Semifinal do Brasileirão Feminino tem Corinthians x Bahia
Quadro fica completo após Corinthians eliminar o Cruzeiro nas quartas de final; Bahia segue como a grande zebra da competição ao enfrentar as paulistas em busca de uma final inédita
Bruno Andradeassinatura editorial do CityTudo8 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

O quadro da semifinal do Brasileirão Feminino 2026 está fechado. O Corinthians confirmou vaga na última das quatro partidas de quartas de final ao vencer o Cruzeiro por 3 a 1 no Estádio do Canindé, nesta segunda-feira (7), fechando o agregado em 4 a 1 e definindo os dois confrontos da próxima fase: as paulistas enfrentam o Bahia, enquanto Flamengo e São Paulo fazem o outro duelo, ambos com jogos de ida e volta marcados para os dias 13 e 20 de setembro.
Como o Corinthians fechou a classificação
Depois de vencer a ida em Belo Horizonte por 1 a 0, o Corinthians precisava apenas administrar a vantagem em casa, mas a partida no Canindé começou com sobressalto: a atacante Marília abriu o placar para o Cruzeiro logo aos seis minutos de jogo. O time paulista, no entanto, reagiu rápido: Jhonson empatou aos 19 minutos, Tamires virou o placar pouco depois, e Thaís Ferreira ampliou já na etapa final para fechar a vitória por 3 a 1, garantindo a vaga contra o Bahia na semifinal.
Bahia segue como a zebra da competição
O adversário das paulistas chega embalado por uma campanha histórica. O Bahia eliminou o Palmeiras, atual campeão da Copa do Brasil Feminina, nos pênaltis por 5 a 4, depois de um novo empate por 1 a 1 no tempo normal na Arena Barueri, e se tornou o primeiro clube nordestino a disputar uma semifinal de Brasileirão Feminino desde que a competição existe. A goleira Yanne foi decisiva na disputa de pênaltis, defendendo a cobrança de Tainá Maranhão depois de já ter pego uma tentativa de Bia Zaneratto no jogo de ida.
Para o Corinthians, o duelo também tem sabor de reencontro recente: o confronto das quartas reeditou a final do Brasileirão Feminino de 2025, vencida pelas paulistas justamente contra o Cruzeiro. Agora, o time de Vic Albuquerque, Jhonson e companhia terá pela frente um adversário sem tradição na fase final da competição, mas que chega motivado por uma campanha que já superou as expectativas do próprio clube.
Flamengo encerra jejum de sete anos
Do outro lado da chave, o Flamengo voltou a uma semifinal de Brasileirão Feminino depois de sete anos de espera. O time carioca havia vencido a ida contra a Ferroviária por 1 a 0 e precisou segurar um empate de 2 a 2 no jogo de volta, em Araraquara, mesmo jogando os últimos minutos com uma jogadora a menos após a expulsão de Monalisa. Fabi Simões e Jucinara marcaram para as cariocas, enquanto Thayslane e Dos Santos descontaram pela Ferroviária; um pênalti a favor das paulistas ainda foi anulado pelo VAR na etapa final, e um gol da Ferroviária foi invalidado por impedimento.
São Paulo decide no fim contra o Grêmio
O adversário do Flamengo chega como a equipe com a melhor campanha de toda a fase de classificação. Depois de um 0 a 0 na ida, o São Paulo só resolveu o confronto contra o Grêmio nos minutos finais da volta, disputada sob forte chuva no Estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas: Giovanna Crivelari abriu o placar aos 44 minutos do segundo tempo, e Vi Amaral ampliou já nos acréscimos para fechar a vitória por 2 a 0. O resultado manteve o retrospecto de melhor campanha do São Paulo na competição e credenciou o time tricolor como um dos favoritos ao título.
Formato ampliado e premiação recorde
A edição de 2026 do Brasileirão Feminino chegou com mudanças estruturais importantes, que ajudam a explicar o nível elevado das quartas de final. O campeonato passou de 16 para 18 clubes nesta temporada, e o mata-mata de quartas, semifinal e final passou a ser disputado em jogos de ida e volta, diferente de edições anteriores em que só a decisão tinha dois jogos. A premiação também cresceu: cada clube da Série A1 garante uma cota fixa de R$ 720 mil por participar da primeira fase, o dobro do valor pago na temporada anterior, enquanto o campeão vai receber R$ 2 milhões e o vice-campeão R$ 1 milhão.
Um torneio historicamente dominado pelo Corinthians
O favoritismo do Corinthians na semifinal não vem só da campanha desta temporada. O clube paulista é o maior campeão da história do Brasileirão Feminino, com sete títulos conquistados desde a criação da competição em 2013, incluindo uma sequência de seis taças consecutivas entre 2018 e 2025, interrompida apenas pelo título da Ferroviária em 2019. Depois da Ferroviária, com dois títulos, o restante da lista de campeãs é dividido entre Centro Olímpico, Rio Preto, Santos e o próprio Flamengo, cada um com uma taça conquistada em anos isolados.
Justamente o Flamengo é quem venceu a única edição do torneio em que o Corinthians não chegou nem à decisão, em 2016, ano que também marca o único título nacional da história do futebol feminino do clube carioca. Já o São Paulo, apesar de ser um dos times mais tradicionais do país, nunca levantou a taça do Brasileirão Feminino, o que faz da campanha atual, com a melhor pontuação entre os 18 clubes da Série A1, uma tentativa de romper esse retrospecto justamente diante de um rival, o Flamengo, que também busca voltar a brigar pelo título depois de quase uma década fora do páreo.
O que vem pela frente
Com os quatro semifinalistas confirmados, a CBF já reservou os dias 13 e 20 de setembro, ambos domingos, para os jogos de ida e volta da semifinal, com a decisão do título programada para 27 de setembro e 4 de outubro, também em partidas de dois jogos. Corinthians e São Paulo, que tiveram as melhores campanhas entre os quatro classificados, devem decidir suas vagas jogando por último em casa, um critério que costuma favorecer quem chega mais bem colocado à fase eliminatória.
Para o Bahia, chegar à semifinal já representa a melhor campanha da história do clube no futebol feminino profissional, e uma eventual vitória sobre o Corinthians colocaria o time baiano na primeira final de sua história no torneio, algo inédito para qualquer representante do Nordeste. Já o Flamengo tenta voltar a uma decisão nacional depois de sete anos, contra um São Paulo que chega como favorito pela regularidade da campanha, mas que terá pela frente um rival que cresceu de produção justamente nos jogos mais difíceis da temporada.

