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Caiado anuncia Ratinho Junior como ministro da Infraestrutura

Governador do Paraná, que desistiu de disputar a Presidência em março, aceitou integrar o futuro governo de Ronaldo Caiado caso o candidato do PSD vença as eleições

Marina KesslerMarina Kesslerdo CityTudo

2 de setembro de 2026 · 6 min de leitura

Porto brasileiro movimentado, com navios porta-contêineres, guindastes e bandeira do Brasil hasteada

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) anunciou nesta terça-feira (1º) o governador do Paraná, Ratinho Junior, como seu futuro ministro da Infraestrutura caso vença as eleições deste ano. O anúncio foi feito por meio de vídeo divulgado à imprensa e nas redes sociais dos dois políticos.

“É um craque”, diz Caiado sobre o novo aliado

Em vídeo, Caiado apresentou a indicação com entusiasmo: “Olha a notícia boa para o Brasil todo, o nosso ministro de infraestrutura, Ratinho Junior. Veja lá o que ele fez no Paraná e o que ele vai fazer no Brasil. É um craque”, disse o candidato do PSD, completando que o governador paranaense está “em primeiro lugar aí como governador com maior capacidade hoje de atender as necessidades da população”.

Ratinho Junior agradeceu o convite ao lado de Caiado: “Um privilégio poder estar ao seu lado nessa caminhada no Brasil, desse novo Brasil, um Brasil de respeito acima de tudo, e fico feliz de você ter lembrado do meu nome para poder ajudar o Brasil nessa parte que é essencial para fazer o país voltar a crescer”, declarou. Caiado explicou que o futuro ministro ficaria responsável por “comandar todas as rodovias, ferrovias, hidrovias e daí por diante”, prometendo que o país vai “voltar a ter perspectiva de chegar barato nos portos”.

De pré-candidato a futuro ministro

A indicação marca um novo capítulo na trajetória de Ratinho Junior, que cumpre o segundo mandato como governador do Paraná e chegou a ser pré-candidato do PSD à Presidência com o melhor desempenho nas pesquisas do partido, antes de desistir repentinamente em março deste ano. Na pesquisa Quaest daquele mês, ele aparecia com 7% das intenções de voto no primeiro turno, à frente do próprio Ronaldo Caiado, que tinha 4%, e do governador gaúcho Eduardo Leite, com 3%.

Segundo comunicado divulgado pela assessoria de Ratinho Junior na época, a desistência foi decidida em uma noite de domingo, dia 22, “após profunda reflexão com a família”, e comunicada horas depois ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Kassab reagiu afirmando que a legenda seguia firme em apresentar uma “melhor via” para a disputa à Presidência, abrindo caminho para a candidatura de Caiado ganhar força dentro do partido.

O G1 também aponta que, cerca de duas semanas antes de anunciar a desistência, Ratinho Junior recebeu a visita do senador Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pediu que o governador abandonasse a corrida e apoiasse o candidato bolsonarista. Em vez disso, o governador paranaense optou por permanecer fora da disputa presidencial sem declarar apoio imediato a nenhum concorrente até este anúncio com Caiado.

A repescagem depois da recusa de Gakiya

A escolha de Ratinho Junior também acontece poucas semanas depois de Caiado ter sido rejeitado por outro nome de peso para seu futuro governo. O promotor Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, recusou o convite do candidato para comandar o Ministério da Segurança Pública.

Na ocasião, Gakiya afirmou ao G1 que não poderia aceitar o convite naquele momento por causa das restrições impostas a promotores da ativa: “Sou Promotor de Justiça da ativa e não posso ter nenhum tipo de atividade político partidária. Somente no fim do ano eu completo os requisitos para eventualmente me aposentar no MP”. Dois dias depois da recusa, Caiado disse que buscaria outro nome com o mesmo perfil técnico para a pasta. Embora a resposta a essa busca ainda não tenha vindo, o episódio ajuda a explicar a estratégia atual do candidato: reforçar a candidatura com nomes técnicos e com resultados de gestão comprovados, como o de Ratinho Junior à frente do governo paranaense.

Os números que Caiado usou para justificar a escolha

Para sustentar a indicação, a equipe de campanha de Caiado destacou o desempenho do Paraná na área portuária. Em 2025, os portos paranaenses movimentaram 73,5 milhões de toneladas entre exportações e importações, volume 10,1% superior ao registrado em 2024, quando foram movimentadas 66,7 milhões de toneladas. Ao citar o dado durante o anúncio, Caiado fez questão de mandar um recado direto ao público do agronegócio, historicamente dependente da logística de escoamento pelos portos: “tá vendo, produtor rural?”, disse ao final da fala.

Caiado é o primeiro entrevistado da série de sabatinas da CNN Brasil

O anúncio chega horas antes de Caiado se tornar o primeiro entrevistado de uma nova série de sabatinas com os presidenciáveis, que a CNN Brasil inicia nesta quarta-feira (2), às 21h, com transmissão simultânea pela TV, YouTube e demais plataformas do canal. A entrevista será conduzida ao vivo pelo âncora do CNN Prime Time, Márcio Gomes, e pela analista de política da emissora, Edilene Lopes.

Segundo a CNN Brasil, foram convidados os seis primeiros colocados no Índice CNN Brasil, agregador de pesquisas eleitorais desenvolvido em parceria com o Ipespe Analítica. Depois de Caiado, a série segue com Renan Santos (Missão) na quinta-feira (3), Romeu Zema (Novo) na sexta-feira (4) e Augusto Cury (Avante) na segunda-feira (7). Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e Flávio Bolsonaro (PL) ainda não confirmaram presença na série de entrevistas do canal.

O que esperar dos próximos dias

Com a corrida presidencial ganhando corpo, Caiado tenta usar simultaneamente dois movimentos de campanha para se diferenciar dos concorrentes: a exposição direta ao eleitor nas sabatinas ao vivo e o anúncio de nomes técnicos, com resultados de gestão mensuráveis, para posições estratégicas de um eventual governo. A resposta de Ratinho Junior ao convite, aceitando integrar a chapa mesmo após deixar sua própria pré-candidatura em março, deve alimentar especulações sobre o papel que o governador do Paraná pode assumir daqui até a eleição, inclusive sobre um possível apoio mais explícito à candidatura de Caiado nos próximos compromissos de campanha dos dois.

A movimentação também escancara uma disputa que já vinha se desenhando dentro do próprio PSD desde a desistência de Ratinho Junior em março. Ao aceitar o convite para um ministério, mesmo sem declarar apoio formal e imediato à candidatura de Caiado, o governador paranaense sinaliza que pretende manter influência na corrida presidencial sem precisar disputar o cargo diretamente, uma posição que pode se tornar mais clara à medida que a campanha avança e outros nomes do partido definem seu posicionamento. Resta saber se o restante da legenda vai seguir o mesmo caminho ou se Kassab ainda buscará essa “melhor via” que prometeu meses atrás.

Para o eleitorado, o episódio reforça uma tendência que deve se repetir nas próximas semanas: candidatos à Presidência anunciando nomes técnicos para áreas estratégicas antes mesmo do primeiro turno, na tentativa de mostrar um governo já estruturado. Resta acompanhar se movimentos semelhantes surgirão nas campanhas rivais e como o eleitorado vai reagir a esse tipo de aceno, especialmente entre o público ligado ao agronegócio e à logística de exportação, setor diretamente citado por Caiado no anúncio desta terça-feira.

Fontes

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