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Safra de grãos deve bater recorde de 360 milhões de toneladas, projeta Conab

Levantamento de agosto aponta alta de 2,4% na produção, puxada por soja e milho, com o Brasil mantendo a liderança nas exportações de soja

Helena KrugHelena Krugdo CityTudo

17 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

Plantação de soja durante a colheita

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra recorde de grãos para o ciclo 2025/26: 360,8 milhões de toneladas, alta de 2,4% em relação ao ciclo anterior, o equivalente a 8,5 milhões de toneladas a mais. O número está no 11º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado pela Conab em 13 de agosto de 2026, e reforça a posição do Brasil como uma das principais potências agrícolas do mundo.

Soja segue como carro-chefe

A soja deve responder por 180,5 milhões de toneladas da safra, segundo o mesmo levantamento da Conab. O Brasil deve manter a posição de maior exportador mundial do grão: a própria Conab projeta exportações recordes de 116 milhões de toneladas da oleaginosa no ciclo 2025/26, consolidando mercados importadores tradicionais como a China ao mesmo tempo em que o país diversifica destinos em meio a mudanças no cenário comercial global.

Milho também cresce

A produção de milho deve chegar a 143 milhões de toneladas na temporada atual, consolidando o par soja-milho como o principal motor do resultado recorde. O crescimento do milho reflete tanto a expansão da área plantada quanto ganhos de produtividade impulsionados por tecnologia de sementes e manejo mais eficiente do solo nas principais regiões produtoras do país, com destaque para o milho de segunda safra, cultivado depois da colheita da soja no mesmo talhão.

Drone sobrevoando plantação ao amanhecer Agricultura de precisão ajuda a elevar a produtividade

Mais área plantada

Parte do resultado vem do avanço da área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares, crescimento de 2,1% puxado principalmente por soja, milho e sorgo. A produtividade média das lavouras também se manteve elevada, próxima dos 4.322 quilos por hectare, patamar semelhante ao da safra anterior. Já o trigo é a exceção do levantamento: a produção deve cair 26,2%, para cerca de 5,8 milhões de toneladas, refletindo uma redução na área cultivada com o grão, movimento associado tanto a fatores climáticos quanto à migração de produtores para culturas consideradas mais rentáveis na atual conjuntura de preços.

O que o resultado significa para a economia

Uma safra recorde tem efeito direto sobre a balança comercial brasileira, já que grãos como soja e milho respondem por parcela expressiva das exportações do agronegócio. O crescimento da área plantada e da produtividade, mesmo com a queda pontual do trigo, mostra um setor que segue expandindo capacidade produtiva ano após ano, o que tende a sustentar o superávit da balança comercial do agronegócio mesmo em cenários de instabilidade em outros setores da economia.

Como a Conab chega a esses números

O 11º Levantamento faz parte de uma série de boletins mensais que a Conab publica ao longo de cada safra, cruzando dados de área plantada, condições climáticas e visitas técnicas a lavouras nas principais regiões produtoras. Ao longo do ciclo 2025/26, a companhia elevou sucessivamente sua projeção de produção total, à medida que a colheita de soja e milho avançava acima do esperado em estados como Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul. Esse processo de revisão contínua é o motivo pelo qual os números costumam mudar de mês para mês, sempre na direção de refletir com mais precisão o que de fato está sendo colhido no campo.

Fontes

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