São Paulo vira em Itaquera na final do Brasileirão Feminino
Tricolor bate o Corinthians por 2 a 1, encerra a invencibilidade das Brabas na Neo Química Arena e decide o título no Morumbis, no dia 3 de outubro, com a vantagem do empate
Bruno Andradeassinatura editorial do CityTudo27 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

O São Paulo saiu de Itaquera com meio troféu na mão. As Soberanas venceram o Corinthians de virada por 2 a 1 neste sábado (26), na Neo Química Arena, no primeiro jogo da final do Brasileirão Feminino. Gabi Zanotti abriu o placar para as donas da casa, Giovanna Crivelari empatou ainda no primeiro tempo e Isa Guimarães fez o gol da vitória na etapa final. Agora o time tricolor joga pelo empate no Morumbis, no próximo sábado, para ganhar pela primeira vez o Brasileirão Feminino A1.
O resultado pesa mais pelo lugar onde aconteceu. Foi a primeira derrota do time feminino do Corinthians na Neo Química Arena: em 33 jogos no estádio, a equipe soma 29 vitórias, três empates e agora uma derrota. E a queda veio diante de mais de 21 mil torcedores, segundo o mesmo levantamento do Terra.
Como foi o jogo em Itaquera
O Corinthians começou do jeito que costuma começar em casa, empurrando. Aos 9 minutos, Vic Albuquerque cruzou da direita e Zanotti subiu para cabecear e fazer 1 a 0. A vantagem durou pouco. Crivelari empatou aos 20 minutos, finalizando de primeira um cruzamento de Duda Serrana. A atacante já tinha decidido a classificação contra o Grêmio nas quartas e voltou a aparecer em jogo grande.
O São Paulo cresceu depois do empate. Robinha quase marcou um golaço aos 34 minutos e Isa mandou uma finalização cruzada rente à trave. O gol da virada saiu de um erro corintiano. Aos 23 minutos do segundo tempo, a defesa alvinegra errou na saída de bola, Aline Milene enfiou para Isa Guimarães e a atacante tocou na saída da goleira Nicole. Karla Alves e Aline Milene ainda tiveram chances para ampliar, com Nicole salvando o Corinthians de um placar pior.
O que cada time precisa no Morumbis
A conta é simples para o lado tricolor. O São Paulo precisa apenas de um empate para conquistar o campeonato. O Corinthians terá de vencer por dois ou mais gols de diferença para ficar com a taça, e uma vitória por um gol leva a decisão para os pênaltis. Não há prorrogação.
O jogo de volta está marcado para sábado, 3 de outubro, às 16h30 (de Brasília), no Morumbis. A ida teve transmissão de Globo, TV Brasil, SporTV, NSports e GE TV. Quando a semifinal terminou, as datas previstas para a final eram 27 de setembro e 4 de outubro, e os dois jogos acabaram antecipados em um dia.
O mando da volta com o São Paulo não caiu do céu. O time terminou a primeira fase na liderança e ganhou o direito de decidir em casa todos os mata-matas. Foram 41 pontos em 17 rodadas, com 13 vitórias, dois empates e duas derrotas, contra 38 pontos do Corinthians, segundo colocado com 12 vitórias, dois empates e três derrotas.
O caminho das duas finalistas
O São Paulo chegou à final sem sustos na semifinal. Venceu o Flamengo por 3 a 1 na ida e por 1 a 0 na volta, em 19 de setembro, no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas, fechando o agregado em 4 a 1. Kesya Senna fez o gol da volta no fim, depois de passe de Mylena. O jogo foi para Campinas porque o Morumbis recebia o time masculino no mesmo dia.
O Corinthians passou pelo Bahia com dois placares magros. A equipe venceu por 1 a 0 em Salvador e repetiu o 1 a 0 em Itaquera, em 21 de setembro, com gol de Jhonson aos 44 minutos do primeiro tempo. O time segurou o resultado mesmo com Thaís Regina expulsa ainda na etapa inicial. Foi a décima final seguida do clube no Brasileirão Feminino, segundo o Terra.
Do lado baiano, a eliminação fechou a melhor temporada do clube no torneio. O Bahia terminou a primeira fase em sexto, com 29 pontos, eliminou o Palmeiras nos pênaltis e virou o primeiro clube nordestino a chegar a uma semifinal do Brasileirão Feminino A1. O time ainda tem a Copa do Brasil pela frente, e o adversário das quartas de final é justamente o São Paulo.
Hegemonia corintiana em jogo
O Corinthians defende uma sequência que ninguém no futebol feminino brasileiro chegou perto de igualar. O clube soma sete títulos do Brasileirão Feminino e é o maior campeão da competição, com seis taças seguidas desde 2020. Uma virada no Morumbis daria às Brabas o oitavo troféu e o sétimo consecutivo.
O São Paulo nunca levantou essa taça. A única final anterior do clube foi em 2024, quando perdeu justamente para o Corinthians. Naquela decisão, as corintianas venceram as duas partidas, por 3 a 1 e 2 a 0. Dois anos depois, o roteiro virou: agora é o Tricolor quem chega à volta com vantagem e mando.
Há dinheiro grande em disputa também. Desde esta temporada, o campeão da Série A1 recebe R$ 2 milhões e o vice fica com R$ 1 milhão, e cada um dos 18 clubes garantiu cota fixa de R$ 720 mil pela primeira fase. A cota da primeira fase dobrou em relação a 2025, segundo o Terra.
O que esperar da volta
O histórico recente do São Paulo em casa pesa a favor. O time decidiu os dois mata-matas anteriores jogando a volta com mando, contra Grêmio e Flamengo, e venceu os dois jogos sem sofrer gol. Contra o Grêmio, a vaga só saiu nos minutos finais, com gols de Crivelari e Vi Amaral. Contra o Flamengo, Kesya Senna resolveu no fim. Na final, o Tricolor já mostrou em Itaquera que sabe reagir depois de sair atrás, e Isa e Crivelari chegam à volta com gol marcado na ida.
Ao Corinthians cabe fazer o que não conseguiu em Itaquera. O time abriu o placar cedo, cedeu o empate 11 minutos depois e errou na saída de bola no lance que decidiu a partida. Para ganhar por dois gols no estádio do rival, vai precisar de mais volume ofensivo e de menos falhas atrás. Se vencer por um gol, a taça sai nos pênaltis, sem prorrogação.
A decisão começa às 16h30 do sábado, 3 de outubro, no Morumbis. Um empate encerra seis anos de domínio corintiano no Brasileirão Feminino e dá ao São Paulo a primeira taça da Série A1 da sua história.


