Parrillas uruguaias e argentinas ganham espaço na capital paulista
Ao menos dez novos endereços de churrasco ao estilo dos países vizinhos abriram em São Paulo no último ano, com grelhas diferentes da tradição brasileira
Ricardo Shimanodo CityTudo19 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

De um ano para cá, abriram as portas pelo menos dez parrillas na cidade de São Paulo, entre restaurantes estreantes e unidades novas de redes já consolidadas, segundo levantamento da Folha. Na Argentina e no Uruguai, parrilla é o nome dado tanto à churrasqueira quanto ao restaurante de churrasco, e a diferença básica para a tradição brasileira é que, nesses países, não se costuma usar espetos.
A grelha em “V” que muda o preparo
“Trabalhamos com grelhas, principalmente a grelha em ‘V’”, explica Tomás Peñafiel, do Chimichurri Parrilla, restaurante que surgiu em 2019 e inaugurou novo salão em abril de 2026. Segundo ele, “a grelha em ‘V’ faz com que a gordura da carne pingue menos, escorrendo por uma calha, o que gera menos fumaça e evita que a gordura caia diretamente na brasa”. A churrasqueira argentina também conta com uma estrutura que regula a altura da grelha, permitindo controlar o quão direto é o calor para cada corte.
A versão uruguaia usa lenha, não carvão
A parrilla uruguaia segue uma lógica diferente. “Ela trabalha com lenha, enquanto a maioria das churrasqueiras hoje trabalha com carvão”, explica Luciano Neves, do El Tranvía. “Colocamos a lenha no fundo da churrasqueira e vamos puxando apenas a brasa. Isso confere uma defumação à carne, trazendo um sabor especial”.
Cortes diferentes da tradição brasileira
Os preparos dos dois países vizinhos convergem em alguns pontos. Ambos prezam pelos cortes do contrafilé, como o ancho e o chorizo, e pelo assado de tira, retirado da costela e cortado na transversal. Os paulistanos também vêm apreciando cada vez mais a molleja, o timo bovino, uma glândula próxima ao pescoço do animal pouco comum nos churrascos brasileiros tradicionais.
Restaurantes reunidos em roteiro de 22 endereços
O levantamento da Folha reúne 22 endereços de parrilla espalhados pela cidade, misturando casas recém-inauguradas com nomes que já têm público cativo havia mais tempo. A reportagem também traz imagens de pratos como o prime rib do restaurante Alameda Cortés, ilustrando o tipo de corte generoso que se tornou marca registrada desse estilo de churrasco.
Um movimento gastronômico, não só um modismo
Para quem acompanha a cena gastronômica paulistana, o crescimento das parrillas reflete um interesse mais amplo por técnicas de churrasco fora do eixo tradicional brasileiro. A curiosidade por cortes menos usuais, como a molleja, e por métodos de preparo distintos, como a grelha em V e o uso de lenha, tem atraído tanto entusiastas de carne quanto curiosos que buscam uma experiência diferente da churrascaria convencional.


