Chef pediu para sair do Guia Michelin e viu restaurante perder estrelas
Caso do francês Sébastien Bras, do Le Suquet, reacende debate sobre o poder das estrelas Michelin e a relação de chefs com guias gastronômicos
Ricardo Shimanodo CityTudo19 de agosto de 2026 · 2 min de leitura

Um caso na França reacendeu a discussão sobre o peso do Guia Michelin sobre a vida de um restaurante. Anos atrás, o chef Sébastien Bras, cansado de viver sob o escrutínio do guia, contou preferir não se prender aos padrões impostos pela publicação e pediu para o Michelin retirar seu restaurante, o Le Suquet, da lista.
O guia primeiro aceitou, depois voltou atrás
No primeiro momento, o pedido foi atendido: na edição de 2018 não havia referência alguma ao Le Suquet no guia. Mas a paz durou pouco. Na edição seguinte, o Michelin voltou a listar o restaurante, com uma diferença importante: no lugar das três estrelas que a casa mantinha havia duas décadas, o Le Suquet foi rebaixado para duas estrelas. Agora, na edição de 2026, o guia da França removeu mais uma, deixando o restaurante com apenas uma estrela.
Família reagiu com discrição
Diante do rebaixamento, a família Bras não gostou de ver o restaurante de volta ao guia em 2018, mas afirmou apenas que seguiria com sua convicção de ignorar o Michelin, seus critérios, seus inspetores e suas premiações, sem entrar em confronto público mais direto com a publicação.
Sébastien Bras não é o único a se cansar das estrelas
O caso francês tem precedentes conhecidos na alta gastronomia mundial. Chefs como os franceses Alain Senderens e Marc Veyrat, o britânico Marco Pierre White e o italiano Gualtiero Marchesi também já pediram para sair de guias ou romperam publicamente com o sistema de estrelas, alguns por discordarem dos critérios de avaliação, outros por não quererem mais participar do que chamam de corrida pelas estrelas.
Critérios do guia seguem pouco transparentes
O peso financeiro por trás do prestígio
O episódio ilustra uma tensão que atravessa toda a alta gastronomia: guias como o Michelin e listas como o 50 Best Restaurants têm influência real sobre o público e, por consequência, sobre o faturamento de um restaurante. Isso torna a relação entre chefs e avaliadores um equilíbrio delicado entre convicção artística e sobrevivência financeira do negócio, algo que o caso do Le Suquet expõe de forma bastante direta.


