Ancelotti vai a jogo do Botafogo de olho em nova convocação
Técnico da Seleção Brasileira acompanhou Botafogo x Palmeiras no Nilton Santos antes de anunciar, nesta quarta-feira, a primeira lista do ciclo rumo à Copa de 2030
Bruno Andradeassinatura editorial do CityTudo7 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

Carlo Ancelotti esteve no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, na noite deste domingo (6), para acompanhar de perto a partida entre Botafogo e Palmeiras, válida pela 26ª rodada do Brasileirão. O jogo terminou 0 a 0, mas a presença do treinador da Seleção Brasileira no estádio não tinha relação direta com o resultado em campo: ele estava de olho em nomes que podem entrar na primeira convocação do novo ciclo, marcada para esta quarta-feira (9).
Essa será a primeira lista de convocados divulgada por Ancelotti desde a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026, e também a primeira voltada especificamente para o ciclo que mira o Mundial de 2030.
Companhia de peso na arquibancada
Ancelotti não foi sozinho ao Nilton Santos. Ele chegou ao estádio acompanhado do coordenador executivo geral da CBF, Rodrigo Caetano, do coordenador técnico das seleções, Juan, e do preparador físico Cristiano Nunes. Antes da bola rolar, o italiano ainda conversou pessoalmente com os dois treinadores em campo: Abel Ferreira, do Palmeiras, e Bellão, que comanda o Botafogo interinamente.
A cena virou um dos assuntos mais comentados do fim de semana no meio esportivo brasileiro, já que qualquer aparição de Ancelotti nas arquibancadas antes de uma convocação costuma ser lida como um sinal de quem está sendo avaliado de perto para a Seleção.
Nomes observados para a lista
Ainda não há confirmação oficial de quem estará na lista, que só sai nesta quarta, mas a imprensa esportiva já especula sobre alguns jogadores que estavam em campo naquela noite. Segundo o Lance!, o goleiro Carlos Miguel, do Palmeiras, é um dos nomes com boas chances de figurar na primeira lista pós-Copa, enquanto o lateral Vitinho, do Botafogo, chegou a estar na pré-lista de Ancelotti para o Mundial de 2026, mas ficou de fora da relação final, tendo sido observado pelo treinador em pelo menos duas outras oportunidades antes deste domingo. O volante Danilo, também do Botafogo, já havia sido chamado em convocações anteriores para amistosos antes da Copa.
Nenhum desses nomes, porém, está garantido: Ancelotti é conhecido por manter a lista em sigilo até a divulgação oficial, e a ida ao estádio serve tanto para observar candidatos a estreia quanto para reavaliar jogadores que já vestiram a amarelinha em ciclos recentes.
Os primeiros compromissos do novo ciclo
A primeira Data Fifa depois da Copa do Mundo de 2026 acontece entre 21 de setembro e 6 de outubro. Nesse período, o Brasil enfrenta a seleção australiana duas vezes, nos dias 25 e 29 de setembro, na Austrália, antes de viajar para encarar a Índia, em Calcutá, no dia 3 de outubro. São os primeiros jogos oficiais da Seleção desde a queda no Mundial disputado nos Estados Unidos, no México e no Canadá, e servirão como o pontapé inicial da reconstrução de elenco que Ancelotti já havia sinalizado publicamente.
A escolha de dois adversários fora do eixo Europa-América do Sul, e sem o peso competitivo de partidas eliminatórias, deve dar à comissão técnica mais liberdade para testar jogadores menos rodados na Seleção principal, algo que dificilmente aconteceria em um amistoso contra uma potência europeia.
Uma seleção em reconstrução após a derrota para a Noruega
A eliminação que motivou essa reformulação aconteceu em 5 de julho, quando a Seleção Brasileira perdeu por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, com dois gols de Erling Haaland. Foi a primeira vez em 36 anos que o Brasil não chegou às quartas de final de uma Copa do Mundo, interrompendo uma sequência de oito Mundiais consecutivos avançando pelo menos até essa fase.
Na entrevista coletiva após a partida, Ancelotti lamentou o resultado, mas evitou o tom de crise: “Acho que pelo esforço de hoje não se merecia perder. Mas também temos que avaliar que a equipe rival tem jogadores muito bons, que fizeram a diferença”. O treinador, que tem contrato com a CBF até 2030, foi ainda mais direto sobre o que vem a seguir: “Quando passa um momento assim, tem que se pensar que uma derrota é o começo de uma nova aventura. Temos que seguir melhorando, encontrar novas ideias. Não é um fim. Esta derrota é o início de um novo ciclo”.
A pior campanha em 36 anos
A queda para os noruegueses não é apenas mais uma eliminação precoce: ela representa a pior campanha da Seleção em Copas do Mundo desde 1990, quando o Brasil também caiu nas oitavas de final, na ocasião diante da Argentina. De lá para cá, o país havia mantido presença garantida entre as oito melhores seleções do mundo em nove Mundiais seguidos, um período que incluiu os títulos de 1994 e 2002, o vice-campeonato de 1998, quedas nas quartas em 2006, 2010, 2018 e 2022, e a semifinal de 2014, marcada pela derrota histórica para a Alemanha.
Horas depois da derrota, o perfil oficial da Seleção Brasileira publicou uma mensagem reconhecendo o momento: “A história da Seleção Brasileira é feita de grandes conquistas, mas também de momentos que fortalecem nosso caminho. Hoje nos despedimos da Copa do Mundo, certos de que voltaremos ainda mais fortes. Obrigado, torcida brasileira”. É esse discurso de reconstrução, repetido tanto pela CBF quanto por Ancelotti, que agora ganha um primeiro capítulo prático: a convocação desta quarta-feira e os jogos contra Austrália e Índia.
É justamente esse “novo ciclo” que começa a tomar forma concreta na lista desta quarta-feira. Depois de um mês de agosto em que a comissão técnica já havia divulgado uma convocação de transição, a ida ao Nilton Santos mostra que Ancelotti segue rodando estádios do Brasileirão pessoalmente antes de bater o martelo sobre quem vai representar o país nos primeiros jogos rumo a 2030.
Para o torcedor, a expectativa agora se divide em duas frentes: descobrir quais nomes vão estrear ou retornar à Seleção nesta quarta, e acompanhar como o time se comporta fora de casa, contra Austrália e Índia, em partidas que carregam pouco prestígio histórico, mas que serão as primeiras a mostrar, na prática, qual caminho Ancelotti pretende seguir depois do tropeço diante dos noruegueses.

