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Caso Rojo: o que o Flamengo pede para ir à final da Libertadores

Eliminado nos pênaltis pelo Estudiantes, o clube carioca protestou na Conmebol contra a escalação do zagueiro, liberada de forma provisória pelo CAS. A decisão ainda não tem data, e a final contra o Palmeiras é em 28 de novembro

Redação Futebolassinatura da editoria

28 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Vista aérea do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, onde Flamengo e Estudiantes empataram em 0 a 0 na semifinal da Libertadores (Foto: Diego Baravelli/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0; imagem de arquivo, não é do jogo)

O caso Rojo virou o assunto mais incômodo da Libertadores 2026. Eliminado pelo Estudiantes nos pênaltis, depois de um 0 a 0 no Maracanã, o Flamengo protocolou na Conmebol uma reclamação contra a escalação do zagueiro Marcos Rojo e quer ser declarado vencedor da semifinal. Segundo o ge, o clube espera o julgamento da Corte Arbitral do Esporte (CAS) e se mostra otimista. O Estudiantes diz que não há risco algum. A final, contra o Palmeiras, está marcada para 28 de novembro.

Como Rojo chegou ao Maracanã

A história começa com um problema de calendário. O Estudiantes perdeu dois zagueiros titulares, Pirez e Tomás Palacios, suspensos para o primeiro jogo da semifinal, e foi buscar Marcos Rojo, que estava no Racing e havia rompido relações com o presidente Diego Milito. De acordo com o ge, o clube pagou US$ 500 mil pela contratação e assumiu bônus de US$ 250 mil se chegasse à final e de US$ 450 mil em caso de título.

O problema é que a janela de transferências na Argentina havia fechado em 2 de setembro, e Rojo disputou jogos oficiais pelo Racing até 27 de setembro. Conforme a cronologia reunida pelo UOL a partir da nota do Flamengo, o Estudiantes pediu à Conmebol em 9 de outubro a inclusão do atleta na lista da semifinal, no lugar de um jogador lesionado. A Conmebol consultou a Fifa, que reforçou que as regras de períodos de inscrição valem também para transferências nacionais, e recusou o pedido em 14 de outubro, mantendo a negativa no dia 15. Rojo ficou fora do jogo de ida.

A Federação Argentina permitiu a inscrição dele no campeonato local, mas a regra da Libertadores é da Conmebol. Sem resposta favorável, o Estudiantes recorreu ao CAS e pediu urgência. Pelas normas regulares do tribunal, a Conmebol teria 20 dias úteis para responder, segundo a CNN Brasil.

O que o CAS decidiu e o que não decidiu

Em 21 de outubro, véspera da partida no Maracanã, o CAS concedeu uma medida cautelar e incluiu Rojo na lista da competição. Ele foi titular na lateral esquerda. A decisão, porém, foi parcial, e é aí que mora a disputa jurídica.

O ge teve acesso à última página do documento, assinado por Antonio de Quesada. O tribunal escreveu que o interesse do jogador em preservar “uma oportunidade esportiva de especial relevância que talvez não volte a ter” prevalece, para efeitos cautelares, sobre os argumentos contrários, e que a participação dele não comprometeria a integridade da competição. Mas o CAS rejeitou o pedido do Estudiantes para que a escalação não pudesse ser usada pela Conmebol como base para sanção esportiva ou disciplinar. O trecho mais citado pelos dois lados diz que cabe ao Estudiantes e ao jogador “realizar uma avaliação de riscos” caso o laudo final do CAS não confirme a elegibilidade de Rojo.

Em outras palavras, o tribunal deixou Rojo jogar, mas não prometeu que o resultado ficaria intacto. O Flamengo, que foi incluído no processo pelo próprio Estudiantes em 16 de outubro, escreveu ao CAS que a eventual participação do zagueiro ocorreria “por conta e risco exclusivos do Estudiantes”, com direito de apresentar reclamação por escalação irregular.

