Por que quem é mais apegado ao pet costuma ser mais sensível e responsável, segundo estudos
Pesquisa com quase mil tutores de cães e gatos encontrou ligação entre o vínculo emocional com o animal e traços como empatia e senso de responsabilidade
Duda Nogueirado CityTudo17 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

Quem vive com um cão ou gato sabe que o vínculo às vezes é tão forte quanto o de uma relação familiar. E a psicologia vem confirmando algo que muitos tutores já sentiam na pele: pessoas mais apegadas aos próprios animais de estimação tendem a apresentar níveis mais altos de sensibilidade emocional e de senso de responsabilidade.
O que a pesquisa encontrou
Um dos estudos mais citados sobre o tema foi conduzido pela Queen’s University Belfast, no Reino Unido, com quase 940 tutores de cães e gatos de diferentes países. Os participantes responderam questionários que avaliavam tanto traços de personalidade quanto a intensidade do vínculo emocional com o animal. O resultado apontou uma associação clara entre apego mais forte ao pet e características como empatia e responsabilidade.
O contato físico com o animal está entre os fatores associados à liberação de oxitocina
Correlação não é a mesma coisa que causa
Um ponto que os próprios pesquisadores fazem questão de destacar: os dados mostram associação, não necessariamente causa. Ou seja, não dá para afirmar que ter um cão ou gato torna alguém automaticamente mais responsável. Existe a possibilidade de que o caminho seja o inverso, pessoas que já têm traços de personalidade mais sensíveis e empáticos sejam justamente as que desenvolvem vínculos mais intensos com seus animais. Na prática, a relação provavelmente funciona nos dois sentidos.
O efeito é mais visível em crianças
Entre os achados mais consistentes está o de crianças que crescem convivendo com pets. Estudos indicam que elas tendem a demonstrar mais empatia do que crianças que nunca tiveram contato próximo com animais. Isso é explicado, em parte, pela rotina de cuidado: alimentação, higiene, atenção diária e visitas ao veterinário exigem disciplina e atenção às necessidades de outro ser, o que reforça o senso de responsabilidade desde cedo.
O que o corpo sente durante o contato com o pet
Pesquisas publicadas em bases científicas como o PubMed mostram que o contato com animais de estimação está associado à redução dos níveis de cortisol, o hormônio ligado ao estresse, e ao aumento da oxitocina, conhecida popularmente como o hormônio do vínculo afetivo. Esse efeito ajuda a explicar por que interações simples, como fazer carinho no cachorro ou no gato, costumam trazer sensação imediata de bem-estar.
Um vínculo que vai além da companhia
Para especialistas em comportamento, esses achados reforçam algo que a rotina com pets já sugeria: cuidar de um animal não é só companhia, é também um exercício diário de atenção ao outro, e isso deixa marcas reais na forma como as pessoas se relacionam também com outros humanos.


