Atlético-MG pega o Boca na final da Sul-Americana sem Alan Franco
Galo perdeu por 2 a 0 para o City Torque, mas avançou pelo 3 a 2 no agregado, garantiu ao menos R$ 12,9 milhões e terá desfalque na lateral para decidir o título em Barranquilla
22 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

O Atlético-MG está na final da Sul-Americana pela segunda vez seguida, mas o caminho até lá terminou com um susto e um desfalque. Na noite de quarta-feira (21), no Estádio Centenário, em Montevidéu, o Galo perdeu por 2 a 0 para o Montevideo City Torque e só avançou porque havia vencido a ida por 3 a 0. O agregado de 3 a 2 garantiu a vaga na decisão contra o Boca Juniors, marcada para 21 de novembro, um sábado, em Barranquilla, na Colômbia.
O custo do jogo no Uruguai apareceu antes mesmo da viagem de volta. O lateral-direito Alan Franco foi expulso e não joga a final, o que obriga o técnico Eduardo Domínguez a escolher entre Natanael e Angelo Preciado para a posição.
Um jogo ruim que não custou a vaga
A vantagem construída na Arena MRV, onde o Atlético venceu por 3 a 0 com gols de Reinier, Bernard e Thiago Borbas, permitia perder por até dois gols de diferença. Domínguez não arriscou: repetiu o time da ida, sem poupar ninguém, nem mesmo os jogadores pendurados.
Não adiantou muito. Na análise do ge, o City Torque ditou o ritmo de todo o primeiro tempo, enquanto o Galo se fechou, tentou armar o contra-ataque e acabou encaixotado no próprio campo, sem conseguir conectar jogadas. O goleiro Gabriel Delfim fez duas defesas decisivas na etapa inicial e segurou o placar. O time melhorou um pouco do ponto de vista técnico no segundo tempo, chegou a acertar o travessão com Reinier e parou por aí.
A expulsão complicou de vez. Alan Franco já tinha o primeiro amarelo e, segundo a CNN Brasil, subiu com o cotovelo no rosto de um adversário e levou o segundo cartão. O árbitro chegou a mostrar amarelo para Lyanco por engano e corrigiu depois de ser avisado pelo VAR. Com um a menos, o Atlético recuou, reforçou a zaga com três defensores e sofreu os gols nos minutos finais, aos 43 e aos 48. O terceiro não veio por falta de tempo.
As notas do ge para o jogo apontam o desgaste: Lyanco, que protegeu bem a área no primeiro tempo, caiu de rendimento e participou dos dois gols do rival. A avaliação geral foi que o time fez um dos piores jogos desde a Copa, mas foi melhor nos 180 minutos da semifinal e chegou com justiça à decisão.
O que Bernard e Domínguez disseram
Depois do apito final, o meio-campista Bernard não escondeu o incômodo com a atuação. Em entrevista reproduzida pela CNN Brasil, ele afirmou: “Não fizemos um bom jogo, intenso, não conseguimos ter intensidade. Mas não podemos achar que é terra arrasada. Conseguimos um feito de estar em uma final de Sul-Americana. O que nos cabe é ajustar”.
O jogador também deixou claro que apenas chegar não basta. “Importante (chegar à final), mas temos que vencer. Tem que vencer. Não adianta só chegar na final, ter uma boa campanha, um bom ano. No final, a gente acaba vivendo de títulos”, disse Bernard.
Domínguez foi no mesmo tom, com um recado sobre o histórico recente do clube. Segundo o ge, o treinador disse que os atletas estão mais seguros para uma nova final e que o grupo faria “o maior esforço para conseguir o que não se conseguiu nos anos passados”. Ele lembrou ainda que o time chegou à reta final da temporada brigando em três frentes: Brasileirão, Copa do Brasil e Sul-Americana.
Terceira final continental em três anos
O Galo carrega cicatrizes. Em 2024, perdeu a final da Libertadores para o Botafogo. Em 2025, empatou por 0 a 0 com o Lanús na decisão da Sul-Americana e perdeu nos pênaltis por 5 a 4. Agora, é a terceira final continental seguida em três anos.
Com duas decisões na competição, o Atlético igualou Athletico-PR e São Paulo como os brasileiros com mais finais de Sul-Americana. Ao todo, 12 clubes do país já chegaram a esse ponto. O Galo busca o primeiro título do torneio, e ele traria um bônus esportivo: a taça vale a vaga na Libertadores de 2027.
A campanha deste ano teve emoção em quase todas as fases. O time liderou o Grupo B, eliminou o Bragantino com um gol de Cuello nos acréscimos do segundo tempo, passou pelo Santos nos pênaltis, depois de um 4 a 2 no tempo normal, com três defesas do goleiro Gabriel Delfim, e fechou a semifinal com o susto de Montevidéu. Antes da competição começar, o diretor de futebol Paulo Bracks havia dito que o clube chegaria à final “aos trancos e barrancos de novo”. A previsão, no fim, se cumpriu.
O adversário e o palco da decisão
O Boca Juniors chegou à final ao eliminar o Vasco, com vitória por 3 a 1 no Maracanã. Os argentinos buscam o terceiro título da Sul-Americana, depois de vencer em 2004 e 2005. Se levar a taça, o Boca será o primeiro tricampeão da história do torneio. Será a primeira final entre Atlético-MG e Boca Juniors.
O jogo será no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez, em Barranquilla, casa do Junior. Segundo o ge, será a primeira final de competição sul-americana de clubes realizada na Colômbia desde que o formato de jogo único foi adotado, em 2019. O governo local toca uma reforma de cerca de 45 milhões de dólares, que amplia a capacidade de 45.994 para 60 mil pessoas e troca o piso por um gramado híbrido, de grama natural e sintética. O horário ainda será definido pela Conmebol.
O dinheiro em jogo
A final da Sul-Americana tem peso financeiro. Pelos números do ge, o vice-campeão recebe 2,5 milhões de dólares (R$ 12,9 milhões) e o campeão, 10 milhões de dólares (R$ 50 milhões). O Atlético já acumulou R$ 14,1 milhões nas fases anteriores, então garante no mínimo R$ 27 milhões em premiação, valor que passa de R$ 60 milhões em caso de título. A CNN Brasil, com base em apuração da Itatiaia, trouxe valores um pouco diferentes para vice e campeão, na casa de R$ 13 milhões e R$ 52,2 milhões. A diferença para o levantamento do ge não foi explicada.
O dinheiro chega num momento delicado das contas. O ge lembra que, desde a chegada de Pedro Daniel como CEO, o clube tenta reduzir as dívidas bancárias que pesam no fluxo de caixa, mas ainda tem débitos com clubes, empresários e agentes e apresentou à CNRD, a Câmara Nacional de Resolução de Disputas, um plano coletivo para quitar parte deles.
Dentro de campo, o torcedor também contribuiu. Levantamento do Gato Mestre mostra que o Galo foi o brasileiro com maior arrecadação de bilheteria na Sul-Americana, com R$ 11,1 milhões em seis jogos na Arena MRV, média de R$ 1,8 milhão por partida e de 28.245 torcedores. A maior renda do clube na competição veio na vitória por 3 a 0 sobre o City Torque: R$ 3,5 milhões.
O que vem a seguir
Antes de Barranquilla, o Atlético ainda tem rodadas do Brasileirão e outros compromissos a cumprir, e Domínguez já indicou que quer manter o grupo confiante. A definição da lateral direita sem Alan Franco é a principal dúvida técnica. O horário da final ainda será confirmado pela Conmebol, e o Galo tentará, em 21 de novembro, desfazer o roteiro dos últimos dois vices continentais.