O pedido do Flamengo

Depois do apito final, o Flamengo apresentou a reclamação com base no artigo 24.1.b do Código Disciplinar da Conmebol e pediu que o caso seja decidido antes da final. Em nota, o clube afirmou que não iniciou nenhum procedimento sobre a inscrição de Rojo e que “não se trata de buscar resultado fora de campo”, mas de garantir que as regras valham para todos.

O artigo 19 do código prevê que a equipe responsável por uma escalação indevida “será considerada perdedora desse encontro por 3 a 0”. É essa a consequência que o clube carioca quer ver aplicada. O ge lembra que o Flamengo se apoia em dois precedentes da própria Conmebol com clubes brasileiros: o Santos, eliminado nas oitavas de 2018 por escalar o meia Carlos Sánchez, e a Chapecoense, que perdeu pontos na fase de grupos pela escalação do zagueiro Luiz Otávio.

Se a tese vencer, o 0 a 0 virado em 3 a 0 mandaria o Flamengo à decisão no lugar do Estudiantes.

A defesa do Estudiantes

O presidente do clube argentino, o ex-meia Juan Sebastián Verón, nega qualquer risco. À rádio La Red, ele afirmou que o clube se assessorou com o advogado Ariel Reck antes de agir: “Se ele tivesse nos dito que isso não era válido, não teríamos feito nada”. Para Verón, a habilitação pelo CAS basta: “Nós não corremos riscos de não jogar a final”. Ele admitiu que o clube aguarda a resolução definitiva do tribunal e que não sabe se ela sairá antes ou depois do jogo decisivo.

O clima azedou fora da imprensa. Depois de o técnico Leonardo Jardim dizer, após a vitória por 3 a 2 sobre o Atlético-MG, que a reversão era “possível”, mas que o tema estava “no departamento jurídico”, o secretário de finanças do Estudiantes, Juan Martín Ongay, respondeu num comentário no Instagram: “Se ele quiser vir ver, a gente convida”.

Palmeiras no meio do processo

O adversário na final também entrou na história. Segundo a coluna de Danilo Lavieri no UOL, o Palmeiras foi arrolado no processo do CAS como parte interessada por estar classificado para a decisão, assim como o Fluminense, semifinalista eliminado. Nenhum dos dois se manifestou até agora. A coluna informa que o Palmeiras quer o assunto resolvido antes de 28 de novembro.

Em público, o clube já tomou lado. A presidente Leila Pereira criticou a tentativa do Flamengo, e o técnico Abel Ferreira disse que o Palmeiras está na final “por mérito e sem asterisco” e que o Estudiantes “ganhou dentro de campo”, embora tenha avisado que as questões jurídicas “não são comigo”.

A torcida está dividida

No Maracanã, antes do jogo com o Atlético-MG, o ge ouviu rubro-negros sobre o assunto. Marlon defendeu a briga jurídica: “Escalaram errado, têm que perder”. Já Roberto preferiu virar a página: “Perdeu no campo, deixa para lá”. A divisão se repetiu nas redes sociais, entre os empolgados com a chance de reencontrar o Palmeiras numa final e os que preferem respeitar o resultado de campo.

O que vem a seguir

O calendário é o ponto crítico. O CAS ainda não marcou data para o julgamento de mérito, e a Conmebol, que julga a reclamação do Flamengo na esfera disciplinar, não comentou o caso enquanto ele está aberto. O ge informa que a final será no Estádio Centenário, em Montevidéu, no dia 28 de novembro.

Há ainda um efeito prático para o Flamengo. O time garantiu matematicamente, com a vitória de segunda-feira, vaga na Libertadores de 2027. Se a reclamação falhar, esse será o único caminho para o torneio. Se der certo, o clube joga a decisão deste ano.

O Estudiantes, por ora, segue classificado em campo. Qualquer mudança depende de uma decisão que Conmebol e CAS ainda não anunciaram.

Fontes

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