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Criança é hostilizada após ganhar camisa de Neymar em Itaquera

Menino corintiano de 8 anos, morador de Rio do Sul (SC), precisou deixar a Neo Química Arena escoltado pela polícia depois de receber a camisa do atacante ao fim de Corinthians 0 x 1 Santos

Bruno AndradeBruno Andradedo CityTudo

2 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

Criança torcedora em arquibancada de estádio de futebol segurando camisa de time (imagem ilustrativa)

O Corinthians divulgou, na manhã de segunda-feira (31), uma nota oficial repudiando a hostilização sofrida por uma criança de 8 anos que havia recebido a camisa de Neymar horas antes, ao fim do clássico contra o Santos. O jogo, disputado na Neo Química Arena no domingo (30), terminou em vitória do Santos por 1 a 0, e o gesto de Neymar com o torcedor mirim, que deveria ter sido só um momento bonito de um dia de futebol, terminou com a família precisando deixar o estádio escoltada pela Polícia Militar.

O que aconteceu no estádio

Durante a partida, o garoto, torcedor do Corinthians e morador de Rio do Sul, em Santa Catarina, chamou a atenção de Neymar com um cartaz na arquibancada. Segundo relatos, a faixa trazia uma mensagem carinhosa endereçada ao atacante do Santos, dizendo que o menino era corintiano, mas fã do jogador. Ao final da partida, Neymar atendeu ao pedido e entregou sua camisa de jogo ao garoto, em um gesto que viralizou nas redes sociais pela espontaneidade e pela emoção estampada no rosto da criança.

O clima de festa, no entanto, não durou. Vídeos que circularam logo depois mostram torcedores que ainda estavam no estádio dirigindo xingamentos e agressões verbais ao menino e a sua família, incomodados com o fato de um torcedor corintiano comemorar o carinho recebido de um jogador do time rival. Diante da hostilidade, a família precisou ser retirada do setor por seguranças e policiais militares, e deixou a Neo Química Arena pelo gramado, em vez de pelas saídas normais do setor onde estava.

A nota oficial do Corinthians

Horas depois da repercussão do episódio, o Corinthians publicou um comunicado oficial classificando o comportamento de parte da torcida como inaceitável. Entre os trechos divulgados pelo clube, a nota afirma que “paixão pelo clube, rivalidade e a emoção do futebol jamais podem se sobrepor ao respeito, à educação e à segurança, especialmente quando estamos falando de uma criança”. O texto segue dizendo que “dentro e fora de campo, existem limites que não podem ser ultrapassados. Agressividade contra uma criança é um desses limites”, e reforça o compromisso do clube com “um ambiente cada vez mais seguro, respeitoso e acolhedor” para todos os torcedores.

O posicionamento buscou separar a torcida organizada e a maioria do público do grupo que hostilizou a família, numa tentativa de conter o desgaste de imagem do clube em um momento de grande repercussão nacional do caso, que rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados do dia nas redes sociais e nos sites de esporte.

Gaviões da Fiel também se pronunciou

A Gaviões da Fiel, maior torcida organizada do Corinthians, também divulgou nota própria condenando o episódio. Segundo o texto reproduzido por veículos esportivos, a organizada disse ser “totalmente contrária a qualquer ato de intimidação, assédio ou violência, especialmente quando envolve crianças” e afirmou não admitir ou tolerar “atitudes covardes que exponham crianças a agressões físicas ou psicológicas”. A diretoria da organizada foi além e entrou em contato direto com a família do garoto, convidando-a para conhecer a sede da torcida, num gesto simbólico de desculpas e acolhimento.

O movimento da Gaviões teve repercussão positiva entre torcedores nas redes, que viram na atitude uma forma de o corintianismo organizado se distanciar do comportamento minoritário registrado nos vídeos, sem deixar o caso apenas nas mãos da diretoria do clube.

A reação de Neymar

Neymar também se manifestou sobre o episódio, lamentando publicamente a forma como o gesto acabou sendo recebido por parte da torcida. Em vídeo compartilhado nas redes sociais, o atacante disse que a situação “nunca pode ser motivo de confusão” e questionou a reação de quem hostilizou a criança: “É uma criança… Qual pai ou qual mãe não faria a vontade do filho?”. Em outro trecho, reforçou que torcer por um ídolo de outro time não deveria gerar esse tipo de reação: “Foi um menino que é corintiano, uma criança. Quando gosta de um atleta, pode me admirar. É um respeito não só pelo torcedor mirim, pelo corintiano”.

O jogador do Santos, que vive um momento de retorno de peso ao futebol brasileiro depois de anos na Arábia Saudita e no exterior, tem sido alvo frequente de provocações da torcida rival nos clássicos contra o Corinthians, mas neste caso o desconforto girou em torno de uma criança, o que ampliou a repercussão negativa contra os torcedores envolvidos.

Um debate maior sobre comportamento nas arquibancadas

O episódio reacende uma discussão recorrente no futebol brasileiro sobre os limites do fanatismo dentro dos estádios, especialmente quando crianças e famílias estão envolvidas. Casos de hostilidade a torcedores mirins têm motivado, nos últimos anos, campanhas de clubes e federações por ambientes mais seguros e acolhedores para o público infantil, público que representa boa parte do crescimento de frequência nos estádios brasileiros nas últimas temporadas.

Para especialistas em comportamento de torcida ouvidos por veículos esportivos após episódios semelhantes, situações como essa tendem a gerar dois efeitos simultâneos: de um lado, a exposição negativa de uma minoria hostil; de outro, um movimento de acolhimento por parte da maioria da torcida e da própria diretoria do clube, como ocorreu neste caso com as notas do Corinthians e da Gaviões da Fiel. A expectativa agora é que o episódio sirva de alerta para a segurança de crianças em outros clássicos da temporada, num momento em que o Brasileirão segue com jogos decisivos nas competições nacionais envolvendo os dois clubes.

Até a publicação desta reportagem, nem o Corinthians nem a família do menino haviam divulgado se haverá alguma medida adicional, como a identificação dos torcedores envolvidos na hostilização, algo que tem sido cobrado por parte do público nas redes sociais desde que os vídeos do episódio começaram a circular.

Fontes

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