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China tenta reduzir dependência de alimentos importados; o que isso significa para o agro brasileiro

15º Plano Quinquenal do país asiático prevê ampliar a produção interna de soja, milho, carne e leite; Brasil precisará diversificar mercados e agregar valor às exportações

Helena KrugHelena Krugdo CityTudo

19 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

Plantação de soja (Wikimedia Commons, CC0)

A China quer produzir mais alimentos internamente e reduzir a dependência das importações, estratégia reforçada em seu 15º Plano Quinquenal, que estabelece metas de segurança alimentar até 2030. O plano prevê ampliar a produção de grãos, investir mais em tecnologia e elevar a autossuficiência em alimentos, incluindo carne bovina e ovina, além de reduzir o uso de farelo de soja na alimentação animal.

A frase que resume a estratégia chinesa

“A tigela de arroz do povo chinês tem que estar firme nas próprias mãos, cheia principalmente de comida chinesa.” A frase, repetida há mais de uma década pelo presidente Xi Jinping, resume a estratégia que orienta a política de segurança alimentar da China: produzir mais internamente e depender menos das importações.

Efeitos que já chegaram ao Brasil

Alguns efeitos da estratégia chinesa já afetam o agronegócio brasileiro: as exportações de milho para a China recuaram após uma safra recorde no país asiático, e a carne bovina brasileira passou a enfrentar cotas de importação, movimento que já inclui diversos outros países fornecedores além do Brasil. O país trabalha para elevar sua autossuficiência em carne bovina e ovina de 70% para 85%.

Por que o Brasil deve continuar relevante

Apesar do movimento, o Brasil deve continuar sendo um fornecedor importante porque a China ainda depende do exterior em produtos como soja e carne: mais de 70% da soja importada pelos chineses no ano passado veio do Brasil. Embora tenha um território maior que o do Brasil, a China dispõe de uma parcela limitada de terras aptas à agricultura, boa parte formada por regiões montanhosas, áridas ou desérticas, além de concentrar menos de 5% da água doce disponível no planeta.

O que muda para as empresas brasileiras

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o cenário não aponta para uma ruptura nem para uma queda drástica das importações chinesas, mas já exige adaptação por parte das empresas brasileiras. Segundo Theo Paul Santana, fundador da consultoria Destino China, “o jogo dos próximos anos não é vender mais tonelada, é vender a melhor tonelada. Isso significa agregar valor, sair da commodity pura para corte premium, produto processado e marca. E diversificar destinos, para não ficar refém de um comprador só”.

Uma dependência que não desaparece por decreto

Como resume o próprio consultor, “continuaremos importantes por um motivo que a própria China reconhece: ela pode fazer maravilhas em engenharia, mas ainda não dá para inventar terra e água”. Ainda assim, Larissa Wachholz, ex-assessora especial do Ministério da Agricultura e sócia da consultoria Vallya Associados, avalia que os planos chineses devem avançar principalmente por meio do aumento da produtividade interna, com apoio de tecnologias como melhoramento genético de sementes e maquinário mais avançado, o que exige atenção contínua do setor exportador brasileiro nos próximos anos.

Fontes

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