Julgamento de Russell Brand: promotoria fala em predador sexual
Ator britânico de 51 anos nega as sete acusações envolvendo seis mulheres. A defesa só apresenta sua versão depois que a promotoria terminar de chamar testemunhas, e o processo deve entrar em dezembro
Marina Kesslerassinatura editorial do CityTudo14 de outubro de 2026 · 4 min de leitura

O julgamento de Russell Brand entrou na fase de acusação formal nesta quarta-feira (14), no Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres. A promotora Riel Karmy-Jones descreveu o ator e comediante como um “predador sexual implacável, calculista e manipulador”, de desejo “indiscriminado e voraz”. Brand, de 51 anos, ex-marido da cantora Katy Perry, responde a sete acusações envolvendo seis mulheres e nega todas elas. Como em qualquer processo criminal, as afirmações da promotoria ainda precisam ser provadas diante do júri, e a defesa não apresentou até agora a sua versão dos fatos.
Quais são as acusações
Segundo o G1, são três acusações de estupro, três de agressão sexual e uma de importunação sexual, referentes a fatos que teriam ocorrido entre 1999 e 2009, período em que Brand saiu dos palcos de stand-up para a televisão, o cinema e Hollywood. A promotora afirmou ao júri que as seis mulheres não se conheciam e nunca se encontraram. De acordo com a Deadline, as denúncias formais surgiram depois do documentário do Channel 4 exibido em 2023.
Os casos descritos pela acusação cobrem uma década. O primeiro seria de 1999, depois de um show paralelo à conferência do Partido Trabalhista em Bournemouth. A primeira denunciante, que tinha assistido à apresentação e presumido que Brand fosse gay, diz ter sido estuprada no próprio quarto de hotel, para onde o convidou porque achava que ele se interessava por uma causa sobre a qual os dois conversavam. Segundo a Variety, ela tinha 20 e poucos anos e só não denunciou na época por causa da fama do ator, o que, nas palavras da promotora, ela hoje “lamenta profundamente”.
Em 2001, ele é acusado de tentar arrastar uma mulher para um cubículo de banheiro da MTV Europe, onde ela trabalhava. Três anos depois, outra mulher afirma que foi levada a um cubículo de banheiro de um bar e violentada oralmente. Por volta de 2004 ou 2005, uma funcionária de uma empresa de mídia relata agressão sexual no escritório. Os dois últimos casos são de 2009: uma fã que teve relação consensual na casa dele e depois diz ter sido estuprada, e uma funcionária do Channel 4 que afirma ter sido forçada a dar uma massagem e, em seguida, ter o rosto do ator pressionado contra a região genital dela.
O que a promotoria disse ao júri
Karmy-Jones sustentou que algumas das mulheres resistiram e outras nem tiveram chance de reagir, e que isso não alterava o comportamento de Brand. Descreveu um homem capaz de ser engraçado, charmoso e simpático quando queria algo, mas com a expectativa “infantil” de que todos os desejos fossem atendidos. A acusação levou ao tribunal um relato de bastidores: um colega de palco do show de Bournemouth afirmou que Brand se gabava de querer dormir com 5 mil mulheres ao longo da vida.
Ao ser interrogado pela polícia, o ator se recusou a responder às perguntas. Entregou, porém, declarações por escrito em que diz não se lembrar dos episódios, nega ter se envolvido em atividade sem consentimento e admite ter feito sexo em cubículos de banheiro durante festas, conforme a promotoria.
A defesa e o que Brand declarou ao chegar
Brand não falou sobre o mérito das acusações. Ao chegar ao tribunal, disse que se sentia “abençoado” e que, embora preocupado, tinha esperança de que o processo “leve a bons resultados para todos os envolvidos”. A defesa, conduzida pelo advogado Ian Winter KC, segundo a Deadline, vai expor seus argumentos só em uma data posterior, depois que a promotoria terminar de ouvir as testemunhas. Brand já havia se declarado inocente em audiência anterior e sempre disse que suas relações foram consensuais.
Como o caso chegou aos tribunais
A história começou fora do Judiciário. Em setembro de 2023, uma investigação conjunta dos jornais The Sunday Times e The Times com o programa Dispatches, do Channel 4, publicou relatos de estupro, agressão sexual e abuso emocional atribuídos ao ator. Brand negou tudo na ocasião. A Polícia Metropolitana de Londres abriu inquérito e, em abril de 2025, o acusou formalmente de estupro e agressão sexual contra quatro mulheres. Na época, Channel 4 e a produtora Banijay UK anunciaram investigações internas sobre a conduta dele, e a BBC pediu uma revisão do período em que ele trabalhou na emissora.
Em maio de 2025, Brand se declarou inocente de todas as acusações então apresentadas. Em dezembro do mesmo ano, a Promotoria da Coroa acrescentou duas novas acusações, ligadas a duas outras mulheres e a fatos de 2009, o que elevou o total para as sete atuais. O julgamento chegou a ter data em junho de 2026, mas o início foi adiado para outubro, e as acusações foram reunidas em um único processo.
Quanto tempo deve durar
As estimativas variam entre os veículos que acompanham o caso. A Deadline indica que o julgamento pode se estender até dezembro, enquanto a Variety trabalhou com previsão de cerca de seis semanas em sua cobertura do dia. Nenhuma das duas estimativas é definitiva.
O que vem a seguir
A promotoria segue chamando testemunhas. Só depois a defesa terá espaço para apresentar sua versão, e caberá ao júri decidir se Brand é culpado ou inocente de cada uma das sete acusações. Até o veredito, vale a presunção de inocência. O CityTudo acompanha o caso e atualiza esta matéria conforme o julgamento avançar.


