Brasil já tem 35 mil drones agrícolas em operação, dez vezes mais que em 2021
País é o segundo maior mercado mundial em aviação agrícola tripulada, e a tecnologia de drones começa a chegar também às pequenas propriedades
Helena Krugdo CityTudo17 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

O Brasil tem hoje cerca de 35 mil drones agrícolas em operação, segundo estimativa do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) citada pela CNN Brasil, um salto em relação aos cerca de 3 mil equipamentos registrados em 2021, crescimento de mais de dez vezes em apenas quatro anos. O avanço acompanha a flexibilização das regras de uso desses equipamentos no campo, iniciada com a Portaria nº 298/2021 do próprio Mapa, e consolida a aviação agrícola, tripulada e não tripulada, como um dos segmentos que mais crescem dentro do agronegócio brasileiro.
O que os equipamentos fazem no campo
Drones e sensores permitem monitorar lavouras com precisão, identificando pragas, deficiências nutricionais e problemas de irrigação. Sensores térmicos ajudam a detectar estresse hídrico, enquanto imagens de alta resolução permitem contar plantas e analisar o espaçamento entre fileiras. Pesquisas da Embrapa mostram que a pulverização por drone tende a ser mais uniforme do que a aplicação por métodos convencionais, com índices de penetração de gotas até 1,9 vez superiores aos dos pulverizadores tradicionais. Em testes de campo, essa precisão ajudou a evitar perdas de até 7% na lavoura de soja e 4,8% na de arroz, na comparação com a aplicação convencional, segundo dados reunidos pela CNN Brasil. A tendência é que essas ferramentas, antes restritas a grandes propriedades, fiquem cada vez mais acessíveis para pequenos e médios produtores.
Tecnologia começa a chegar também às pequenas propriedades
A barreira do custo inicial
Apesar da queda gradual no preço dos equipamentos, o investimento inicial em um drone agrícola de qualidade profissional ainda representa barreira relevante para produtores de pequeno porte, o que tem impulsionado o surgimento de empresas de prestação de serviço que oferecem pulverização e monitoramento por drone sob demanda, sem exigir que o próprio produtor compre o equipamento.
Segundo maior do mundo, mas o título é da aviação tripulada
É comum ouvir que o Brasil é o segundo maior mercado mundial de aviação agrícola, e a informação é verdadeira, mas ela se refere à frota de aeronaves tripuladas, aviões e helicópteros usados para pulverização, e não aos drones. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) reunidos pelo Canal Rural, o país fechou 2025 com 2.866 aeronaves aeroagrícolas tripuladas registradas, mantendo a segunda posição mundial do segmento, atrás apenas dos Estados Unidos, que têm cerca de 3.600 aeronaves. Já no mercado específico de drones agrícolas, o Brasil ainda está atrás de países como China, Japão e Tailândia: a Anac encerrou 2025 com pouco mais de 10 mil drones agrícolas oficialmente cadastrados na aviação civil, número bem menor do que a estimativa do Mapa, provavelmente porque considera apenas os equipamentos formalmente registrados no órgão regulador, e não o total em uso no campo.
Um mercado em franca expansão
Fabricantes nacionais e importadores relatam fila de espera em determinados modelos mais populares, reflexo direto da demanda aquecida do setor. Cooperativas agrícolas também vêm investindo na aquisição compartilhada de drones entre associados, modelo que ajuda a diluir o custo do equipamento entre produtores de menor porte que, isoladamente, não teriam escala suficiente para justificar o investimento individual. O ritmo de crescimento dos últimos quatro anos sugere que a frota brasileira deve continuar se expandindo com força em 2026, ainda que projeções específicas para o número total de unidades no fim do ano variem conforme a metodologia de cada levantamento.

