Fluminense vence Vasco com gol de Lucho Acosta no clássico
Time de Marcão bateu o rival por 1 a 0 no Maracanã, na 26ª rodada do Brasileirão, três dias antes da ida das quartas de final da Libertadores contra o Platense; jogo também foi marcado por polêmica de arbitragem em pênalti não marcado sobre Serna
Bruno Andradeassinatura editorial do CityTudo6 de setembro de 2026 · 6 min de leitura

O Fluminense venceu o Vasco por 1 a 0 na noite deste sábado (5), no Maracanã, em duelo válido pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. O gol da vitória saiu no segundo tempo, marcado por Lucho Acosta, que havia entrado no decorrer da partida. O resultado chega três dias antes de o time carioca estrear nas quartas de final da Copa Libertadores, contra o Platense, e também ficou marcado por uma polêmica de arbitragem envolvendo um possível pênalti não marcado a favor do time tricolor.
Como saiu o gol da vitória
O placar só foi aberto depois que o técnico Marcão mexeu no time durante a partida. O treinador tirou um Ganso mais cansado para colocar Lucho Acosta em campo, decisão que se mostrou certeira: o argentino “precisou de muito pouco para abrir o placar”, nas palavras do próprio comandante em entrevista coletiva após o apito final. O lance do gol nasceu de uma jogada de Soteldo, que vinha sendo um dos jogadores mais discretos em campo até então: ele foi “facilmente vencido por Paulo Henrique e Andrés Gómez nas chegadas do Vasco e fazia um jogo muito ruim até achar linda assistência para Lucho Acosta, que mudou o rumo do jogo”, segundo a avaliação de desempenho publicada pelo ge logo após a partida.
Fluminense vence Vasco e mantém o G4 do Brasileirão
Com o resultado, o Fluminense chegou aos 45 pontos e segue na 4ª colocação da tabela do Brasileirão, dentro do grupo que hoje garantiria vaga direta na fase de grupos da Libertadores do próximo ano. Lucho Acosta resumiu o clima do vestiário após o apito final: “Dá muita confiança e moral para nós. Terça-feira é fazer um grande jogo, temos que aproveitar que jogamos em casa e fazer os primeiros 90 minutos bons”, disse o meia argentino, já de olho no confronto direto com o Platense. A ida das quartas de final da Libertadores acontece nesta terça-feira, às 19h, no próprio Maracanã.
As mudanças táticas de Marcão durante o clássico
O treinador explicou que a estratégia inicial precisou de ajustes ao longo da partida diante da postura ofensiva do Vasco. “O Vasco colocou o Puma, o Canobbio fez uma grande partida tática… optamos pelo Arana para dobrar com o Renê, e colocamos o Canobbio por dentro para revezar com o Serna. Tem um lance que poderia ser do VAR, que o Adson segurou o Serna”, avaliou Marcão, reconhecendo já na entrevista o lance polêmico do segundo tempo. O treinador também confirmou que poupou peças importantes visando a Libertadores: Thiago Silva ficou fora por “um incômodo no joelho” e a comissão técnica optou por preservá-lo, assim como Hércules, para que cheguem “limpos” e “100%” para o duelo com o Platense.
O pênalti não marcado que virou polêmica
O lance mais discutido do jogo aconteceu aos 35 minutos do segundo tempo. Serna foi lançado em velocidade nas costas da defesa vascaína e foi perseguido por Adson, o jogador mais recuado do Vasco naquele momento; sem conseguir alcançar o atacante, Adson tentou atrapalhar a finalização com um puxão no ombro do rival, que se desequilibrou e chutou sem força para a defesa do goleiro Léo Jardim. O árbitro Davi Lacerda considerou o lance legal e não parou o jogo, e o VAR também não chamou o árbitro para rever a jogada no monitor. PC Oliveira, comentarista de arbitragem do Grupo Globo, discordou publicamente da decisão: para ele, houve pênalti no lance, e Adson deveria até ter sido expulso por ser considerado o último homem da defesa vascaína.
