novo IFA análogo, via de desenvolvimento abreviado”. Em vez de repetir todos os estudos clínicos feitos pelo laboratório original, a empresa comprova que o seu princípio ativo é equivalente ao de referência e aproveita parte do conhecimento já acumulado sobre ele.
Na prática, para quem usa, o efeito esperado é o mesmo das marcas conhecidas. A diferença é regulatória: não são genéricos no sentido da lei, então a regra que obriga o genérico a custar pelo menos 35% menos que o original não vale automaticamente para eles. O registro tem validade até novembro de 2036.
O Brasil já tem genéricos de verdade nas duas substâncias. O CityTudo contou quando a Anvisa registrou o primeiro genérico do Ozempic e mostrou como a liraglutida virou genérico barato no país.
Quantas canetas a Anvisa aprovou em 2026
A contagem depende de quem soma. O levantamento mais detalhado, publicado pela TNH1 com a data de cada aprovação, chega a 19 canetas registradas no ano:
- 12 de semaglutida: Ozivy (EMS, maio); Semavy, Owozy, Zempneo, Seemasun e Orsema (julho); a semaglutida genérica da EMS, a Semaclique e a semaglutida genérica da Germed (agosto); Yluméc (EMS, agosto); e agora Embeltah e Sevema.
- 6 de liraglutida: Liraclick (Germed, junho), dois genéricos da EMS (setembro), e agora Aribet, Lyrza e Wylovol.
- 1 de tirzepatida: a nova versão multidose do Mounjaro, aprovada em março.
Outros veículos, como o Olhar Digital, falam em 20 canetas da classe aprovadas em 2026. A diferença vem do critério, por exemplo contar ou não uma nova apresentação de um produto que já existia.
O ritmo tem explicação. Desde agosto de 2025, a pedido do Ministério da Saúde, a Anvisa dá prioridade aos pedidos de liraglutida e semaglutida, com base no Edital de Chamamento nº 12/2025, para garantir abastecimento e atender ao SUS. Em agosto, o presidente da agência, Leandro Safatle, disse que havia quatro processos de liraglutida e quatro de semaglutida em análise, e parte deles é a que saiu agora.
Por que só agora tantas versões de semaglutida
A porta se abriu com o fim da patente. A exclusividade da Novo Nordisk sobre a semaglutida no Brasil terminou em 20 de março de 2026, depois que o Superior Tribunal de Justiça negou, por unanimidade, o pedido da empresa para estender o prazo por causa da demora do INPI. A partir dali, qualquer laboratório pode vender a substância, desde que tenha registro na Anvisa.
A liraglutida percorreu esse caminho antes: a patente venceu no fim de 2024, e as primeiras versões nacionais chegaram às farmácias em 2025. A tirzepatida (Mounjaro) e a dulaglutida (Trulicity), ambas da Eli Lilly, seguem protegidas por patente e sem concorrentes autorizados.
Quanto vão custar e quando chegam às farmácias
Ainda não há preço. Todo medicamento novo precisa ter o preço máximo definido pela CMED antes de ser vendido, e nenhuma das cinco empresas anunciou data de lançamento. Registro aprovado significa que o produto pode ser vendido, não que já esteja nas prateleiras.
Para ter uma referência do que a concorrência fez com os preços: os genéricos de liraglutida da EMS, Olire (obesidade) e Lirux (diabetes), já vendidos no país, aparecem a partir de R$ 84 em grandes redes online. É uma fração do que custava a liraglutida de marca antes da queda da patente.
Precisa de receita?
Sim, e a farmácia fica com ela. Desde junho de 2025, pela RDC 973/2025, medicamentos à base de semaglutida, liraglutida, dulaglutida, tirzepatida e lixisenatida só podem ser vendidos com retenção da receita, emitida em duas vias e com validade de 90 dias. A regra vale para as cinco canetas novas assim que chegarem às farmácias.
Mais opções registradas também deixam menos desculpa para comprar caneta sem procedência. A Anvisa vem proibindo produtos vendidos fora do circuito legal, como a caneta T36 e os peptídeos vendidos como “para pesquisa”. Esses produtos não têm garantia de conteúdo, dose ou esterilidade.
O que vem depois
A próxima novidade da classe não deve ser outra caneta. A Eli Lilly espera trazer ao Brasil a orforglipron, versão em comprimido do GLP-1, aprovada nos Estados Unidos com o nome Foundayo. A previsão de chegada é o segundo semestre de 2027. Em fase final de estudos estão ainda a CagriSema, da Novo Nordisk, e a retatrutida, da Lilly, que ainda não podem ser vendidas no Brasil.
Perguntas frequentes
Quais canetas a Anvisa aprovou em 29 de outubro de 2026? Aribet, Lyrza e Wylovol, de liraglutida, e Embeltah e Sevema, de semaglutida. O registro saiu na Resolução-RE nº 4.244, publicada no Diário Oficial da União.
Quais servem para emagrecer? Lyrza e Wylovol têm indicação para obesidade, junto com dieta e atividade física. Aribet, Embeltah e Sevema são para diabetes tipo 2.
Elas já estão à venda? Não. Ainda falta o preço máximo da CMED e o lançamento pelas empresas, que não deram data.
São genéricos do Ozempic e do Saxenda? Não no sentido da lei. Foram registradas como medicamento novo por via abreviada, com princípio ativo equivalente ao de referência. O efeito esperado é o mesmo, mas a regra de desconto mínimo dos genéricos não se aplica automaticamente.
Precisa de receita para comprar? Sim. Desde junho de 2025, as canetas de GLP-1 só são vendidas com receita em duas vias, que fica retida na farmácia e vale por 90 dias.


