Casamentos sobem e divórcios caem no Brasil pela primeira vez em três anos, mas guarda compartilhada vira maioria
Levantamento do IBGE sobre o Registro Civil de 2024 mostra reversão na tendência recente das famílias brasileiras: mais casamentos, menos divórcios, e mais pais dividindo a guarda dos filhos
Duda Nogueirado CityTudo17 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

Um levantamento do IBGE sobre o Registro Civil de 2024, divulgado em dezembro de 2025, mostra uma reversão na tendência observada nos anos anteriores: o número de casamentos registrados voltou a crescer, enquanto o de divórcios caiu pela primeira vez em três anos. Foram 948,9 mil casamentos civis em 2024, alta de 0,9% em relação aos 940,8 mil de 2023, e 428,3 mil divórcios concedidos em primeira instância ou por escritura extrajudicial, queda de 2,8% frente aos 440,8 mil registrados no ano anterior.
Onde a queda dos divórcios foi maior
A redução no número de divórcios não foi uniforme entre as regiões do país. Segundo o IBGE, o Centro-Oeste teve a maior queda, de 11,8%, seguido por Nordeste (-3,1%), Sudeste (-2,5%) e Sul (-1,4%). Na direção oposta, o Norte foi a única região em que os divórcios continuaram subindo em 2024, com alta de 9,1%. Rondônia teve a maior taxa de divórcios do país, de 4,9 para cada mil habitantes, enquanto Roraima teve a menor, de 0,2 para cada mil habitantes, diferença que reflete tanto fatores culturais quanto o próprio tamanho e a distribuição da população entre os estados.
Levantamento reflete mudanças no padrão das famílias brasileiras
Guarda compartilhada ultrapassa a guarda com a mãe
Um dado inédito chamou atenção dos técnicos do IBGE: dez anos depois da Lei 13.058/2014, que passou a prever a guarda compartilhada como regra nos divórcios, a proporção de casos em que os filhos menores ficaram sob guarda compartilhada (44,6%) superou pela primeira vez a de casos em que a guarda ficou só com a mãe (42,6%). Em 2014, ano em que a lei mudou, a guarda compartilhada respondia por apenas 7,5% dos casos, contra 85% de guarda exclusiva da mãe e 5,5% de guarda exclusiva do pai. A inversão ao longo de uma década sugere uma mudança real na forma como os pais brasileiros dividem a criação dos filhos depois da separação, e não apenas o efeito imediato da alteração na legislação.
Casamentos mais curtos e mais tardios
O levantamento também mostra que os casamentos têm terminado mais rápido: o tempo médio entre a data do casamento e a do divórcio caiu para 13,8 anos em 2024, ante cerca de 16 anos em 2010. As pessoas também têm se casado e se divorciado mais tarde na vida: a idade média ao casar passou a ser de 31,5 anos para os homens e 29,3 anos para as mulheres, enquanto a idade média ao se divorciar é de 44,5 anos para eles e 41,6 anos para elas. Outro dado do levantamento mostra que a parcela de casamentos em que ao menos um dos cônjuges já era divorciado ou viúvo saltou de 13,5% em 2004 para 31,1% em 2024, sinal de que recasamentos ocupam um espaço cada vez maior entre os registros civis do país. Entre pessoas do mesmo sexo, o número de casamentos também bateu novo recorde em 2024, com alta na comparação com o ano anterior.
O que isso diz sobre a família brasileira
Para além dos números isolados, o conjunto de dados do Registro Civil de 2024 desenha um retrato de famílias brasileiras cada vez mais diversas em formato, com menos rigidez em torno do modelo tradicional de casamento duradouro e mais aceitação de arranjos familiares reconfigurados após a separação. A combinação entre queda nos divórcios, alta nos casamentos e avanço da guarda compartilhada sugere que a estabilidade das relações não está necessariamente associada à duração da união, mas à forma como as famílias se reorganizam quando ela chega ao fim, com uma divisão mais equilibrada de responsabilidades entre os pais do que a observada há dez ou vinte anos.