Hulk critica arbitragem do primeiro tempo
A insatisfação com a arbitragem já vinha do primeiro tempo, quando o jogo foi truncado por faltas duras e reclamações constantes, principalmente do lado tricolor. Ao todo, cinco jogadores de linha saíram advertidos com cartão amarelo ainda na etapa inicial: Paulo Henrique e Andrés Gómez, pelo Vasco, além de Ignácio, Soteldo e Hulk, pelo Fluminense, sendo que os dois últimos foram amarelados por reclamação. Hulk foi um dos mais duros na crítica após a partida: “Um jogo desse tamanho, um dos maiores clássicos do Brasil, não pode contar com um árbitro que não tem personalidade. Não existe isso. Se você pegar o lance ali que o Canobbio está disputando a bola, acho que com o Paulo Henrique, ele dá uma peitada no Canobbio, eu nunca vi isso no futebol no mundo. O árbitro peitar o jogador”, afirmou o atacante, que completou pedindo apenas coerência nas marcações: “O que a gente cobra é só critério. Se tiver critério não tem reclamação, só que não tem critério”.
Vasco segue na zona de rebaixamento do Brasileirão
Do outro lado, a derrota deixa o Vasco em situação delicada na tabela. O time cruzmaltino permanece, por mais uma rodada, dentro da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, justamente em um momento de calendário apertado, já que a equipe também disputa simultaneamente a Copa Sul-Americana e a Copa do Brasil. Apesar do resultado negativo, a atuação do time no primeiro tempo foi elogiada: o Vasco chegou a ser superior ao Fluminense na etapa inicial, criando mais chances, mas esbarrou na falta de pontaria para transformar o domínio em gols.
Pedro Emanuel: “Faltou efetividade”
O técnico português Pedro Emanuel lamentou a falta de pontaria do time na frente de ataque recém-formada. “Faltou, de fato, a efetividade. E eu também compreendo, porque foi a primeira vez que essa frente de ataque também jogou junta. Precisa se conhecer. Não temos tempo para treinar, temos tempo para jogar e tem que ser através do jogo”, avaliou o treinador, que assumiu o comando do Vasco recentemente e ainda ajusta o elenco. Questionado sobre a arbitragem, Pedro Emanuel evitou colocar a culpa da derrota no árbitro, mas fez uma ressalva: “O critério mais largo do árbitro nós não estamos tão habituados… A única questão que eu acho que vale a pena realçar aqui é que, por vezes, faltas num dérbi mais duras… devem ser advertidas com cartões”, ponderou, reconhecendo que o time “não pode se queixar das faltas que têm sido” a seu favor ao longo da partida.
Vasco também lamenta lesão de Adson antes de viagem a Bogotá
Além do resultado, o Vasco também lida com uma preocupação física: Pedro Emanuel revelou que Adson, um dos jogadores envolvidos no lance do pênalti não marcado, sentiu um problema físico após entrar em campo e foi retirado por precaução, ainda sem diagnóstico fechado sobre a gravidade. “Não sei ainda o que é que poderá ser, se terá sido alguma coisa mais grave ou não, mas, pelo sim, pelo não, achei melhor nós tirarmos para não complicar mais as coisas”, disse o treinador, que já projeta a sequência de jogos decisivos da equipe.
O que vem por aí para os dois times
O calendário não dá trégua para nenhum dos dois clubes. Enquanto o Fluminense se prepara para receber o Platense pela ida das quartas de final da Libertadores nesta terça-feira, no Maracanã, o Vasco embarca para a Colômbia para enfrentar o Santa Fé, em Bogotá, pela ida das quartas de final da Copa Sul-Americana, também na terça. Pedro Emanuel adiantou que vai priorizar a montagem de uma equipe “competitiva e fresca” para lidar com a viagem longa e a altitude da capital colombiana, sem abrir mão do foco no Brasileirão, já de olho também no confronto direto contra o Grêmio no returno da competição nacional, apontado pelo próprio treinador como decisivo na briga para deixar a zona de rebaixamento.

