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Efeito Sosa: Vasco rende como G-4 antes de pegar o São Paulo

Desde a estreia do volante argentino, o time de Pedro Emanuel venceu oito de 13 jogos e tem aproveitamento só inferior ao de Flamengo e Palmeiras no Brasileirão, às vésperas da volta contra o Boca

Bruno AndradeBruno Andradeassinatura editorial do CityTudo

17 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Meio-campista de camisa branca com faixa preta dando instruções aos companheiros em um gramado sob luz natural, com a arquibancada cheia ao fundo

O Vasco entra em campo neste sábado, às 21h, no Morumbis, com um número que ajuda a explicar a temporada: em 13 jogos com Santiago Sosa, o time ganhou oito, empatou dois e perdeu três. Segundo levantamento do ge, o aproveitamento de 66,7% desde a estreia do volante, em 16 de agosto, contra o Santos, só perde no Brasileirão para o de Flamengo e Palmeiras, os dois primeiros colocados. O efeito Sosa virou assunto em São Januário justamente na semana em que o clube precisa administrar dois campeonatos ao mesmo tempo.

A partida contra o São Paulo vale a 31ª rodada. Três dias depois, na terça-feira, o Vasco recebe o Boca Juniors na volta da semifinal da Copa Sul-Americana. Entre uma coisa e outra, Pedro Emanuel precisa decidir quem joga, quem descansa e como manter a engrenagem que o argentino ajudou a montar.

O que os números dizem (e o que não dizem)

A conta do ge mistura competições. Os 13 jogos com Sosa incluem Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana, e o próprio texto faz a ressalva ao comparar o aproveitamento com o da tabela do campeonato nacional. Mesmo com o cuidado, o contraste é grande. O Vasco que vinha oscilando na parte de baixo da classificação passou a ganhar com regularidade, e os 66,7% colocam o time num patamar de candidato ao G-4 em termos de rendimento.

A tabela, porém, ainda não reflete isso por completo. O Vasco tem 35 pontos e está a três do Internacional, primeiro clube na zona de rebaixamento, com um jogo a menos. A arrancada em outras frentes e a campanha na liga ainda caminham em velocidades diferentes, e o jogo de hoje é a chance de encurtar essa distância.

Atribuir tudo a um jogador seria exagero. Sosa não chegou sozinho. Lescano e Colidio, que também desembarcaram há poucas semanas, formam com ele o trio de reforços que já virou parte do dia a dia do elenco. A melhora coletiva tem várias mãos, mas é no volante que ela se enxerga primeiro, porque é dele a voz que organiza o meio-campo.

Quem é o volante que virou líder

O Vasco fechou a contratação de Sosa com o Racing por cerca de US$ 7 milhões a US$ 7,5 milhões, o equivalente a R$ 35,5 milhões a R$ 38 milhões dependendo da cotação e de bônus. O clube oficializou a chegada em agosto: o jogador tem 27 anos, foi revelado pelo River Plate, passou pelo Atlanta United, foi capitão do Racing e assinou contrato até dezembro de 2029. Com o Racing, conquistou a Copa Sul-Americana de 2024, o mesmo torneio que o Vasco agora disputa.

A experiência continental aparece na postura. O ge descreve um jogador que grita, dá instruções e já canta o “Casaca”, o tradicional grito da torcida para comemorar vitórias, como se estivesse no clube havia anos. Na Bombonera, antes da semifinal de ida, foi dele a última palavra no vestiário. Na saída para o túnel, disse aos companheiros:

“Hoje é um jogo para desfrutar, hein? Para desfrutar muito, hein? Já viram o campo, o estádio, viram tudo, hein? Desfrutem muito, é um momento único na vida, semifinais de copa não se vivem todos os dias. É semifinal de copa. Personalidade hoje para jogar. Muita personalidade.”

A fala está no texto do ge sobre o efeito Sosa. Horas depois, o Vasco mostrou a personalidade pedida.

A vantagem construída na Bombonera

O Vasco venceu o Boca Juniors por 1 a 0 em Buenos Aires, com gol de cabeça de Adson após cruzamento de Andrés Gómez, e segurou o resultado mesmo com a expulsão do próprio Gómez no segundo tempo. O resultado tem peso histórico. Foi a quarta vez que o Boca saiu da Bombonera com desvantagem num mata-mata, e o Vasco é apenas o quarto brasileiro a derrotar o clube argentino ali em eliminatória. Das três vezes anteriores, o Boca reverteu duas.

Pela vantagem, o Vasco pode até empatar na terça para chegar à final. Só que o jogo ainda não está fechado fora de campo. A briga pelo Maracanã consumiu quase um mês de recursos na Justiça. O Superior Tribunal de Justiça não aceitou o pedido do consórcio formado por Flamengo e Fluminense e manteve o jogo no estádio, os ingressos estão esgotados e a Conmebol havia avisado que uma nova reviravolta levaria a partida ao Paraguai. Com o palco resolvido, o assunto volta a ser futebol.

Como Pedro Emanuel deve escalar o Vasco

O treinador tem o Brasileirão como prioridade equivalente à Sul-Americana. A tendência, porém, é de mudanças pontuais. Cuiabano, Thiago Mendes e Bruno Duarte são os que mais sentiram o desgaste da Bombonera, e Colidio, que saiu com dor muscular contra o Remo, foi liberado e está relacionado. Loide Augusto também entrou na lista, 14 meses depois de seu último jogo pelo clube.

A provável escalação do ge tem Léo Jardim no gol, Puma Rodríguez, Saldivia, Robert Renan e Lucas Piton na defesa, Sosa, Thiago Mendes (ou Tchê Tchê) e Lescano no meio, e Andrés Gómez, Brenner e Colidio no ataque. Nessa formação, o argentino segue como titular e como referência do meio. Se o Vasco repetir o rendimento das últimas semanas, a vitória no Morumbis levaria o time a 38 pontos e abriria seis de vantagem sobre o Internacional, que tem 32.

Um grito que voltou a unir elenco e torcida

O rendimento em campo anda junto com um clima novo fora dele. O “Casaca” foi retomado depois da classificação sobre o Vitória, em Salvador, nas quartas de final da Copa do Brasil. Os jogadores pararam diante da torcida e cantaram juntos, puxados por Biro, roupeiro do clube desde 2003. Virou tradição, em casa e fora. Sosa, Lescano e Colidio já são próximos de Biro, e a torcida já sonha com um grito especial em Barranquilla, sede da final da Sul-Americana, ou em Brasília, na decisão da Copa do Brasil.

A bola rola às 21h no Morumbis. Na terça, às 21h30, o Maracanã lotado decide se o Vasco chega à final da Sul-Americana.

Fontes

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