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Protestos na França: toque de recolher em Paris e Louvre fechado

Onda que começou em escolas dos subúrbios pobres de Paris e virou movimento nacional contra o custo de vida deixou mortos, 2.400 detidos e lojas saqueadas em várias cidades

Redação Políticaassinatura da editoria

19 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Rua de Paris em plena luz do dia com vitrines tapadas por tábuas, lojas depredadas, lixo no chão, garis varrendo e vans da polícia ao fundo

Os protestos na França chegaram a um novo pico de tensão nesta segunda-feira (19). O primeiro-ministro Sébastien Lecornu pediu aos prefeitos das cidades mais afetadas que decretassem toques de recolher parciais, depois de um fim de semana de saques, incêndios e confrontos com a polícia. “Pedi aos prefeitos que decretassem vários toques de recolher nesta noite, toques de recolher parciais”, disse Lecornu, segundo o g1. O Louvre, o museu mais visitado do mundo, amanheceu de portas fechadas por causa de um bloqueio de estudantes.

Do pátio da escola à crise nacional

A onda de manifestações começou em setembro, em escolas de ensino médio nos subúrbios pobres ao norte de Paris. O motivo original era concreto: falta de professores e instalações precárias. Em poucas semanas o movimento ganhou o apoio de sindicatos e de gente que protesta contra a alta do custo de vida e do preço dos combustíveis, e passou a reivindicar mais gasto público e melhores serviços, segundo o g1.

No sábado (17), as ruas receberam a maior manifestação da série. A Terra, contou mais de 500 mil pessoas, em sua maioria pacíficas, nas ruas contra o custo de vida e o acesso cada vez menor a serviços públicos de qualidade, incluindo educação. À noite, grupos de vândalos vestidos de preto e mascarados transformaram parte dos atos em saques e destruição.

O saldo do fim de semana

Os números variam conforme a fonte e o horário em que foram levantados, e vão mudar nos próximos dias. O que os veículos já publicaram:

  • Detidos: 2.400 pessoas foram detidas no sábado, de acordo com o g1. Lecornu afirmou que cerca de 80% dos presos por tumultos e violência no fim de semana enfrentam acusações criminais.
  • Policiais feridos: o Ministério do Interior informou que cerca de mil policiais ficaram feridos no sábado, sete deles gravemente, segundo a Terra.
  • Comércio: estima-se que 1,5 mil lojas e estabelecimentos comerciais foram saqueados e destruídos, de acordo com a mesma reportagem.
  • Mortes: a CNN Brasil fala em ao menos duas mortes e relatos de feridos graves, incluindo duas pessoas que perderam as mãos. Um manifestante morreu ao norte de Paris após uma parada cardiorrespiratória, informou a BFMTV no domingo (18), citando a Polícia de Paris.

Entre os alvos estava uma filial das Galerias Lafayette, em Bordeaux, saqueada na rua Saint-Catherine, a principal via comercial da cidade. Lojas vizinhas, como Decathlon, Intersport e uma Apple Store, também foram atingidas, relatou o g1. A direção das Galerias Lafayette não informou os prejuízos. Uma loja do Olympique de Marseille também foi saqueada, e a Estátua da República, no centro de Paris, foi depredada.

Toque de recolher: onde vale e por quanto tempo

A medida mais visível é o toque de recolher em Paris. Segundo a CNN Brasil, que cita a BFMTV, ele vale das 23h às 6h no horário local (18h à 1h de Brasília) na Place de la République e nas ruas em volta de Les Halles. A emissora havia informado antes que a restrição começaria às 22h.

Em Lille, no norte do país, a restrição vai das 15h de segunda até a 1h de terça-feira (20), no horário de Brasília, informou uma fonte do gabinete do primeiro-ministro à Reuters. A medida também abrange Douai, Wattignies e Denain. Em Nice, menores de idade não podem circular no centro a partir das 21h, decisão anunciada pelo prefeito Éric Ciotti.

Lecornu disse que os toques parciais são uma resposta “mais apropriada” do que decretar estado de emergência em todo o país, embora essa opção não tenha sido descartada por completo. Ele não detalhou quais cidades receberam o poder de impor a restrição.

Louvre fechado e simbolismo da data

O acesso ao Louvre foi bloqueado na manhã de segunda por manifestantes que apoiam o movimento estudantil e denunciam “a repressão policial”. O protesto foi organizado por estudantes da Escola do Louvre e impediu a abertura do museu às 9h. Uma fila de turistas se formou diante da pirâmide.

“Prezados visitantes, devido a um movimento social estudantil, o museu está fechado no momento”, avisou o Louvre em suas redes, conforme o g1. Num panfleto, os estudantes escreveram que estão “orgulhosos de anunciar que bloqueamos o maior museu do mundo”. A data não foi escolhida ao acaso: 19 de outubro marca o primeiro aniversário do roubo de joias que mergulhou a instituição numa crise.

Pressão sobre o governo Macron

O presidente Emmanuel Macron fez um pronunciamento na TV no domingo, pediu unidade nacional e prometeu punir os responsáveis pela violência. Nesta segunda, o governo fez uma reunião de emergência. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, tentou apresentar sua renúncia, informou o Palácio do Eliseu, mas Macron pediu que ele avalie medidas para reforçar a segurança nas ruas e garanta que os responsáveis cheguem à Justiça.

Nuñez é criticado por adversários políticos, por alguns sindicatos e nas redes sociais por não ter se preparado direito e por ter mobilizado efetivo insuficiente para os protestos marcados para sábado. A presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, quer abrir um inquérito para apurar o que aconteceu, segundo a Terra.

Lecornu prometeu ainda uma lei para que os responsáveis paguem pelos reparos em propriedades danificadas e anunciou a criação de um fundo de desemprego parcial para quem não consegue trabalhar porque o negócio está parado. Ele culpou “grupos radicais de extrema esquerda” pela violência. Do outro lado, a secretária-geral do sindicato CGT, Sophie Binet, acusou Macron de ignorar as preocupações dos estudantes, a crise do custo de vida e a queda na qualidade dos serviços públicos.

A porta-voz da União Europeia, Markus Lammert, classificou a violência generalizada de “inaceitável”, mas afirmou que o direito ao protesto pacífico precisa ser protegido e não deve ser confundido com os ataques.

O momento é delicado para o governo. A CNN Brasil lembra que o país está a seis meses da próxima eleição presidencial, com economia fragilizada e dívida crescente, e o g1 destaca que Macron entra na reta final do mandato diante de um eleitorado polarizado e um cenário político fragmentado.

O contágio chegou à Itália

A mesma combinação de revolta com a precariedade dos serviços e o custo de vida apareceu do outro lado dos Alpes. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, decidiu enviar 500 soldados a Milão depois de duas noites seguidas de tumultos e saques no centro, anunciou o vice-premiê Matteo Salvini, segundo o g1. A polícia deteve 271 jovens no domingo em Milão, e 32 foram presos, entre eles 23 menores de idade. Os confrontos de sábado atingiram também Bolonha, Brescia, Bérgamo e Turim.

O pacote de segurança italiano deve ser votado pelo Conselho de Ministros na terça-feira (20) e inclui ampliar a detenção preventiva para adolescentes.

O que esperar

A terça-feira vai mostrar se os toques de recolher funcionam ou se a tensão se desloca para outras cidades. Na França, o governo ainda mantém o estado de emergência como opção, e a Terra informa que os sindicatos convocaram novas manifestações para as próximas semanas. Na Itália, o Conselho de Ministros decide o pacote de segurança no mesmo dia.

Fontes

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