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Gracindo Jr., ator e diretor, morre aos 83 anos no Rio

Ator que ajudou a inaugurar a TV Globo em 1965 morreu em casa nesta quarta-feira (2); filho, o ator Pedro Garcia, confirmou a morte à imprensa

Bianca FerrazBianca Ferrazdo CityTudo

2 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

Gracindo Jr. sorridente, segurando material de divulgação da peça "O Último Bolero"

O ator e diretor Gracindo Jr. morreu na manhã desta quarta-feira (2), em casa, no Rio de Janeiro, aos 83 anos. A informação foi confirmada por seu filho, o também ator Pedro Garcia. Com mais de cinco décadas de carreira dedicadas ao teatro, ao rádio, ao cinema e à televisão, ele é lembrado sobretudo por ter integrado o elenco que inaugurou a TV Globo, em 1965, e por ter dirigido e atuado em algumas das produções mais populares da emissora nas décadas seguintes.

Quem foi Gracindo Jr.

Nascido em 21 de maio de 1943, no Rio de Janeiro, Gracindo Jr. começou cedo na dramaturgia: aos 15 anos, fez um teste para trabalhar na Rádio Nacional, onde seu pai, o também ator Paulo Gracindo (1911-1995), vivia o auge da carreira como galã de radionovelas e apresentador de programas de auditório. Na juventude, chegou a cursar Psicologia, mas nunca exerceu a profissão, seguindo o mesmo caminho artístico do pai.

Em 1961, estreou nos palcos com a peça “A Escada”, de Oswald de Andrade, e ao longo da carreira participou de montagens de autores clássicos, como “A Megera Domada”, de Shakespeare, e “O Doente Imaginário”, de Molière, além de trabalhar com frequência ao lado do dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho, um dos nomes centrais do teatro engajado brasileiro dos anos 1960.

Perseguido pela ditadura militar

Militante do Partido Comunista, Gracindo Jr. foi perseguido pela ditadura militar em 1964, junto com outros 38 artistas, entre eles os dramaturgos Dias Gomes e Mário Lago, e por causa disso ficou impedido de trabalhar no rádio por um período. O episódio marcou o início de uma relação de décadas com Dias Gomes, autor de algumas das novelas em que Gracindo Jr. mais se destacaria como ator.

A inauguração da TV Globo e os grandes sucessos

Em 1965, Gracindo Jr. participou da inauguração da TV Globo e atuou na segunda novela da emissora, “Rosinha do Sobrado”. Nos anos seguintes, construiu uma carreira dupla, como ator e como diretor, e chegou a comandar a direção geral de produções como “A Sucessora” (1978), “Marron Glacê” (1979) e a fase inicial de “Os Trapalhões” na televisão, no início dos anos 1980, segundo o perfil biográfico do ator na Wikipédia.

Entre seus trabalhos de maior destaque como ator estão “O Bem-Amado”, de Dias Gomes, e “O Casarão”, de Lauro César Muniz, além de produções como “Rainha da Sucata”, “Deus Nos Acuda” e “Explode Coração”. Também esteve em novelas como “Dona Beija” (1986) e “Mandala” (1987), consolidando-se como um dos rostos mais reconhecíveis da teledramaturgia brasileira entre as décadas de 1970 e 1980.

O legado do pai, Paulo Gracindo

Em depoimento ao acervo histórico da própria emissora, Gracindo Jr. falou sobre o que aprendeu observando a trajetória do pai, Paulo Gracindo, um dos nomes mais respeitados da dramaturgia brasileira no rádio, no teatro, no circo, no cinema e na televisão: “Acho que o que eu mais aprendi com o meu pai foi responsabilidade no meu trabalho, estima pelo meu trabalho, saber que meu trabalho é uma coisa muito importante”. Ele completou lembrando a disciplina do pai: “Meu pai trabalhou 65 anos e nunca me lembro dele não tendo feito sucesso, em qualquer área de comunicação (…) A lembrança que eu tenho dele é dessa pessoa delicada, dessa pessoa amiga, solidária e que seu maior amor era o seu trabalho. Se o trabalho dele estivesse bem-feito, ele estava feliz”.

Paulo Gracindo morreu em 1995, aos 84 anos, depois de uma carreira que atravessou o rádio, o teatro, o circo, o cinema e a televisão, e que serviu de referência direta para a trajetória do filho.

Últimos trabalhos, de novelas da Record ao streaming

A partir de 2006, Gracindo Jr. passou a atuar também em novelas da TV Record, como “Cidadão Brasileiro” e “Poder Paralelo” (2009), e viveu o rei Saul na minissérie bíblica “Rei Davi” (2012). Já no streaming, seu último trabalho como ator foi na série “Homens?”, do Prime Video, lançada em 2019, o que mostra uma carreira que atravessou praticamente todas as fases da televisão brasileira, do rádio dos anos 1950 até as plataformas de vídeo por assinatura.

Uma carreira também no cinema

Além do trabalho intenso na TV e no teatro, Gracindo Jr. construiu uma filmografia de cerca de 30 títulos no cinema brasileiro ao longo de mais de cinco décadas, atuando entre os anos 1960 e os anos 2000. A carreira no audiovisual, somada aos trabalhos de direção geral para a televisão, faz dele uma das poucas figuras da geração fundadora da TV Globo a ter transitado com regularidade pelas três frentes: teatro, cinema e televisão, sem nunca abandonar nenhuma delas.

Família

Gracindo Jr. deixa três filhos que também seguiram carreira artística: os atores Gabriel Gracindo e Pedro Gracindo e a atriz Daniela Duarte, além de outro filho fora da vida pública. A notícia da morte foi divulgada pela família ainda na manhã desta quarta-feira, poucas horas depois do óbito, o que permitiu que colegas de profissão e admiradores tomassem conhecimento e começassem a prestar homenagens ao longo do dia nas redes sociais.

Velório marcado para esta quinta-feira

Segundo o Diário do Grande ABC, o velório de Gracindo Jr. será aberto ao público nesta quinta-feira (3), no Crematório e Cemitério da Penitência, no Rio de Janeiro, com início previsto para 12h10 e cremação marcada para as 14h10. A notícia da morte repercutiu entre colegas de teatro e televisão nas redes sociais ao longo da manhã desta quarta-feira, reforçando o peso de uma carreira que atravessou mais de 60 anos de dramaturgia brasileira, do rádio da década de 1950 à televisão e ao streaming contemporâneos.

Uma dinastia da teledramaturgia brasileira

A trajetória de Gracindo Jr. é indissociável da história da própria televisão brasileira: ele nasceu em uma família que ajudou a moldar o rádio e a TV do país, acompanhou de perto a transição do rádio para a televisão nos anos 1960 e, como diretor, teve participação direta em produções que definiram a linguagem da teledramaturgia nacional nas décadas de 1970 e 1980. Sua morte encerra um dos últimos elos vivos entre o elenco original da TV Globo, formado em 1965, e as gerações seguintes de atores e diretores que passaram pela emissora.

Fontes

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