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Busca por "morar no Paraguai" sobe mais de 7.000% após a eleição; veja os outros destinos

Levantamento do CityTudo no Google Trends mostra o Paraguai muito à frente de Uruguai, Chile, Portugal e Estados Unidos. Veja como funciona a residência, quanto custa e os cuidados antes de fazer as malas

Redação Políticaassinatura da editoria

27 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Prédios e shoppings do centro de Ciudad del Este, no Paraguai, vistos do alto (Foto: Cmasi/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0)

A vontade de fazer as malas apareceu com força no Google logo depois do segundo turno. Um levantamento do CityTudo no Google Trends mostra que a pesquisa por “morar no Paraguai” ficou, em média, mais de 76 vezes acima do normal na segunda e na terça-feira (26 e 27), uma alta de cerca de 7.600% em relação à semana anterior à votação. E o país vizinho não foi o único: Uruguai, Chile, Portugal, Canadá e Estados Unidos também tiveram saltos fortes.

O número divulgado por outros veículos, de alta de 1.700% na expressão “como morar no Paraguai”, foi medido em outra janela de tempo, logo na virada do domingo para a segunda. A diferença mostra o que importa nesse tipo de dado: o Trends mede o interesse relativo, não quantas pessoas vão mesmo se mudar.

O ranking dos destinos

Comparamos a média de buscas de 26 e 27 de outubro com a média de 20 a 24 de outubro, usando a mesma consulta para todos os termos, no Brasil. O resultado:

Gráfico de barras com a alta das buscas por morar em outro país após a eleição: Paraguai +7.600%, Uruguai +3.200%, Chile +1.700%, Portugal +980%, Canadá +960%, Estados Unidos +930%, Espanha +850%, Irlanda +710% e Itália +400%

  1. Paraguai: cerca de +7.600%
  2. Uruguai: cerca de +3.200%
  3. Chile: cerca de +1.700%
  4. Portugal: cerca de +980%
  5. Canadá: cerca de +960%
  6. Estados Unidos: cerca de +930%
  7. Espanha: cerca de +850%
  8. Irlanda: cerca de +710%
  9. Itália: cerca de +400%

Alguns termos simplesmente saíram do zero, porque quase ninguém procurava por eles antes: “morar na Argentina”, “morar em Assunção”, “morar em Ciudad del Este” e “morar em Encarnación”. Entre as consultas que mais cresceram junto com “morar no Paraguai” estão “como morar no Paraguai” e “melhores cidades para morar no Paraguai”.

Em volume, o Paraguai também lidera com folga. Nos dois dias depois da eleição, para cada 100 buscas por “morar em Portugal”, que costuma ser o destino mais pesquisado, houve 392 por “morar no Paraguai”, 74 por “morar nos Estados Unidos”, 62 por “morar na Espanha” e 33 por “morar no Uruguai”.

O interesse pelo Paraguai foi maior em Santa Catarina, Mato Grosso, Rondônia, Rio Grande do Sul e Paraná, nesta ordem.

Brasileiros já são a maioria dos novos residentes

O movimento não começou agora. Segundo a Direção Nacional de Migrações do Paraguai, citada pelo IMI Daily, o país concedeu 29.765 residências no primeiro semestre de 2026, 81% a mais do que no mesmo período de 2025. Os brasileiros ficaram com 22.628 delas, 76% do total. Em todo o ano de 2025 foram cerca de 40,6 mil autorizações, 23.526 para brasileiros.

Como tirar residência no Paraguai

Brasileiros podem usar o Acordo de Residência do Mercosul, que tem regras mais simples. Segundo a Direção Nacional de Migrações, em nota da Agência IP, o caminho é este:

  1. Residência temporária Mercosul: vale por 2 anos e não pode ser renovada. O pedido é pessoal e presencial, na Migraciones.
  2. Documentos: documento de identidade válido, certidão de nascimento, comprovante de entrada no país, certidão de estado civil quando for o caso, antecedentes criminais do Brasil, certidão de antecedentes para estrangeiros emitida pela Polícia Nacional paraguaia e declaração juramentada. Os documentos brasileiros precisam de apostila e, quando exigido, tradução oficial.
  3. Residência permanente: precisa ser pedida dentro do prazo, antes de a temporária vencer, para não perder os direitos migratórios.
  4. Cédula paraguaia: a carteira de identidade do país só sai depois que a residência é concedida.

A Migraciones avisa que apresentar os papéis não garante a aprovação. Para quem mora longe da capital, o órgão faz mutirões itinerantes, como o MigraMóvil que atendeu em Ciudad del Este em setembro.

Quanto custa

A taxa da residência temporária Mercosul é de G. 2.230.040, cerca de R$ 2.070 no câmbio desta terça-feira. Na modalidade geral, para quem não usa o acordo do Mercosul, a taxa sobe para G. 2.787.550, perto de R$ 2.590. Fora isso, entram o custo das apostilas e traduções no Brasil, as certidões no Paraguai e eventuais multas.

E os impostos

O sistema paraguaio é simples e tem alíquotas baixas. Segundo a EY, a reforma de 2019 fixou o imposto de renda pessoal em 8%, 9% ou 10% sobre a renda de serviços, conforme a faixa, e 8% sobre rendas e ganhos de capital. O imposto de renda das empresas e o IVA têm alíquota geral de 10%.

Mudar de país, porém, não encerra automaticamente a vida fiscal no Brasil. Quem sai precisa entregar a Declaração de Saída Definitiva à Receita Federal e avaliar com um contador como ficam rendimentos que continuam vindo daqui, como aluguel ou aposentadoria.

Cuidados antes de fechar com uma assessoria

Com a procura em alta, multiplicam-se anúncios de assessorias que prometem “residência garantida” ou “cédula em poucos dias”. Algumas dicas:

  • Desconfie de garantia: a própria Migraciones diz que nenhum documento garante a aprovação.
  • Confira a taxa oficial: o valor cobrado pelo governo é público. Peça para ver separado quanto é taxa e quanto é serviço.
  • Não entregue documentos originais sem recibo e sem saber onde eles vão ficar.
  • Pesquise a empresa no Reclame Aqui e confirme se ela tem registro no Paraguai.
  • Visite antes: custo de vida, saúde e escola variam muito entre Assunção, Ciudad del Este e Encarnación, e vale conhecer a cidade antes de mudar a família.

O que o dado não diz

Pico de busca no Google costuma ser reação imediata a um acontecimento, e boa parte dele é curiosidade. Os próprios números da Migraciones, porém, mostram que a mudança de brasileiros para o Paraguai já vinha crescendo antes da eleição, e o tema deve continuar em alta nas próximas semanas.

Fontes

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