AGU processa Discord e pede indenização de R$ 500 milhões após fracasso de negociação sobre proteção a menores
Ação civil pública alega dez violações à legislação brasileira e cobra medidas em 15 dias, sob multa diária de R$ 500 mil; Discord chama a ação de "desproporcional"
Felipe Tanakado CityTudo27 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou nesta quarta-feira (26) com uma ação civil pública contra o Discord, pedindo indenização de R$ 500 milhões por danos morais coletivos, depois que uma tentativa de acordo entre o governo federal e a empresa não teve sucesso, segundo reportagem do Terra. A ação também pede multa diária de R$ 500 mil caso a plataforma continue descumprindo a legislação brasileira de proteção a crianças e adolescentes.
O que a AGU alega
Na ação, o governo federal afirma que o Discord não cumpre a legislação brasileira de proteção a crianças e adolescentes no ambiente digital. O advogado-geral da União, Jorge Messias, classificou a situação em termos duros: “Essa plataforma tem permitido a prática de comportamentos ilegais a partir do que chamamos de proteção insuficiente a mulher, crianças, adolescente e animais. Por orientação do presidente da República, o governo federal adotou essa medida. Não podemos tolerar que verdadeiras cracolândias digitais se criem no estado brasileiro”, disse.
As medidas exigidas em 15 dias
Um número de denúncias em alta
Segundo a AGU, a ação decorre da identificação de uma série de violações cometidas pelo Discord e da falha da empresa em adotar medidas de segurança. As denúncias contra a plataforma vêm aumentando: foram 520 registros em 2025, quase três vezes o volume registrado em 2024, e mais 406 apenas nos sete primeiros meses de 2026.
Do banimento das lives à ação na Justiça
O caso é um desdobramento direto da suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil, determinada pela ANPD em 12 de agosto, depois que veio à tona o caso de uma adolescente de 13 anos que se automutilou durante uma live na plataforma e depois morreu. Naquela ocasião, o Discord chegou a admitir falhas no episódio, reconhecendo que seu sistema de segurança levou cerca de duas horas para derrubar a transmissão. Depois da suspensão, o governo tentou negociar diretamente com a empresa um Termo de Ajustamento de Conduta, mas as conversas não avançaram, o que levou a AGU a judicializar o caso.
O que diz o Discord
Em nota, a empresa classificou a ação como “desproporcional” e disse que ela não reflete a abordagem do Discord em relação à segurança e ao cumprimento da legislação brasileira, afirmando ter apresentado uma proposta detalhada para reforçar a segurança, inclusive com investimentos em segurança online. “Acreditamos que há um caminho melhor e seguimos comprometidos em trabalhar com as autoridades competentes para chegar a uma solução que amplie a segurança na plataforma e, ao mesmo tempo, permita que os brasileiros continuem utilizando o Discord”, diz o texto da empresa.
O que vem pela frente
Com a ação protocolada, o Discord tem 15 dias para atender às exigências da AGU antes que a multa diária comece a valer. O desfecho do processo deve servir de parâmetro para como o governo brasileiro pretende responsabilizar grandes plataformas digitais por falhas na proteção de crianças e adolescentes, num momento em que o ECA Digital ainda está em fase inicial de aplicação prática.

