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Habib's entra oficialmente em recuperação judicial com dívida declarada de R$ 265,2 milhões

Grupo Gennius, dono da rede de esfihas e também das marcas Ragazzo e Tendall Grill, teve o pedido deferido pela Justiça de São Paulo nesta segunda-feira (24), com a KPMG nomeada administradora judicial e prazo de 60 dias para apresentar um plano de reestruturação

Ricardo ShimanoRicardo Shimanodo CityTudo

26 de agosto de 2026 · 3 min de leitura

Fachada de uma loja do Habib's em esquina movimentada, com letreiro amarelo e pedestres atravessando a faixa

O Grupo Gennius, controlador da rede de fast-food árabe Habib’s, teve o pedido de recuperação judicial deferido pela Justiça de São Paulo nesta segunda-feira (24), com uma dívida declarada de R$ 265,2 milhões. A decisão marca a virada de um processo que já vinha se arrastando havia semanas, com o grupo tentando negociar diretamente com credores antes de recorrer à proteção judicial.

O que a Justiça decidiu

O juiz Jomar Juarez Amorim nomeou a consultoria KPMG como administradora judicial do processo e determinou que o grupo tem um prazo de 60 dias para apresentar um plano de reestruturação detalhado, sob risco de ter a falência decretada caso não cumpra o prazo. Para reverter a situação, a estratégia do grupo passa por fechar ou realocar lojas pouco rentáveis, abrir unidades menores focadas em entregas rápidas e reorganizar a estrutura societária.

Uma crise que já vinha sendo negociada

O caminho até a recuperação judicial começou antes. Em julho, o Grupo Gennius, que controla também as marcas Ragazzo (massas e salgadinhos) e Tendall Grill (carnes), entrou na Justiça com um pedido de tutela cautelar antecedente contra credores, uma espécie de proteção antecipada que costuma anteceder um pedido formal de recuperação judicial. Na época, as dívidas do grupo somavam R$ 312,4 milhões e o pedido de proteção envolvia 174 empresas ligadas ao Habib’s, incluindo o presidente Alberto Saraiva e o administrador Belchior Saraiva Neto. O juiz concedeu na ocasião a suspensão das execuções contra o grupo por 60 dias improrrogáveis, além de proibir que fornecedores essenciais, como água, luz, gás e tecnologia, cortassem o serviço. Entre os credores citados no processo estavam empresas como a Seara Alimentos, a De Marchi, a Duas Rodas Industrial, o Banco Inter e o Ouribank.

Da maior rede de esfihas do país à crise financeira

Fundado em 1988 por Alberto Saraiva, o Habib’s se tornou uma rede nacional pelo modelo de franquias e, na década de 2010, chegou a faturar R$ 3 bilhões por ano com 600 unidades em operação, mirando o consumidor da classe C. Segundo a própria empresa, a crise se acentuou nos últimos anos por causa dos impactos da pandemia entre 2020 e 2022 e das mudanças no consumo trazidas pelas plataformas de marketplace e delivery, cenário agravado por um endividamento bancário superior a R$ 300 milhões que passou a consumir boa parte do fluxo de caixa. Manter centenas de megalojas de rua, com estacionamento, parquinho e drive-thru, tornou-se financeiramente insustentável, o que levou o grupo a fechar pontos deficitários e apostar em modelos mais enxutos, como quiosques em praças de alimentação e dark kitchens.

O que muda para quem frequenta o Habib’s

Procurado pela reportagem em julho, o Grupo Habib’s confirmou o pedido de proteção judicial e afirmou que o objetivo é negociar os passivos financeiros acumulados no período desafiador dos últimos anos, garantindo que as lojas continuam funcionando normalmente, mantendo o mesmo padrão de qualidade e atendimento. Com a recuperação judicial agora formalmente deferida, o grupo tem 60 dias para convencer credores e Justiça de que o plano de reestruturação é viável, sem interromper o funcionamento das lojas nas mais de 90 cidades onde a rede está presente.

Fontes

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