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"No influencers": cresce reação de restaurantes contra criadores de conteúdo

Casos como o de uma loja nos EUA que baniu influenciadores expõem tensão entre negócios e criadores que transformam estabelecimentos em cenário de vídeo

Ricardo ShimanoRicardo Shimanodo CityTudo

19 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

Pessoa mexendo no celular

Uma placa na porta de uma pequena loja em Nantucket, nos Estados Unidos, resume um movimento que vem crescendo em vários países: “No Influencers” (sem influenciadores). A imagem viralizou, chegou à imprensa nacional americana e abriu uma discussão sobre até que ponto restaurantes, lojas e outros negócios precisam aceitar que seus espaços sejam transformados em cenário para produção de conteúdo.

Restaurantes impõem limites a tripés e ring lights

O caso de Nantucket não é isolado. Nos Estados Unidos, assim como em muitos países do mundo, cresce o número de restaurantes que impõem limites a criadores com tripés, ring lights e sessões fotográficas que transformam o espaço em um estúdio, enquanto outros clientes só querem comer tranquilamente. Eventos gastronômicos e festivais também vêm adotando regras semelhantes para conter criadores focados sobretudo em autopromoção.

“Almoço grátis” é uma das principais queixas

Além do impacto físico da produção de conteúdo no ambiente, a reportagem cita críticas mais específicas: publicar guias ou avaliações de lugares que nunca foram visitados, usar imagens de terceiros sem autorização e produzir conteúdo voltado à própria promoção em vez de oferecer informação rigorosa e útil. Segundo o texto, há uma “horda de gente que vê na publicação de stories e posts uma forma de ter acesso e algum ‘almoço grátis’”.

A proposta polêmica de uma “licença” para avaliar restaurantes

Para conter esse tipo de prática, Jonathon “Jono” Yates, criador do Only Scrans, plataforma britânica de reviews gastronômicos conhecida por visitar restaurantes independentes, cafés e pequenos negócios pelo Reino Unido, defendeu em um podcast britânico que influenciadores de gastronomia deveriam passar por um teste antes de poder avaliar restaurantes, uma espécie de licença obrigatória para usar câmera ao redor de um prato.

Nem todo criador é o problema

A reportagem faz questão de separar os grupos: há criadores de conteúdo sérios e rigorosos, que sabem do que falam, mas, na carona destes, cresce uma horda de perfis menos comprometidos com informação de qualidade. O debate, portanto, não é sobre acabar com a cobertura gastronômica feita por criadores independentes, mas sobre onde termina a divulgação de qualidade e começa o incômodo para outros clientes e para o próprio negócio.

Um equilíbrio ainda em construção

O movimento reflete uma fase de ajuste entre a indústria de restaurantes e a cultura de redes sociais que, nos últimos anos, se tornou parte importante da forma como um estabelecimento ganha visibilidade. Cada vez mais donos de restaurantes parecem dispostos a testar regras próprias, mesmo que isso signifique abrir mão de parte da exposição gratuita que criadores de conteúdo oferecem.

Fontes

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