Robôs que dançam, lutam e trabalham: gigante chinesa estreia na bolsa após levantar quase US$ 1 bilhão
Unitree teve demanda mais de 8 mil vezes superior à quantidade de ações oferecidas; agora a empresa precisa provar que seus humanoides podem ir além dos vídeos virais e fazer trabalho de verdade
Felipe Tanakado CityTudo19 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

A Unitree, uma das maiores fabricantes de robôs humanoides do mundo em volume de vendas, estreou na bolsa de Xangai com uma oferta pública inicial que se tornou recorde no mercado chinês voltado para empresas de tecnologia. A empresa levantou 6,1 bilhões de yuans, cerca de US$ 905 milhões, e a demanda pelas ações superou em mais de 8 mil vezes a quantidade oferecida a investidores de varejo.
Primeira fabricante de humanoides na bolsa chinesa
Com a estreia, a Unitree se tornou a primeira fabricante de robôs humanoides a ser listada na bolsa continental da China, em meio à corrida do país para desenvolver robôs capazes de executar tarefas cada vez mais complexas, tecnologia vista por Pequim como estratégica para a indústria do futuro.
De vídeo viral a produto industrial
Fundada em 2016 em Hangzhou, a empresa ganhou projeção internacional com vídeos de seus robôs dançando, lutando e fazendo acrobacias, tendo aparecido inclusive no tradicional programa de Ano Novo Lunar chinês. Mais recentemente, a companhia apresentou o modelo Superman, capaz de saltar até dois metros e atingir velocidade de 12,66 metros por segundo. A empresa também fabrica robôs quadrúpedes, os chamados cães-robôs, que representaram cerca de 42% de sua receita no ano passado.
Mas o momento de euforia acontece justamente quando o setor muda de foco: em vez de avaliar os robôs pela capacidade de fazer movimentos impressionantes, investidores passaram a observar quanto trabalho eles conseguem realizar e se o ganho de produtividade compensa o custo da máquina.
Aplicações industriais ainda são minoria
Segundo o prospecto da Unitree, instituições de pesquisa e universidades responderam pela maior parte das vendas, enquanto as aplicações industriais representaram menos de 10% das vendas nos três primeiros trimestres de 2025. Na China, alguns robôs já foram usados em aplicações específicas, como entregas de alimentos em hotéis e determinadas linhas de montagem, mas a adoção em larga escala ainda não aconteceu.
O robô precisa competir com o custo do trabalhador
O preço segue como um dos principais obstáculos para popularizar os humanoides nas empresas. A corretora chinesa Guotai Securities estima que um robô humanoide industrial precisaria custar cerca de 160 mil yuans, incluindo manutenção, para se pagar em dois anos, considerando um trabalhador que recebe 80 mil yuans por ano.
O que vem a seguir
Com a euforia dos investidores já refletida no preço das ações, o desafio real da Unitree começa agora: transformar a fama dos vídeos virais em contratos industriais recorrentes. O mercado vai acompanhar de perto se a empresa consegue ampliar a fatia de vendas para clientes industriais nos próximos resultados trimestrais, já que hoje a maior parte da receita ainda vem de pesquisa acadêmica e não de linhas de produção reais.


