Agro brasileiro tem trimestre histórico e puxa superávit de US$ 33 bilhões
Exportações do setor somaram US$ 38,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, maior valor da série para o período
Helena Krugdo CityTudo17 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

O agronegócio brasileiro teve o melhor primeiro trimestre da série histórica em 2026, com exportações somando US$ 38,1 bilhões, alta de 0,9% sobre o mesmo período do ano anterior, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior. As importações do setor caíram 3,3%, para US$ 5 bilhões, o que resultou em superávit de US$ 33 bilhões só nos três primeiros meses do ano, avanço de 1,8% sobre o mesmo intervalo de 2025 e reforço do papel do agronegócio como principal motor da balança comercial brasileira.
China segue como maior comprador
China permaneceu como o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro no trimestre, respondendo por 29,8% do total, US$ 11,33 bilhões, alta de 4,7% (mais US$ 510 milhões) sobre o mesmo período de 2025. A União Europeia ficou em segundo lugar, com 14,9% de participação e US$ 5,67 bilhões, seguida pelos Estados Unidos, com 5,9% e US$ 2,24 bilhões. No período, o governo brasileiro abriu 30 novos mercados para produtos agropecuários nacionais, somando mais de 500 mercados abertos ao longo dos últimos anos de gestão, movimento que ajuda a explicar a resiliência das exportações mesmo em um cenário internacional de maior competição por commodities.
Carnes também batem recorde
A carne suína atingiu US$ 846 milhões em exportações (2,2% do total exportado pelo agronegócio no trimestre), alta de 16,4% em valor e 15,3% em volume, que somou 336 mil toneladas. Já a carne bovina in natura teve o melhor resultado em valor da história para o período, US$ 3,98 bilhões (10,5% do total), 37,3% a mais que no primeiro trimestre de 2025, com volume recorde de 702 mil toneladas, 19,7% acima do ano anterior. O desempenho das carnes reflete tanto a abertura de novos mercados importadores quanto a manutenção do status sanitário favorável do rebanho brasileiro perante parceiros comerciais internacionais.
Soja segue como principal produto da pauta exportadora
Um resultado puxado por poucos, mas fortes, produtos
Apesar da diversidade da pauta exportadora do agronegócio brasileiro, uma concentração relativamente pequena de produtos, soja, carnes e derivados de cana, segue respondendo pela maior parte do valor total exportado. Analistas de comércio exterior costumam apontar que essa concentração, embora eficiente no curto prazo, também expõe o setor a maior vulnerabilidade diante de oscilações de preço internacional ou barreiras sanitárias específicas contra um produto isolado.
O panorama mais recente
Mais recentemente, a balança comercial brasileira como um todo, não só a do agronegócio, acumulava superávit de US$ 6,54 bilhões até a quarta semana de julho de 2026, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) reunidos pela Agência Gov. Na comparação com o mesmo intervalo de julho de 2025, as exportações cresceram 9,7%, para US$ 27,59 bilhões, enquanto as importações avançaram 7%, para US$ 21,05 bilhões. Por setor, o agronegócio teve alta de 14,3% no valor exportado no período, somando US$ 6,40 bilhões, puxado principalmente por soja, algodão e carnes, segundo detalhamento do Portal do Agronegócio. No acumulado de janeiro a julho, a balança comercial brasileira soma superávit de US$ 49 bilhões, com exportações de US$ 218,6 bilhões e importações de US$ 169,5 bilhões, número que reforça a trajetória consistente de resultados positivos do setor ao longo do primeiro semestre de 2026.

